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Crescente de casos da variante Gamma da Covid-19 em Aparecida preocupa autoridades

Do início de julho deste ano para cá, duas variantes internacionais da Covid-19 circulam em Aparecida de Goiânia: Delta e Gamma. Das amostras sequenciadas neste período, 92% são linhagens da primeira mencionada e 8% da segunda. Dos 26 pacientes identificados com esta última variante – todos foram sintomáticos –, três precisaram de internação e um foi a óbito. Por meio do Programa Municipal de Vigilância Genômica, Aparecida comprovou ainda 15 casos de reinfecção. Desses, nenhum paciente precisou de internação ou faleceu. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), assim, o município totaliza 1.482 sequenciamentos realizados. O trabalho é responsável por identificar como está a circulação das variantes do novo coronavírus no território municipal.
A SMS identificou, também, que uma linhagem da variante Gamma tem crescido no município: a P.1.7, que já alcança a média de 48% de prevalência nas últimas sete semanas, correspondendo a 60% das amostras analisadas entre os dias 15 e 21 de agosto. A pasta está monitorando a situação. “Essa nova linhagem da Gamma tem se mostrado com uma importante capacidade de disseminação em nosso município. Ainda não é possível dizer se ela é mais letal e se causa mais internações, mas estamos acompanhando sua evolução com preocupação”, afirma o secretário de Saúde de Aparecida, Alessandro Magalhães.
Em relação à Delta, embora a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) não tenha admitido a predominância da transmissão comunitária dela no Estado, Magalhães reconhece que em Aparecida já é realidade e acrescenta que já comunicou as novas detecções à SES-GO. “Estamos diante de uma variante muito contagiosa. A Fiocruz já apontou que a Delta estava presente, em junho, em 2,3% dos casos no Brasil; já em julho esse percentual subiu para 21,5%. É vital identificá-la o mais cedo possível para fazer o bloqueio e deter a disseminação do vírus. Até aqui percebemos que os sintomas da Delta se assemelham, muitas vezes, a resfriados, alergias ou crises de sinusite, e isso faz com que muitos subestimem o perigo”, afirma.
Alessandro Magalhães salienta que enquanto o Sars-CoV-2 estiver circulando, infectando e reinfectando pessoas, ele sofre mutações: “Esse é um processo natural da replicação do vírus e algumas variantes têm um maior poder de adaptação, gerando novas linhagens mais infectantes, letais ou com escape imunológico. Daí a importância de se identificar e monitorar as variantes em circulação para entender melhor a dinâmica de evolução e dispersão do vírus.”
Mais uma vez, o secretário reforçou, categoricamente, que as medidas preventivas contra a Covid-19 precisam ser mantidas pela população: “O uso correto de máscara, tapando o nariz e a boca, a ventilação dos ambientes, a higienização das mãos e o distanciamento social continuam indispensáveis, mesmo para quem já se vacinou. E, sobretudo, é preciso se vacinar. Quem já está na hora de receber a imunização deve fazê-lo o quanto antes e quem está no momento da segunda dose também. A vacinação, com qualquer um dos imunizantes disponíveis no Brasil, é fundamental e continua salvando vidas.”
O médico e diretor do laboratório que realiza os sequenciamentos de Aparecida, Fernando Vinhal, acredita que nas próximas semanas será possível acompanhar uma verdadeira disputa entre as variantes Delta e Gamma P.1.7. A diretora de Avaliação de Políticas de Saúde de Aparecida, Érika Lopes, explica que os materiais que passam pelo sequenciamento precisam ter uma carga viral mínima e são selecionados conforme os seguintes critérios: pacientes com suspeita de reinfecção, pacientes de baixo risco que precisaram de internação e pacientes aleatórios, agrupados por semana epidemiológica.
“Enquanto o novo coronavírus estiver circulando, infectando e reinfectando pessoas, ele sofre mutações. Como algumas variantes têm um maior poder de adaptação, gerando novas linhagens mais infectantes, letais ou com escape imunológico, é muito importante identificar e monitorar a circulação do vírus. Assim, teremos condições de entender o seu comportamento e traçar ações de combate”, explicou Érika Lopes.
Os avanços conquistados até agora pela vacinação contra a Covid no Brasil estão ameaçados pelo avanço de novas cepas do novo coronavírus no País, em especial a variante Delta. Esse é o alerta que vem sendo diariamente renovado por epidemiologistas, que reforçam a necessidade de manter ao máximo as medidas individuais de proteção. Além disso, para reduzir os danos que a mutação pode causar, o Brasil deve começar a pensar em uma terceira dose de vacina, ao menos para os grupos considerados de risco.

Especialistas sugerem aplicação da dose de reforço para contribuir no combate à doença

Identificada pela primeira vez na Índia, a variante Delta é até 70% mais contagiosa do que a cepa ainda dominante no Brasil, a Gamma, ou P1. Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a Delta caminha para ser o principal agente transmissor da infecção no País. Por sua vez, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta mais uma vez que o avanço da Delta provocará novo aumento de casos e mortes. A epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel considera importante uma dose de reforço da imunização para idosos e imunossuprimidos. Mesmo com resultados positivos da vacinação na contenção da pandemia, estudos indicam a necessidade.
“O Brasil precisa discutir a terceira dose. Não é só de quem recebeu a CoronaVac. Israel, que usou vacina de RNA, já iniciou a D3. Os EUA devem aprovar para imunocomprometidos. Estamos em uma pandemia e aprendendo com o vírus. Monitoramento e mudança fazem parte do processo científico. Lembrando que não é só vacinação. Precisamos continuar com todas as estratégias de controle da pandemia: máscara, distanciamento e higienização das mãos. Em uma pandemia, as medidas de controle são combinadas”, disse Ethel ao site Rede Brasil Atual. Países como Chile e Uruguai já programam uma nova etapa de vacinação de parte de sua população.
Em Goiás, está prevista a aplicação da dose de reforço esta semana em idosos institucionalizados. O imunizante Comirnaty, do laboratório Pfizer, é o que será, preferencialmente, utilizado como reforço. De acordo com dados da SES-GO, há cerca de 24 mil pessoas que se enquadram nessa categoria em todo o território goiano. “Na sequência, vamos vacinar com essa dose extra por ordem decrescente de idade”, adiantou o governador em uma rede social. Assim, neste primeiro momento, a aplicação do reforço contempla só quem vive em asilo e recebeu a vacina CoronaVac, do Instituto Butantan.
Ciclo de vacinação completo
Um dos pontos de preocupação das cepas mais agressivas é a resistência delas às vacinas. A variante Delta derruba a eficácia das primeiras doses das vacinas. Estudos recentes apontam que outra variante, a Lambda, identificada na Colômbia, também pode impactar na eficiência das vacinas. A cepa chegou no Brasil durante a Copa América, mas sua incidência no território nacional ainda é pouco relevante. Diante das ameaças, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, pede que os planos de imunização priorizem as segundas doses. Até o momento, duas doses de vacinas mostram grande eficácia no combate à Covid-19.
“Do ponto de vista de combate à pandemia, o que seria mais produtivo é acelerar a segunda dose nos indivíduos acima de 18 anos, principalmente diminuir o intervalo entre as doses das vacinas que são usadas nesse momento”, afirma o cientista. “Assim, vamos estabelecer um patamar de vacinação completa e atingir mais rapidamente o status de imunidade coletiva. Isso, na minha opinião, é mais importante que ampliar apenas uma dose para outros públicos”, disse Covas. (Por Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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