Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Aparecida está com 96,79% dos leitos de UTIs para tratamento da Covi-19 ocupados

Enquanto na rede pública do município a ocupação de UTIs para tratamento da Covid-19 atingiu 90%, a privada permanece nos 100%

Eduardo Marques

Começa hoje, 31, a reabertura do comércio em Goiás. Aparecida de Goiânia, que não adotou o modelo 14×14, seguirá com o escalonamento intermitente por macrorregiões. De acordo com dados do Painel Covid-19 da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), a taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) geral (incluindo rede privada e pública) voltados ao tratamento do coronavírus em Aparecida de Goiânia chegou a 96,79% na tarde desta terça-feira, 30. Enquanto na rede pública do município a ocupação atingiu 90%, a privada permanece nos 100%, segundo a prefeitura. Conforme a SES-GO, de 218 leitos totais de UTIs para Covid-19, apenas seis estão disponíveis nos hospitais da cidade. 

Já em Goiânia, que adotou o modelo estadual de fechamento do comércio, indústria e serviços por 14 dias e reabertura por outros 14, sucessivamente, a ocupação geral das UTIs voltadas ao tratamento da Covid-19 caiu da casa dos 97% e está agora em 88,67%. De acordo com a SES-GO, de 608 leitos 88 estão disponíveis para o tratamento da doença no município. 

De acordo com a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia, até as 17 horas da última segunda-feira, 29, o município possuía 1.030 casos ativos, que estão hospitalizados ou monitorados pela Telemedicina, oxímetros e exames. De 56.595 casos confirmados, 54.650 estão recuperados e 915 vieram a óbito pelo novo coronavírus.

Falta de leitos

Um professor de Geografia, de 28 anos, internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Parque Flamboyant, morreu vítima do novo coronavírus depois de esperar por três dias por uma vaga de UTI em Aparecida. Um outro caso também chamou a atenção da imprensa nacional. O motorista de aplicativo Marco Aurélio Andrade Mattos, de 62 anos, só conseguiu uma vaga de UTI no Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) após ficar cinco dias internado na mesma unidade de saúde em que o professor morreu.

Filha do paciente, a estudante de Zootecnia Millena Oliveira Andrade, de 24 anos, havia recorrido à Justiça para conseguir uma vaga para o pai. Mesmo com a decisão favorável, determinando a transferência em caráter urgente, Marco Aurélio continuou em espera, sob a alegação da direção da UPA de que não havia leitos de UTI disponíveis em Aparecida. 

A estudante recorreu à Defensoria Pública assim que o quadro de oxigenação do sangue do motorista de aplicativo se agravou. O primeiro pedido foi negado pela juíza Luciana Monteiro Amaral, plantonista na Comarca de Aparecida de Goiânia. Indignada, a família recorreu da decisão. Millena contou que uma advogada amiga decidiu ajudar, apresentando um recurso que foi aceito pelo Tribunal de Justiça. Mesmo assim, a vaga ainda demorou, sendo liberada somente após a divulgação do caso pela Revista Época, em mídia nacional.

Especialista condena modelo de escalonamento regional adotado no município

É cada vez maior o consenso científico de que não existe alternativa ao revezamento 14×14 proposto pelo Governo de Goiás. Nesta modalidade de restrição, ocorre a intercalação de um tempo suficiente para aquela pessoa que contraiu o vírus cumprir sua quarentena e ao mesmo tempo reduzir contágio, uma vez que em 14 dias, ocorre obrigatoriamente a diminuição de contatos sociais.

“A ideia de zoneamento é um pouco ingênua, mas atende aos comerciantes. Não leva em consideração que o vírus circula e as pessoas andam, pegam ônibus e visitam outros lugares”, diz em entrevista ao Diário da Manhã o biólogo Matheus Santos, especialista em Genética pela Universidade Federal de Goiás. 

O modelo de zoneamento adotado por Aparecida de Goiânia é tido como aglomerador, já que o público tem a opção de ir até onde as portas estão abertas – o que ajuda a piorar outro complicador, o transporte público. Não é por acaso que cenas de aglomerações da cidade têm sido mostradas pelo Diário de Aparecida, atestado visual da gravidade enfrentada pelo município. 

A médica infectologista do Hospital Órion e da Polícia Militar Juliana Barreto sugere a instituição de uma força-tarefa para orientar e implantar o modelo de fechamento das atividades econômicas não essenciais e não econômicas em todo o Estado, conforme o decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado.

“No momento em que estamos enfrentando uma situação de superlotação de todas as UTIs da nossa capital, que é o principal centro médico do Estado, e também das enfermarias, é muito importante que atividades não essenciais e não econômicas, mantenham-se fechadas para possibilitar o combate à Covid-19. Então, é necessária uma força tarefa para agir nesse sentido em todo o Estado, trabalhando em conjunto com os municípios”, diz a médica.  

Juliana Barreto adverte que não é o momento de relaxar nas medidas de contenção do vírus no Estado. “É um equívoco aglomerar pessoas para protestar contra o decreto, porque aí isso vai só aumentar mais ainda o tempo dele. Quanto mais as pessoas colaborarem, mesmo entendendo toda a dificuldade econômica que se tem no momento do nosso país, do nosso estado, mais rapidamente tudo poderá ser aberto com todas as condições de segurança. No momento, nós não temos mais leitos para nada. Não há mais condições para que novos pacientes sejam tratados nos hospitais, nem públicos e nem privados.” (E.M.)

Foto: Divulgação

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