Sábado, 08 de Maio de 2021
08 de Maio de 2021
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CPI poderia investigar o próprio autor, Humberto Teófilo. Suspeitas não faltam

Deputado, quando era delegado de polícia em Inhumas, acumulou evidências de ação eleitoreira para se eleger para a Assembleia

A proposta do deputado estadual Humberto Teófilo para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, no âmbito da Assembleia Legislativa, para investigar “rumores”, como definiu a deputada petista Adriana Accorsi, de interferências no trabalho da Polícia Civil em Goiás, pode se voltar contra o autor do pedido, o próprio Humberto Teófilo.

É que, sem um foco objetivo definido, a não ser mirar em fofocas e especulações, a CPI pode ser conduzida para investigar a atuação do próprio deputado durante o período em que foi delegado de polícia em Inhumas e, a partir de atitudes polêmicas, conseguiu se alavancar como candidato a deputado estadual e ganhar a vaga.

Humberto Teófilo se elegeu graças a 10 mil votos que conquistou em Inhumas, depois de uma atuação em que perseguiu vereadores locais e se apresentou para a população inhumense com base no mote “Flagrantes neles”. Hoje, dificilmente ele repetiria essa votação, uma vez que as suas ações passaram por intenso questionamento e, em alguns, podem ser consideradas como teatro montado para fazer marketing para a sua candidatura.

Em especial, ele usou dois vereadores, com os nomes folclóricos um de Tumate e o outro de Cebola, para turbinar a sua candidatura. Contra os dois, foram montadas acusações que levaram Cebola à cassação do seu mandato e Tumate à execração pública, segundo o advogado Júlio Meirelles, que fez a defesa de ambos. Mesmo assim, Tumate reelegeu-se para mais um mandato na eleição do ano passado. Já Cebola largou a política e se mudou para Caldas Novas, traumatizado pela que chama de “perseguição” de que foi alvo.

Um terceiro vereador, Alessandro Valim, parente do ex-deputado Welligton Valim, também foi alvo de Humberto Teófilo, que, na campanha passada, divulgou vídeos pedindo que os eleitores da cidade não votassem nele – usando, nessas veiculações, a sua condição de delegado de polícia para assegurar que se tratava de candidato inidôneo, apesar da falta de provas.

Há muito mais, resultado da passagem controversa de Humberto Teófilo pela delegacia de polícia de Inhumas. Um desafeto que ele fez na cidade é o deputado estadual Lucas Calil, do PSD, que deve ser um dos escalados para a CPI dos rumores e especulações sobre interferência na polícia e terá todas as condições para propor investigações sobre as ações do deputado-delegado em Inhumas. No final das contas, o feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

Da Redação

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