Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Combate à Covid-19 e demissões de emedebistas esvaziam parcerias

Prefeitos, que divergem nas medidas contra a pandemia, ainda sofrem o impacto do ambiente político negativo criado pelas demissões de emedebistas na prefeitura da capital

Helton Lenine

Em razão da divergência política com o MDB e das divergências nas estratégias de combate ao novo coronavírus, a intenção dos prefeitos Rogério Cruz e Gustavo Mendanha de implementar ações e programas, através de parcerias administrativas para beneficiar a população de Goiânia e Aparecida, foi para o espaço e dificilmente vai sair do papel.

Com a demissão de secretários indicados pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela e supostamente avalizadas pelo seu pai Maguito Vilela, na época internado em São Paulo em estado grave para tratar da infecção pela Covid-19 que finalmente o matou, Rogério Cruz criou um ambiente de crise entre o Paço Municipal e o MDB, partido de Mendanha, cujos desdobramentos e novas exonerações estão longe de cessar. Para complicar, as relações entre os dois chefes do Executivo da capital e do município vizinho foram abaladas quando cada um seguiu um rumo diferente na questão do fechamento das atividades econômicas não essenciais, para tentar reduzir a aceleração da pandemia na região metropolitana.

Desde a posse de Rogério Cruz o prefeito Gustavo Mendanha estava distante do seu colega goianiense, tanto é que nunca o visitou no Paço Municipal. Cruz foi obrigado a se deslocar, no último dia 12 de fevereiro, até Aparecida, para propor “parcerias” entre as duas administrações.

Dentro desse clima negativo não devem evoluir as propostas anunciadas pelos dois para que as gestões “caminhem juntas” no sentido de promover soluções para os desafios de ambas as cidades e, no conjunto, da região metropolitana – em áreas comuns como a saúde e o desenvolvimento urbano, incluindo a melhoria da malha viária em avenidas que marcam a divisa dos dois municípios. 

Gustavo Mendanha, no encontro com Rogério Cruz, chegou a falar na construção de um elevado na Avenida Bela Vista com a BR-153, para desafogar o trânsito naquela região fronteiriça com a capital. “Essa é uma das obras projetadas para o centenário de Aparecida, em 2022”, prometeu Mendanha diante de Rogério Cruz.

Mendanha e Iris, em 4 anos, nunca fizeram uma ação comum

No seu primeiro mandato, Gustavo Mendanha também se reuniu com o prefeito Iris Rezende para defender “parcerias administrativas” com o objetivo de beneficiar a população de Goiânia e Aparecida, mas, efetivamente, nenhuma ação foi efetivada nos 4 anos de mandato dos 2 prefeitos.

Nem mesmo o conhecido “mutirão de Iris”, que Mendanha anunciou várias vezes que importaria, chegou a ser levado para os bairros limítrofes da capital com Aparecida, que, segundo os 2 prefeitos, seriam os primeiros beneficiados.

Tudo, efetivamente, ficou no discurso, na promessa, no marketing eleitoral, e nos factoides criados para promover o prefeito aparecidense, quando se sabe que os bairros vizinhos das duas cidades estão carentes de obras, principalmente em pavimentação asfáltica, iluminação pública, mobilidade urbana, reformas de escolas e unidades de saúde.

Mendanha e Iris nunca, embora com os mandatos correndo paralelamente, nunca fizeram nenhuma parceria administrativa. Cada qual governou a sua cidade de costas para o vizinho. A história parece que, agora entre Rogério Cruz e o prefeito de Aparecida, vai se repetir. (HL)

Gustavo Mendanha e Iris Rezende: muitos sorrisos, mas nenhuma parceria entre Aparecida e Goiânia

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