Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Aparecida bate a marca trágica das 1.000 mortes pela Covid-19

O dia mais triste da história do município chegou nesta sexta, 9 de março e assinalou número recorde de óbitos causados pela nova doença

Eduardo Marques

A Covid-19 tem criado datas trágicas no calendário do país. Há poucos dias, registrou-se a ultrapassagem das 300 mil mortes de brasileiras e brasileiros pela doença, quase recorde mundial. Goiás, também três semanas atrás, viu nas manchetes dos principais jornais a notícia macabra dos 10 mil óbitos provocados pelo coronavírus – que subiram e hoje estão chegando aos 13 mil.

Chegou agora, a vez de Aparecida. Ontem, sexta-feira, 9 de março, pode ser considerado como o mais triste dos dias na história do município: as estatísticas dos casos fatais evoluíram para a casa dos quatro rígidos, informando que 1.000 vidas já foram ceifadas pela Covid-19 na 2ª cidade mais populosa do Estado.

O clima emocional em Aparecida, hoje, é o pior possível, conforme os leitores puderam constatar em seguidas reportagens do Diário de Aparecida mostrando até mesmo que, nos bairros com maior incidência da pandemia, como o Buriti Sereno e a Cidade Vera Cruz, o ambiente é de pânico. 

Mesmo assim, a prefeitura estuda flexibilizar ainda mais as medidas de prevenção sanitária, reduzindo os já poucos dias de fechamento do comércio, indústria e serviços – e ampliando o polêmico modelo de escalonamento intermitente por regiões, adotado somente por Aparecida dentre todos os grandes municípios do Estado.

Diferente do escalonamento intermitente, que mantém 60% da cidade com as portas abertas diariamente, o decreto estadual que instituiu o esquema 14×14 ou 14 dias de fechamento seguidos por 14 dias de reabertura e assim sucessivamente até a redução do contágio é baseado na ciência e visa a descontinuar o ciclo da Covid-19, que dura, em média, duas semanas. É exatamente por isso que os setores mais ativos da economia e da sociedade precisam ser paralisados ou reduzidos significativamente durante, pelo menos, esse tempo, sem interrupções, reduzindo a propagação do vírus.

O prefeito Gustavo Mendanha não atendeu a essa orientação, que tem base científica, ao contrário do escalonamento intermitente, que não é avalizado por autoridades médicas e especialistas. Coincidência ou não, Aparecida transformou-se no município de porte que tem a maior taxa de incidência do coronavírus. Um exemplo: a família do prefeito foi toda contaminada, pai, mãe, tios, mulher, filhos e ele mesmo. O pai não resistiu e morreu, em uma micro expressão da dramaticidade que a doença assumiu no município.

O marco dos 1.000 óbitos pela Covid-19 em Aparecida, provavelmente, já foi batido antes da data em que o número se oficializou, devido às subnotificações e ao fato de que a prefeitura resiste em contabilizar os pacientes que falecem nos hospitais aparecidenses, mas não moram na cidade. Infelizmente, com a vacinação paralisada e os desencontros nas decisões das autoridades municipais quanto ao enfrentamento da pandemia, as perspectivas são as piores possíveis. 

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