Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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Alta da gasolina é decisão da Petrobras para acompanhar evolução do dólar

Último reajuste do ICMS dos combustíveis ocorreu na gestão passada do governo de Goiás

O preço da gasolina teve alta nas bombas, após novo reajuste da Petrobras (Petróleo Brasileiro). O valor aumentou até R$ 0,30 nas revendas goianienses no final da semana passada. O maior custo passou de R$ 6,37 para R$ 6,67. Com esse cenário, Goiânia ultrapassou o Rio de Janeiro e tem o litro mais caro entre as capitais brasileiras, segundo o preço médio da gasolina comum verificado no levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no período de 8 a 14 de agosto. Em comparação com a semana anterior, quando ocupava a segunda posição no ranking, o valor praticado na capital goiana passou de R$ 6,33 para R$ 6,35.

Mas em alguns postos de combustíveis ainda é possível abastecer com litro da gasolina a R$ 5,17. “A Petrobras anunciou para as distribuidoras e agora elas já repassam o reajuste e tem a movimentação de alguns postos que reflete esses aumentos do atacado. Chega aos poucos, porque há decisão de cada empresário”, explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, sobre as diferenças nos valores.

Já na capital carioca houve um recuo no valor médio de R$ 6,40 para R$ 6,31, de acordo com a pesquisa da ANP. Essa diferença depende de diversos fatores regionais, de margens, e inclusive o custo do combustível é maior para as distribuidoras que atuam em Goiás do que para as que atuam no Rio de Janeiro, conforme mostram as tabelas, sem tributos, divulgadas pela Petrobras.

O consumidor final paga vários custos embutidos no cálculo. Porém, o movimento de alta ocorreu na semana em que a companhia anunciou o nono reajuste do ano nas cotações das refinarias. Como os combustíveis são commodities, os preços estão atrelados ao mercado internacional, que diariamente tem variação. No entanto, a correção nem sempre é feita na mesma velocidade. O ex-presidente da estatal Roberto Castello Branco, que realizou reajustes mais frequentes, foi demitido em fevereiro. A Petrobras justifica que o “alinhamento dos preços ao mercado internacional é fundamental” para garantir o abastecimento e diz evitar repasses imediatos da volatilidade externa.

Ao Diário de Aparecida, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, explicou que a causa da alteração do valor da gasolina é a cotação do barril do petróleo e a alta do dólar. “A política da Petrobras acompanha o mercado externo e nivela o preço do Brasil com o preço do mercado internacional.”

O presidente do Sindiposto complementa que o reajuste dos combustíveis é maléfico ao empresário, porque o giro econômico diminui. “O consumidor ou a opinião pública pensa que, se a gasolina aumentou, então o empresário está ganhando muito dinheiro. É ao contrário. Pra gente, quanto mais caro está o produto, menos vai girar. O consumidor vai tentar segurar um pouquinho. Ele vai economizar no uso do automóvel. Vai encaixar o combustível dentro do orçamento.”

Motorista por aplicativo que trabalha na Região Metropolitana de Goiânia, Gabriel Macedo reclama do constante reajuste do combustível e afirma que isso afeta o orçamento familiar, pois chega a comprometer até metade das despesas. Ele afirma que o etanol compensa mais que a gasolina. “Contribui muito no orçamento. Valores altos demais, abusivos. Imposto demais em cima do combustível. Sobe e desce. É todo ano. Não tem controle. Eu preciso fazer um replanejamento total, tenho que ver quanto que a gente ganha no aplicativo, porque ganhamos uma porcentagem. Fica até meio complicado fazer o reajuste”, frisou. (Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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