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Aparecida de Goiânia: sobe para 16 o número de casos da variante Delta

Descoberta foi feita pelo Programa de Sequenciamento Genômico do município

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia confirmou que foram detectados na última segunda-feira, 16, mais 12 casos da variante Delta do novo Coronavírus em moradores da cidade, totalizando 16 casos verificados no município até o momento. O anúncio foi realizado no início da noite de quarta-feira, 18. Os infectados – dentre esses 12, são sete do gênero feminino e cinco do masculino – fizeram os exames RT-PCR de detecção da Covid-19 na primeira quinzena deste mês e têm idades que variam dos 6 aos 65 anos de idade. A descoberta foi feita pelo Programa de Sequenciamento Genômico do município. Atualmente, Aparecida tem no total 81.470 casos de Covid-19, sendo que 1.580 evoluíram para óbito.

Segundo a SMS do município, a equipe do programa está em contato com nove das 12 pessoas que tiveram a infecção detectada agora e constatou que, dessas, oito não precisaram de internação e uma está internada desde a última terça-feira, 17. Cinco delas têm comorbidades e cinco já foram vacinadas com a primeira dose, e, dessas, duas já receberam as duas doses, estando com a imunização completa.

“Em 6 de agosto tínhamos verificado três casos e dias depois um quarto, todos da mesma família, sendo que um deles precisou ser internado e veio a óbito. Agora identificamos mais 12 e nosso pessoal está fazendo a investigação completa da praxe, checando cobertura vacinal, estado de saúde, com quem tiveram contato e demais verificações. O crescimento da Delta é muito rápido, já representa 11% dessa última leva de sequenciamentos que fizemos e estamos atentos a isso”, explica o secretário de Saúde, Alessandro Magalhães.

Embora a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) não tenha admitido a predominância da transmissão comunitária da Delta no Estado, Magalhães reconhece que em Aparecida já é realidade e acrescenta, ainda, que já comunicou as novas detecções à SES-GO. “Estamos diante de uma variante muito contagiosa. A Fiocruz já apontou que a Delta estava presente, em junho, em 2,3% dos casos no Brasil, já em julho esse percentual subiu para 21,5%. É vital identificá-la o mais cedo possível para fazer o bloqueio e deter a disseminação do vírus. Até aqui percebemos que os sintomas da Delta se assemelham, muitas vezes, a resfriados, alergias ou crises de sinusite, e isso faz com que muitos subestimem o perigo”, afirma.

Alessandro salienta que enquanto o Sars-CoV-2 (novo Coronavírus) estiver circulando, infectando e reinfectando pessoas, ele sofre mutações: “Esse é um processo natural da replicação do vírus e algumas variantes têm um maior poder de adaptação, gerando novas linhagens mais infectantes, letais ou com escape imunológico. Daí a importância de se identificar e monitorar as variantes em circulação para entender melhor a dinâmica de evolução e dispersão do vírus.”

Mais uma vez, o secretário reforça, categoricamente, que as medidas preventivas contra a Covid-19 precisam ser mantidas pela população: “O uso correto de máscara, tapando o nariz e a boca, a ventilação dos ambientes, a higienização das mãos e o distanciamento social continuam indispensáveis, mesmo para quem já se vacinou. E, sobretudo, é preciso se vacinar. Quem já está na hora de receber a imunização deve fazê-lo o quanto antes e quem está no momento da segunda dose também. A vacinação, com qualquer um dos imunizantes disponíveis no Brasil, é fundamental e continua salvando vidas.”

 

 

Todas as vacinas, inclusive a CoronaVac, são eficientes

As vacinas disponíveis contra a Covid-19 possuem grande eficácia contra a variante Delta do coronavírus. A conclusão vem a partir de uma série de estudos realizados em diferentes países. Na última segunda-feira, 16, a agência governamental inglesa para a saúde pública (Public Health England) divulgou um levantamento com dados positivos acerca dos imunizantes disponíveis naquele país. Foram levados em conta dados de um cenário geral da população de vacinados, que representa mais de 65% com duas doses e 75% com uma.

