Política

Ao protelar definição sobre governo ou Senado, Marconi indica candidatura a deputado federal

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José Luiz Bittencourt

 

O ex-governador Marconi Perillo não é pouca coisa: governou Goiás por quatro mandatos, elegeu-se senador uma vez, assim como deputado estadual e federal. Só foi oposição em uma campanha, a de 1998, quando surpreendentemente derrotou Íris Rezende, logo o todo-poderoso Iris. Fora daí, sempre foi governista e essa falta de jeito e traquejo para o antagonismo político é que provavelmente explica o quanto se mostra deslocado na tentativa de fazer um anteparo ao governador Ronaldo Caiado, ou seja, sem os instrumentos de poder nas mãos, tem dificuldades para articular.

Ocorre que Marconi, na prática, comporta-se como uma liderança oportunista de pequeno tamanho, quando deveria ser maior. Aparece bem nas pesquisas para o governo do Estado e para o Senado, mas não mostra as suas antigas características de liderança de peito aberto para dizer que, sim, será candidato a um desses dois mandatos. O que restou dos tucanos em Goiás gostaria de ouvir isso. Só que ele escafede-se dizendo que só vai se posicionar no meio do ano, na reta final das convenções partidárias, com a estratégia de passear no noticiário daqui até lá. Pronto: o recado está dado.

Marconi não acredita em seu próprio nome. E se ele mesmo não faz fé, quem o faria? Eleições majoritárias não oferecem segurança para candidato algum. Já as proporcionais, sim. Disputando uma vaga na Câmara Federal, Marconi sabe que suas chances de se eleger são altas. Conquistaria uma cadeira em Brasília e um espaço institucional na política, tanto estadual quanto nacional. Essa será, portanto, a sua aposta provável para as urnas de outubro: deputado federal.

Governador ou senador, enfrentando a rejeição monumental que ele acumulou nas eleições de 2018, quando ficou em quinto lugar para senador (na região metropolitana, em sexto, perdendo até para Agenor Mariano), nem pensar. Seria suicídio.

As pesquisas estão aí mostrando que essa carga negativa está mais viva do que nunca. Basta Marconi colocar a cara em uma disputa majoritária e a chicotada da ojeriza do eleitorado ao seu nome, em especial na região metropolitana, virá implacavelmente.

É por isso, leitoras e leitores, que o ex-governador segue em frente adiando a sua decisão, claro, aproveitando-se da visibilidade proporcionada pela conversa em torno da sua possível postulação ao governo ou ao Senado, porém sem dar a sua palavra categórica sobre a que cargo se apresentará em outubro. Qualquer um que tenha em vista esses objetivos já estaria em campo, de peito aberto, como de fato estão Ronaldo Caiado, Major Vitor Hugo, Gustavo Mendanha, Wolmir Amado e outros.

Seria vantajoso dizer logo qual é o jogo. Mas Marconi empurra com a barriga e, se empurra, é porque não é candidato nem a governador nem a senador e vai mesmo no final das contas se alinhar na chapa – fraquíssima – do PSDB para a Câmara Federal. É o que é certo e seguro. E também o reconhecimento de que a sua estatura diminuiu.

 

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