Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Brasil chega a 40% da população completamente imunizada, diz Ministério da Saúde

São 64 milhões de pessoas com mais de 18 anos vacinadas. No caso da aplicação da primeira dose, 132 milhões já estão nos braços dos brasileiros

Um balanço divulgado na sexta-feira, 3, pelo Ministério da Saúde aponta que 40% da população brasileira – 64 milhões de pessoas – com mais de 18 anos já completaram o esquema de vacinação contra a Covid-19. No caso da aplicação da primeira dose, 132 milhões já estão nos braços dos brasileiros. O número representa 83,4% do público-alvo de 160 milhões de adultos no País.
Na avaliação do Ministério da Saúde, o avanço da vacinação traz resultados positivos. Um dos principais é a queda na taxa de ocupação dos leitos de Covid-19, de enfermaria e UTI, que já está abaixo de 50% e dentro dos padrões de normalidade em 19 Estados do País. As médias móveis de casos e óbitos também estão em queda e registraram, nos últimos dois meses, redução de 61% e 60%, respectivamente.

 

Reflexos
“Vamos continuar avançando e contando com o apoio de todos. Quando assumi o Ministério da Saúde, o objetivo era vacinar 1 milhão de pessoas por dia, número que estamos atingindo com normalidade. Se continuarmos nesse ritmo será possível vacinar todo público-alvo do País com as duas doses até o mês de outubro”, destacou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Desde o início da campanha, já foram distribuídas mais de 233,7 milhões de doses das vacinas contra Covid-19 pelo Programa Nacional de Imunização. No mês de agosto, houve recorde na distribuição de doses de imunizantes. Foram mais de 60,8 milhões para todos os Estados e o Distrito Federal.

 

Especialistas defendem redução do intervalo entre as doses e reforço da vacina para conter a variante Delta

Na última quarta-feira, 1º, foi realizado mais um Anahp ao vivo – webinar da Associação Nacional de Hospitais Privados –, que reuniu especialistas para debaterem sobre o tema “Covid-19: variante Delta e o que os dados nos dizem sobre a pandemia”. O evento contou com a presença de André Medici, economista da Saúde; Rosana Richtman, infectologista do Emílio Ribas e Maternidade Santa Joana; João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do governo do Estado de São Paulo; e Ary Ribeiro, CEO do Hospital Infantil Sabará, responsável pela moderação.
Para antecipar informações sobre o comportamento da variante Delta, Médici foi responsável por apresentar o panorama atual dos Estados Unidos, onde há crescimento significativo de novos casos da cepa. Com uma perspectiva otimista, Gabbardo prevê que o comportamende toda população brasileira em comparação à de outros países perante a variante Delta vai trazer benefícios para o enfrentamento. “Em São Paulo, não houve indicativo de que a variante esteja mudando o perfil da pandemia. Continuamos com queda de casos e de internação hospitalar. Isso pode ser atribuído à continuidade das medidas de distanciamento e, principalmente, obrigatoriedade do uso de máscara, que nos EUA e em outros países foi liberado muito rapidamente”, explica o gestor de saúde pública. No entanto, ele alerta que ainda não é possível saber se esse cenário irá se manter.
Os especialistas defendem a necessidade urgente de reduzir o intervalo das doses e até mesmo de realizar o reforço do imunizante, para proteger a população da variante Delta. “Estudos comprovam que, em pessoas dos grupos mais vulneráveis que tomaram a vacina com vírus inativado, a proteção diminui muito depois de seis meses”, alertou a infectologista Rosana.
Pelo fato de as vacinas baseadas em vírus inativados ou RNA mensageiros se comportarem de maneira diferente, os participantes discutiram as opções de estratégias para o enfrentamento da nova cepa, levando em conta estudos já publicados sobre as experiências de imunização. Gabbardo afirmou que o governo de São Paulo deve anunciar em breve a antecipação de 12 para oito semanas de intervalo entre a primeira e a segunda dose para toda a população imunizada com vacinas da Pfizer e da AstraZeneca.
Medici, Richtman e Gabbardo preveem que o Brasil ainda terá um longo período de convivência com o vírus da Covid-19 e possíveis novas variantes, que devem receber atenção. Como exemplo, é citada a nova variante surgida na África do Sul, que já causa grande preocupação, uma vez que apenas uma pequena parcela da população do País recebeu a primeira dose da vacina. “Não há dúvidas de que isso vai se tornar uma transmissão endêmica. A Covid-19 não vai se resolver. Nós iremos controlar e conviver com o vírus, graças ao fantástico progresso que estamos vendo em vacinas e novas drogas”, conclui a infectologista Rosana Richtmann.

Sinais de retomada das eletivas
Diante do cenário de pandemia, as atualizações dos principais indicadores hospitalares é uma forma de acompanhar os impactos ocasionados pela Covid-19 no setor. Por isso, no Anahp ao vivo de ontem, foram compartilhados dados da 7ª edição da Nota Técnica do Observatório Anahp, material que compila informações do mercado hospitalar brasileiro, do cenário da saúde e econômico.
O documento apresentado por Ary Ribeiro aponta que as taxas de ocupação das UTIs dos hospitais associados à Anahp ficaram estáveis no mês de agosto. Medici destacou que os indicadores mostram sinais de retomada das cirurgias eletivas. “Isso pode ser confirmado pelo aumento de 10 p.p. em um ano nos procedimentos que estavam represados em fases anteriores da pandemia”, concluiu. (Por Karine Melo / Repórter da Agência Brasil)

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