Na Inglaterra, onde a variante Delta já é dominante, a população recebeu vacinas da AstraZeneca e da Pfizer, também aplicadas em larga escala no Brasil. A cepa viral, até 70% mais contagiosa, circula de forma ainda reduzida no Brasil, mas avança com velocidade. No estudo, a agência não discrimina as efetividades por vacina, mas, sim, resultados gerais. Na média, a efetividade dos imunizantes contra a variante Delta ficou em 35% para casos sintomáticos da doença com uma dose, e em 79% com duas.

Nota-se que a cepa reduz a eficácia global das vacinas, especialmente quando contamina organismos que tenham recebido apenas a primeira dose. Entretanto, seguem com alto grau de proteção. Contra a variante Alpha, menos agressiva, os indicadores são de 49% para as primeiras doses e 89% com o esquema vacinal completo.

Estudo feito por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da província de Cantão (Guangdong), na China, demonstra que a CoronaVac evita em 100% o desenvolvimento de casos graves de Covid-19 causados pela variante Delta do SARS-CoV-2 e tem eficácia de 69,5% contra pneumonias decorrentes da doença. As descobertas estão no artigo “Effectiveness of Inactivated COVID-19 Vaccines Against Covid-19 Pneumonia and Severe Illness Caused by the B.1.617.2 (Delta) Variant: Evidence from an Outbreak in Guangdong, China”, publicado em uma plataforma vinculada à revista The Lancet, uma das mais importantes publicações médicas do mundo.

Os pesquisadores concluíram que a imunização total com duas doses foi 69,5% eficaz para prevenir pneumonia, um dos desdobramentos mais graves da Covid-19. Entre os não vacinados, houve 85 casos (1,44%); entre os vacinados com uma dose, 12 casos (1,42%); e entre os vacinados com duas doses, cinco casos (0,35%). Além disso, não foram registrados casos críticos entre os vacinados, indicando que os imunizantes analisados têm 100% de eficácia contra o desenvolvimento de casos graves de Covid-19 causados pela variante Delta – entre os não vacinados, houve 19 casos graves ou críticos.

 

Flexibilizações

A explosão de casos da variante Delta em Aparecida é fruto da política de flexibilização do funcionamento do comércio e atividades não essenciais. Não bastasse, a prefeitura autorizou que bares e restaurantes podem ter até oito pessoas por mesa, respeitando o limite de 45% da capacidade do local. Anteriormente, a lotação desses estabelecimentos podia ser de até 40%, com seis assentos por mesa. As decisões foram aprovadas pelo Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Novo Coronavírus (COE) e a portaria foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do município na última terça-feira, 17.

De acordo com o documento, eventos sociais públicos e privados, como festas, casamentos e outros, ficam restritos a 40% da capacidade de público máxima do local, com limite a 150 pessoas, sendo uma pessoa a cada dez metros quadrados. Apresentações musicais ao vivo também estão permitidas em Aparecida, mas com limitação de quatro integrantes por banda e duração dos eventos até no máximo a 1h da madrugada. Nos shoppings do município, fica autorizado o funcionamento de estabelecimentos comerciais com limite de 40% da capacidade. O horário de funcionamento também foi estendido e poderá manter atividades no período entre 10h e 22h.

O modelo de escalonamento adotado pela prefeitura do município, além de não frear a pandemia no município, prejudicou a economia local, pois enquanto havia medidas de flexibilização em outras cidades do Estado, inclusive na circunvizinha Capital, em Aparecida o comércio e as atividades não essenciais ficaram presos. Dividido em fases, o modelo, suspenso desde o dia 12 de julho, permitiu o funcionamento do comércio em macrozonas e dias alternados. (Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

 

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