Quarta, 28 de Julho de 2021
28 de Julho de 2021
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Aspecto de cidade malcuidada entristece aparecidenses

Mau cheiro, mato alto e lixo abundante montam cenário propício para a transmissão de doenças e mostram a imagem de um município esquecido pelo poder público

A redação do Diário de Aparecida recebe todos os dias reclamações de matagal, acúmulo de entulhos, erosões e vasto lixo em vários bairros do município. O espaço não comporta as fotos enviadas por moradores, então, selecionamos imagens de oito bairros que mostram a desfiguração da paisagem e os perigos que os aparecidenses se veem obrigados a enfrentar, principalmente em períodos de chuva.

Queixas
Já perduram há quatro anos o medo e a insegurança dos moradores das imediações do lote baldio na Rua 40, qd 120 do Jardim Tiradentes. “Não é só o matagal que está cobrindo tudo. Cobras, aranhas, lacraias são expulsas de nossas casas quase todo dia. Eu não pago imposto pra viver isso. O que estamos pedindo não é difícil para o poder público. Já pensou se um de nós é picado por um dos bichos que capturamos com frequência no meu quintal?”, indagou uma vizinha do terreno que pediu para ter o nome preservado, que inclusive já teve bens roubados.
Na Rua Gervásio Pinheiro, na quadra 34 do Residencial Central Solar Park – ironicamente a mesma rua onde está localizada a Cidade Administrativa, prédio que hospeda a Prefeitura de Aparecida –, há um grande lote de esquina com mato alto que gera transtornos aos vizinhos. Há 21 anos no bairro, uma vizinha do referido lote, que pediu para não se identificar, pede à prefeitura que providencie a roçagem.
São muitos os buracos na Avenida Topázio, no Setor Pontal Sul, um dos bairros mais antigos de Aparecida. Moradores esperam asfalto há mais de 40 anos. “O bairro todo, do Sesi para cima, está assim”, foi o que disse Benedito Menezes, morador da região.
No Parque Ibirapuera, é vasto o número de lotes baldios, que servem de verdadeiros lixões a céu aberto em áreas públicas e particulares, onde há animais mortos e carcaças antigas de bichos. “Nos dias de chuva, a situação piora. Tem ruas que não dá para ninguém andar”, conta Alberto Gonçalves, 64 anos, que mora há 27 anos do local.
A população do Jardim Buriti Sereno afirmou que a última roçagem foi realizada no mês de novembro do ano passado. “Não aguentamos mais o descaso e a demora da roçagem”, pontuou um morador sem se identificar.
O descarte de lixo na Rua Berlim, qd. 20, no Setor Colonial Sul, é um exemplo da sujeira encontrada em vários lotes do bairro. A população clama pelos serviços de coleta de entulhos no lote e roçagem em todo o bairro, que está tomado pelo mato.
Na Viela 119 do Sítio Santa Luzia, uma moradora registrou que a rua é sem saída e esquecida pela coleta de lixo e roçagem. Segundo ela, ondas de assalto, estupro e outras maldades acontecem no local. Em nome dos moradores da viela, ela implora à prefeitura que tome providências e limpe o local e colha o lixo doméstico.
Áreas de risco no Setor Tocantins e Parque São Jorge deixam moradores em estado de alerta nos dias de chuva pela ameaça de desabamento das casas mais próximas da cratera à beira do Córrego Santa Rita. O problema é antigo. De acordo com os moradores, as autoridades só prometem na época das eleições, mas nunca resolveram os problemas da região.

Secretaria não possui estrutura para realizar a limpeza dos 90 mil lotes baldios

O Diário de Aparecida levou os problemas de limpeza urbana ao secretário municipal de Desenvolvimento Urbano (SDU), Max Menezes. Ele informou que em Aparecida há mais de 90 mil terrenos vagos e que a pasta gasta, em média, R$ 8 milhões com a limpeza da cidade e R$ 2 milhões e meio com a roçagem dos lotes baldios, que são de responsabilidade do município. “A remoção do mato desses lotes não é de ordem do município. Nós não temos estrutura para fazer a limpeza dos 90 mil lotes de propriedade de terceiros. Por isso, defendo o aumento da cobrança do ITU [Imposto Territorial Urbano], por ser de responsabilidade dos donos o cuidado com o lote”, salientou.

Roçagem
Max Menezes disse que a pasta está operando nos quatro cantos de Aparecida, mas que não consegue acompanhar a velocidade do crescimento do mato e que o período chuvoso é o mais desafiador do ano. Na justificativa para os registros dos matagais na cidade, Max falou que a roçagem é feita durante os 12 meses do ano sem interrupção. “As equipes e os equipamentos que a SDU possui não são suficientes para atender à demanda. O serviço é intermitente, ele não paralisa. Ao passar o período de chuva, provável no final de abril, colocaremos a roçagem em dia. Regiões como o Buriti Sereno já estão recebendo a roçagem desde a última semana. No ano passado, no final de novembro, início de dezembro, já havia sido roçado todo o bairro”, disse, respondendo à reclamação de um morador. (A.P.A.)

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