Terça, 20 de Abril de 2021
20 de Abril de 2021
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Chapa fraca deve impedir quociente eleitoral e derrotar Marconi em 2022

Com o fim das coligações, partidos precisarão de 300 mil votos para cada vaga de deputado federal, número difícil de alcançar sem candidatos fortes

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) já anunciou: pretende ressurgir das cinzas candidatando-se a deputado federal em 2022, na tentativa de voltar a influir no cenário político estadual. Depois de 20 anos mandando em Goiás, Marconi foi massacrado nas urnas em 2018 ao ficar em 5º lugar para o Senado e ao ver o candidato que lançou ao governo do Estado, José Eliton, também derrotado, em 3º lugar.

Mas não vai ser fácil para o chefe dos tucanos de Goiás. A partir da eleição de 2022, não será permitida mais a formação de coligações para as chapas proporcionais. Cada partido terá que se virar e conseguir por conta própria alcançar o quociente eleitoral para viabilizar seus candidatos. Ou seja: não bastará ser bem votado, será preciso que a sigla consiga chegar a múltiplos de 300 mil votos, mais ou menos a legenda prevista hoje para fazer um deputado federal.

O quociente eleitoral é calculado da seguinte forma: soma-se o número de votos válidos dados na eleição para o mandato em questão, no caso, para deputado federal, e aí faz-se a divisão pelo número de vagas. O resultado é a legenda necessária para aquele determinado cargo. A cada vez que o partido obtiver o número de votos do quociente, dá-se a ele o direito a uma cadeira. Mas se não obtiver a soma de votos do quociente, não terá direito a nenhuma vaga para, mesmo que um dos seus candidatos seja o mais votado da eleição

Concorrendo pelo PSDB, um partido em franca decadência em Goiás, Marconi terá dificuldades para garantir a sua vaga, já que não há previsão de que outros candidatos de expressão comporão a sua chapa. O único deputado federal tucano por Goiás, hoje, é Célio Silveira, que tem base no Entorno de Brasília, e está pronto para mudar de prefixo, estando prevista a sua filiação ao DEM para disputar a reeleição. Não há mais ninguém para perfilar ao lado do ex-governador e ajudar a alcançar o quociente eleitoral. Isso significa que, mesmo bem votado, Marconi não se elegeria para a Câmara dos Deputados.

Entre os cinco deputados estaduais que o PSDB tem hoje, nenhum tem interesse em se arriscar para deputado federal. Nomes que disputaram a eleição passada e perderam, como o pastor Fábio Souza, o ex-deputado estadual Jean Carlo ou Giuseppe Vecci, que já foi deputado federal, devem tomar outro rumo. Fábio Souza e Jean Carlo devem se candidatar pelo DEM (este último já se filiou ao partido). Vecci abandonou a política.

Marconi estará isolado em 2022, encabeçando uma chapa vazia. Para senador, em 2018, ele teve apenas 500 mil votos. A eleição era majoritária, portanto, com muito mais espaço disponível para ele. Para deputado federal, um pleito em que dezenas de postulantes se habilitam, é difícil crer que ele chegaria aos 300 mil votos, levando o PSDB a atingir o quociente eleitoral para assegurar pelo menos uma vaga. Com os desgastes que enfrentou e com uma campanha bem feita, provavelmente não passaria dos 100 mil votos, isso se conseguir esse montante. Onde mais buscaria o restante?

Ficha suja também é problema para o tucano

O ex-governador Marconi Perillo corre risco elevado de se tornar inelegível para as eleições de 2022, com base na Lei da Ficha Limpa, que proíbe o registro de candidatos condenados em 2ª instância. Há pouco tempo, o ex-governador recebeu uma sentença de 1º Grau na Justiça Eleitoral, por crimes cometidos na eleição de 2006, quando conquistou o mandato de senador. Se o Tribunal Regional Eleitoral confirmar a condenação, Marconi não pode ser candidato a nada por 8 anos.

Para piorar, Marconi é réu hoje em 42 processos, entre criminais e cíveis, que estão em graus diversos de andamento no Poder Judiciário, alguns bem próximos da decisão do juiz de 1º Grau. Isso acontecendo, é claro que ele recorrerá ao Tribunal de Justiça, onde, se não tiver sucesso, ficará com a ficha suja e impossibilitado de registrar qualquer candidatura. O risco é grande.

A maioria dos processos a que Marconi responde é por improbidade administrativa por atos cometidos como governador de Goiás. Há alguns, muito mais graves, na esfera penal, pelo recebimento de propinas pagas pela Construtora Odebrecht, formação de quadrilha e corrupção, por denúncia do Ministério Público Federal. Há profusão de provas em todos eles, desde grampo até delações premiadas de executivos detalhando como pagavam suborno ao então governador goiano.

Da Redação

Foto: Arquivo / Divulgação

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