Goiás

Após novo aumento, preços dos combustíveis começa a subir em postos de Aparecida

Revendedores temem que os novos preços provoquem uma queda ainda maior nas vendas, que estão baixas neste mês de janeiro

Eduardo Marques

Os motoristas aparecidenses já começaram a encontrar combustíveis mais caros nos postos de Aparecida de Goiânia por conta do novo reajuste anunciado pela Petrobras, que já está valendo nesta semana. O litro da gasolina comum foi encontrado de R$ 7,19 pelo Diário de Aparecida em alguns postos do município e o diesel a R$ 5,63. Os revendedores temem que os novos preços provoquem uma queda ainda maior nas vendas, que estão baixas neste mês de janeiro. Nas refinarias, o valor médio da gasolina vendida para as distribuidoras passa de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro, um reajuste de 4,85%. Já para o diesel, de R$3,34 para R$3,61 por litro, alta de 8,08%.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, lembra que os preços praticados nos próximos dias ainda dependerão do comportamento da concorrência e até das vendas. “Sempre quando há um reajuste, há uma retração natural das vendas nos primeiros dias. Mas este aumento chega num momento mais complicado, de vendas já em baixa e o consumidor com o orçamento já sobrecarregado”. Segundo ele, alguns postos demoram para repassar os aumentos por terem mais estoques antigos, enquanto outros precisam subir de imediato por trabalharem com margens mais apertadas.

Segundo a Petrobras, os ajustes são importantes para “garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”.

Em 2021, os preços de gasolina e diesel para o consumidor final nos postos subiram mais de 44%, gás de cozinha 33% e GNV, 36%, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP).  Isso ocorre porque nem sempre é repassado para a bomba o reajuste anunciado pela Petrobras às distribuidoras. O preço final tem ainda outros componentes como a margem de lucro dos postos e os impostos.

Em nota, a Petrobras reiterou seu “compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”.

Em nota, a companhia disse que os últimos aumentos ocorreram no dia 26 de outubro do ano passado. Em nota, a companhia frisou que “desde então os preços praticados pela Petrobras para a gasolina foram reduzidos em R$ 0,10 litro em 15 de dezembro de 2021, e permaneceram estáveis para o diesel”.

A companhia voltou a lembrar que o aumento para as distribuidoras representa apenas parte do preço final pago pelo consumidor na bomba. “Considerando a mistura obrigatória de 27% de etanol anidro e 73% de gasolina A para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 2,26, em média, para R$ 2,37 a cada litro vendido na bomba”, explicou a empresa.

No caso do diesel, considerando a mistura obrigatória de 10% de biodiesel e 90% de diesel para a composição do diesel comercializado nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 3,01, em média, para R$ 3,25 a cada litro vendido na bomba.

Reclamações

Ao DA, o auxiliar administrativo Bruno Costa, de 30 anos, afirma que tem sido cada vez mais difícil manter o carro abastecido, mesmo sendo um modelo considerado econômico. Ele é morador do Setor Santa Luzia, em Aparecida, e percorre, diariamente, cerca de 40km para ir e voltar do trabalho, em um shopping localizado na região Norte de Goiânia. “A gasolina em Aparecida de Goiânia está cara em praticamente todas as regiões. Eu abasteço muito aqui no setor, e o valor é o mesmo em todos, variam entre R$ 7,00 e R$ 7,20. Não há grande variedade de preços”, contou.

Bruno diz que gasta cerca de R$ 400 por mês com gasolina. Ele conta que tem a impressão de que os postos são rápidos para repassar altas de preços, mas demoram a reajustá-los quando há queda no valor praticado nas refinarias. “Meu trajeto é praticamente só linha reta, mas são trechos bem longos e com muito trânsito, o que gera um alto consumo. Um fator importante de se reparar é que quando há reajuste para aumento de preço nas refinarias, para o consumidor ele é quase que instantâneo, já quando diminui, percebo que leva até três dias para chegar às bombas”, lamentou.

Motorista por aplicativo que trabalha na Região Metropolitana de Goiânia, Gabriel Macedo, de 35 anos, reclama do constante reajuste do combustível e afirma que isso afeta o orçamento familiar, pois chega a comprometer em até metade das despesas. Ele afirma que o etanol compensa mais que a gasolina. “Contribui muito no orçamento. Valores altos demais, abusivos. Imposto demais em cima do combustível. Sobe e desce. É todo ano. Não tem controle. Eu preciso fazer um replanejamento total, tenho que ver quanto que a gente ganha no aplicativo, porque ganhamos uma porcentagem. Fica até meio complicado fazer o reajuste”, frisou.

Inflação fecha 2021 a 10,06%, acima do teto da meta e no maior nível em 6 anos

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, encerrou 2021 a 10,06%. O resultado fica acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 5,25%, e é o maior em seis anos.

Em dezembro, a taxa foi de 0,73%, uma desaceleração em relação à registrada em novembro (0,95%). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Em 2021, o alvo central da meta para a inflação era de 3,75%, com margem de tolerância que ia de 2,25% até um limite máximo de 5,25%. Analistas de mercado esperavam alta de 0,65% em dezembro, e de 9,97% no ano.

O grupo Transportes teve o maior peso no resultado do ano, de acordo com o instituto, com a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 p.p.) no período. Em seguida, vieram Habitação (13,05%), que contribuiu com 2,05 p.p., e Alimentação e bebidas (7,94%), com impacto de 1,68 p.p. Juntos, os três grupos responderam por cerca de 79% do IPCA de 2021, diz o IBGE.

Dentro de Transportes, o item que mais pesou foi o combustível. “Com os sucessivos reajustes nas bombas, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021. Já o etanol subiu 62,23%, influenciado também pela produção de açúcar”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov, em nota. “Houve uma retomada na demanda global que a oferta não conseguiu suprir, ocorrendo, por exemplo, atrasos nas entregas de peças e, as vezes do próprio automóvel”, diz Kislanov. (E.M.)

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