Quinta, 15 de Abril de 2021
15 de Abril de 2021

Adriana Accorsi admite que CPI de Humberto Teófilo é sobre “rumores”

Investigações parlamentares, pela Constituição, devem se dar sobre fatos objetivos e jamais sobre “fofocas”

Pela primeira vez em sua história, a Assembleia Legislativa pode embarcar na aventura desgastante de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar “fofocas” e não fatos objetivos, como prescreve a regra constitucional para a instalação de CPIs.

Trata-se de um pedido do deputado Delegado Humberto Teófilo (PSL), aquele que se gabava no passado de “perseguir corruptos” e hoje se constrange com o fato de ter o próprio pai – o ex-vereador Amarildo Pereira – como foragido da Justiça, depois de condenado em instância final a 5 anos e 10 meses de prisão por desviar recursos do INSS na Câmara Municipal de Goiânia.

Humberto Teófilo propôs a criação de uma CPI para apurar supostas interferências em investigações policiais em Goiás. Como justificativa, anotou que ouviu boatos de que isso estaria acontecendo, mas não citou nenhum caso concreto. Conseguiu a assinatura de alguns colegas oposicionistas, dentre as quais políticos de primeira linha que surpreenderam ao endossar o pedido, como os deputados Henrique Arantes (MDB), Talles Barreto (PSDB) e Hélio de Sousa (PSDB).

Outra que assinou foi a deputada Delegada Adriana Accorsi (PT), também vista como uma parlamentar séria. Mesmo assim, ela admitiu que a CPI não tem propósito fático. Ao O Popular, Adriana Accorsi citou notícias não confirmadas sobre insatisfações de delegados que teriam motivado Humberto Teófilo a solicitar a comissão de inquérito. “Dr. Alexandre tem minha admiração e respeito; é honesto e intransigente com a corrupção. Mas acredito que existem muitos rumores sobre a saída do Dr. Odair, que estava desempenhando um trabalho excelente, e isso precisa ser esclarecido”.

Rumores, enfim, reconhece a própria deputada, que não se preocupou em emprestar sua sólida biografia para avalizar o desvario de Humberto Teófilo, que assumiu na Assembleia apoiando apaixonadamente o governador Ronaldo Caiado, nomeou parentes e apaniguados para o governo e depois, ao vê-los demitidos, resolveu passar para a turma do contra.

Mas a CPI sobre “fofocas” ou “rumores”, como definiu Adriana Accorsi, ainda não foi instalada. Depende da confirmação das assinaturas de todos os deputados que endossaram, por enquanto, o requerimento. Basta que um retire o apoio para que a petição vá para o arquivo. Que é o que todos, em Goiás, esperam que aconteça, para o bem da própria Assembleia e da sua imagem até agora positiva.

Depois de assumir como deputado apoiando Caiado, Humberto Teófilo teve interesses pessoais contrariados e mudou de posição

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