Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Bolsonarismo rejeita Mendanha na disputa pelo governo estadual

Deputado federal Major Vitor Hugo, ligado umbilicalmente ao presidente, tem feito críticas pesadas ao prefeito de Aparecida. O deputado federal Delegado Waldir, que se afastou de Bolsonaro, mas continua identificado com a sua ideologia, também já declarou, inclusive ao Diário de Aparecida, que Mendanha “deveria pensar melhor” antes de arriscar a sorte e largar o mandato de prefeito para disputar o governo

As correntes políticas ligadas ideologicamente ao presidente Jair Bolsonaro em Goiás rejeitam o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, como candidato a governador do grupo – e não são poucos os motivos.
Essa posição tem sido externada com frequência pelo deputado federal Major Vitor Hugo, ligado umbilicalmente ao presidente, que tem feito críticas pesadas a Mendanha. “Já disse que ele não tem ‘caracterização ideológica’ e que é um político sem convicções”, o que se situa na linha contrária ao radicalismo de direita, que é a essência do bolsonarismo.
Acontece que, na cabeça de Mendanha, as coisas caminham de modo diferente. Se quiser se lançar à aventura de disputar o governo, ele é obrigado a recorrer aos poucos partidos de oposição que estão dispostos a enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado. De um lado, os de esquerda, liderados pelo PT e PSB. De outro, aqueles que se situam no espectro centro-liberal ou de direita mesmo, como o PSDB, no primeiro caso, e o Patriota, PL, o Podemos ou, até em última hipótese, o PP.
Quem conversa com o prefeito de Aparecida sabe que ele, não sendo um político de ideias, raciocina com base no pragmatismo que já o levou a rejeitar as opções de esquerda, temeroso de ser forçado a se alinhar com a candidatura do ex-presidente Lula – teoricamente sem muito espaço em um Estado conservador e de forte base econômica no agronegócio.
Além disso, Mendanha é evangélico, segmento no qual acredita-se que o bolsonarismo tem uma âncora. Daí, ele está certo de que, se sair do MDB para tentar um voo solo, terá que se identificar com os conceitos extremistas do presidente e com o conservadorismo religioso do qual é militante.
Essa seria a estratégia dele, mas não a dos bolsonaristas em Goiás. Tanto que o Major Vitor Hugo, líder maior do grupo, já avisou que Mendanha não serve para representar a corrente no Estado, por falta de “perfil”. Da mesma forma, o deputado federal Delegado Waldir, que se afastou de Bolsonaro, mas continua identificado com a sua ideologia, também já declarou, inclusive ao Diário de Aparecida, que Mendanha “deveria pensar melhor” antes de se arriscar à sorte e largar o mandato de prefeito para disputar o governo.
Outro bolsonarista de raiz, o agitador Gustavo Gayer, já esteve mais próximo de Mendanha, protagonizando lives com ele nas redes sociais e troca de amabilidades. Hoje, também se afastou, a exemplo de Major Araújo e Delegado Waldir. O campo da extrema-direita, nas eleições de 2022, será dominado por eles, que não querem a companhia de um oportunista usando o grupo para alcançar seus objetivos políticos próprios.
Mendanha, visto com pouca simpatia pela esquerda e recusando-se a apoiar Lula, almeja navegar na faixa hoje ocupada pelo bolsonarismo, que, no entanto, não quer servir de massa de manobra para o seu projeto. Só resta mesmo para o prefeito de Aparecida, se tiver peito para sair do MDB, o PSDB de Marconi Perillo, o PL de Magda Mofatto e, quem sabe, o PP de Alexandre Baldy.

 

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