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Cerca de quatro empresas fecharam as portas em Aparecida a cada dia útil nos três primeiros meses de 2021

Em 2021, 3,56 empresas fecharam as portas a cada dia útil em Aparecida de Goiânia. Nos três primeiros meses deste ano, foram 214 empresas do município desligadas da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg). Desde março do último ano, 799 empreendimentos fecharam as portas na cidade. Empresários relatam dificuldades e falta de apoio do governo municipal.
O presidente da Associação Goiana de Micro e Pequenas Empresas (AGPE) de Aparecida de Goiânia, Lívio Queiroz, afirmou ao Mais Goiás que os números revelam apenas a ponta do iceberg. “A partir de agora, vamos ver o número real do prejuízo de empresas que não vão conseguir segurar o arrocho”, diz o representante da entidade. Lívio ainda defende que toda ajuda ao empresariado divulgada pelos governos não é suficiente para frear o fechamento de empresas.
Ao Mais Goiás, o presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar Pereira, revelou que, nos primeiros 37 dias do programa, houve 8.489 solicitações de empréstimo a juro zero pelo Programa Estadual de Apoio ao Empreendedor (Peame). Dessas, apenas 1.100 tiveram crédito liberado. O presidente ressalta que esse número de aprovação representa 70% da quantidade de empresas que tiveram crédito aprovado em 2020.
O programa liberou R$ 112 milhões para empréstimos a juro zero para micro e pequenos empresários, desde que não demitam funcionários. As linhas de crédito serão operacionalizadas pela GoiásFomento, com opções de R$ 5 mil e até R$ 50 mil, com carência de seis meses e até 36 meses para pagamento.
Ao Opção, Pereira disse que 8.531 microempresários realizaram o pré-cadastro na agência para acesso ao crédito. Após a checagem dos documentos, 1.822 se enquadraram nas exigências do programa e tiveram o registro enviado para análise. “Temos ainda disponível para empréstimo em torno de R$ 70 milhões. Ainda estamos recebendo as propostas e só iremos encerrar o programa quando acabarem os recursos, com 100% dos juros subsidiados pelo Estado, com a contrapartida de as empresas manterem os empregos durante os seis meses da carência. As empresas que já estão amortizando os empréstimos também poderão contar com o benefício”, explicou.

De empresário a
instalador de internet
Walison Santos era proprietário de uma ferragista no Setor Santa Luzia há 20 anos. O microempresário teve que fechar as portas do seu negócio devido às restrições da pandemia e agora trabalha como instalador de internet em uma empresa terceirizada de telefonia. “O abre e fecha do comércio fez com que a clientela sumisse de vez e as contas não fechavam. Tive que fechar”, relatou ao Diário de Aparecida. O ex-empresário conta ainda que teve de vender o negócio para conseguir pagar os credores.
“Em agosto do ano passado, tive que fechar a ferragista. Como havia muitas dívidas, fui obrigado a vender as peças abaixo do preço para conseguir pagar todos os credores. Sou certo e não quis dar o calote em ninguém.” Walison reclama quanto à falta de apoio por parte da Prefeitura de Aparecida no sentido de contribuir com a classe empresarial e a burocracia para conseguir linha de crédito.
“A prefeitura demorou demais a oferecer uma linha de crédito para mim. E como eu estava devendo, não dava mais tempo para esperar. Como não tinha outra solução, acabei vendendo a minha ferragista, que estava há 20 anos aberta no Setor Santa Luzia”, lamentou ao DA.

Falta de apoio
Conforme noticiado pelo DA, a Prefeitura de Aparecida não ofereceu incentivo fiscal aos empresários. “Isso nos indigna. Juntamente com outras entidades, pedimos a você, comerciante, que reúna seus tributos para, juntos, pressionarmos o poder público municipal, porque isso é injusto. Todos estão com os direitos vedados de exercer seu comércio e tendo que lidar com prejuízo gigante, e até agora nada foi representado. Isso nos revolta”, enfatizou o representante dos comerciantes e empresários da região leste do município, Maione Padeiro.
Ele declarou que o prefeito Gustavo Mendanha e o secretário municipal da Fazenda, André Rosa, foram procurados pelas entidades comerciais e industriais para apresentar a proposta de um auxílio financeiro aos comerciantes que se encontram em extrema dificuldade. “O auxílio reivindicado será direcionado aos comerciantes prejudicados com a obrigatoriedade de paralisação das suas atividades. Compreendemos as decisões do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus e do Executivo, mas há a necessidade de um aporte financeiro para pagar despesas como água, energia elétrica e aluguel, e, ainda, precisa-se de incentivos com os tributos. Pedimos a suspensão e prorrogação do pagamento até o fim da pandemia dos impostos ISS [Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza], IPTU [Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana], ITU [Imposto Territorial Urbano], taxas de meio ambiente, licenciamento sem multas e juros”, detalhou Padeiro.
Em junho de 2020, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia sancionou uma lei que permitiu oferecer linhas de crédito emergenciais, com juros subsidiados pelo município, às microempresas, empresas de pequeno porte e profissionais liberais. O DA tentou contato com a Secretaria da Fazenda do município para questionar sobre o acesso às linhas de crédito, mas não obteve resposta até o fechamento destaa matéria.

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