Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Daniel corre para levar o MDB coeso para a aliança com Caiado

Presidente estadual do partido recebe cartas de prefeitos, vereadores e principais lideranças em defesa do apoio à reeleição do governador Ronaldo Caiado no pleito do ano que vem

Com a formalização do convite do governador Ronaldo Caiado ao MDB, para participação na chapa majoritária liderada pelo DEM às eleições de 2022, o presidente estadual do partido, Daniel Vilela, mobiliza os quadros emedebistas para obter o respaldo para o acordo com a base aliada. Daniel já recebeu cartas dos 27 prefeitos, da Executiva do diretório estadual do MDB e dos seis vereadores de Goiânia em defesa do acordo com o Palácio das Esmeraldas e, consequentemente, contra a candidatura própria defendida pelo prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha.

Nos próximos dias, Daniel terá em mãos também carta assinada pelo senador Luiz do Carmo e pelos deputados estaduais Bruno Peixoto, Humberto Aidar e Henrique Arantes, cujo conteúdo vai na mesma direção de apoio à aliança com o DEM caiadista. Outra importante liderança emedebista, o ex-prefeito Iris Rezende, que se recupera de um acidente vascular cerebral (AVC) no Instituto de Neurologia de Goiânia, já antecipou a sua posição: quer o MDB no palanque à reeleição de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela como candidato a vice-governador na chapa majoritária.

Daniel Vilela já recebeu o respaldo de presidentes de 31 diretórios municipais e de 80 presidentes de comissões provisórias ao acordo MDB/DEM às eleições do ano que vem, com exceção apenas de Aparecida. O filho e herdeiro político de Maguito Vilela corre para aparar eventuais arestas dentro e fora do MDB.

Ele já enviou emissários para conversar com os prefeitos Adib Elias (Catalão), Fausto Mariano (Turvânia) e Paulo do Vale (Rio Verde), e ainda com os ex-prefeitos Renato de Castro (Goianésia) e Ernesto Roller (Formosa), que foram excluídos do MDB em 2019 por não terem apoiado a candidatura própria do partido em 2018. O dirigente emedebista também espera que Gustavo Mendanha e seus aliados, ao perceberem que não prosperou a proposta de candidatura própria, aceitem a decisão da maioria e permaneçam no partido.

 

Sozinho e isolado, Mendanha tem duas alternativas: ou acata o acordo ou sai do partido

Defensor da candidatura própria do MDB ao Palácio das Esmeraldas, o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, já percebeu o isolamento a que foi submetido no partido, pois conta com o apoio apenas do deputado estadual Paulo Cezar Martins, do ex-deputado federal Sandro Mabel e do diretório e vereadores de sua cidade. Enfraquecido, o prefeito foi buscar socorro da direção nacional do MDB, em Brasília, mas saiu frustrado da conversa com Baleia Rossi e Michel Temer. Mendanha só tem duas saídas: ou acata a decisão majoritária do MDB de aliança com o DEM caiadista, permanece na prefeitura para concluir o seu mandato ou vai para a oposição em 2022. Os seis vereadores do MDB de Aparecida de Goiânia não tornam pública as suas posições, mas, nos bastidores, revelam considerar temerária uma candidatura de Gustavo Mendanha ao Palácio das Esmeraldas fora do partido, entregando uma prefeitura poderosa a um vice-prefeito não confiável. Analistas políticos sustentam que Mendanha mergulharia em uma “nuvem cinzenta” da política se renunciar ao mandato de prefeito em 3 de abril do próximo ano para se aventurar em uma disputa eleitoral ao governo de Goiás. Os analistas lembram que os quatro prefeitos de grandes cidades – Paulo Roberto Cunha (Rio Verde), em 1990; Vanderlan Cardoso (Senador Canedo), em 2010; Iris Rezende (Goiânia), em 2010; e Antônio Gomide (Anápolis), em 2014 –, que renunciaram ao mandato sofreram derrotas eleitorais na corrida ao governo de Goiás. Outro dado histórico preocupante para Mendanha: nas seis vezes que disputou o governo de Goiás, no enfrentamento da máquina administrativa, o MDB perdeu todas: Iris Rezende, em 1998, 2010 e 2014; Maguito Vilela, em 2002 e 2016; e Daniel Vilela, em 2018.

 

Caiado tem autoridade moral e tempo para ajustar sua base

O governador Ronaldo Caiado, presidente estadual do DEM, tem um ano e três meses para construir a aliança com os partidos nas eleições de 2022, quando vai concorrer a novo mandato, definir os candidatos da chapa majoritária (vice-governador e senador) e ainda pacificar eventuais discordâncias na base aliada.

A antecipação do convite ao MDB de Daniel Vilela e de Iris Rezende para participar da chapa majoritária às próximas eleições teve efeito positivo, já que o governador ganhou tempo para conversar com possíveis insatisfeitos, casos, por exemplo, de Lincoln Tejota, Lissauer Vieira, Adib Elias, Luiz do Carmo, Wilder Morais e Vanderlan Cardoso.

Caiado vai esperar os principais aliados assimilarem o convite feito aos emedebistas para, em seguida, promover novas rodadas de conversação. Consta que o democrata teve encontro com o ex-deputado e atual conselheiro Sebastião Tejota e o filho dele, Lincoln Tejota, para buscar alternativas para o futuro do atual vice.

Na disputa pela única vaga de senador, o PSD de Henrique Meirelles, Republicanos de João Campos, Progressistas de Alexandre Baldy, e o PSC de Wilder Morais e de Luiz do Carmo devem se sentar à mesa com o governador para buscar o afunilamento. Há prazo para isso e as conversações devem se estender até março do ano que vem, prevê um dos assessores do governador.

A oposição ao DEM de Ronaldo Caiado se resume hoje ao PT de Rubens Otoni, ao PSDB de Marconi Perillo e de José Eliton, ao PL de Magda Mofatto e ao Patriota de Jânio Darrot e Jorcelino Braga. Por razões ideológicas, esses partidos não convergem em torno de uma candidatura única ao governo de Goiás e não estarão juntos em 2022. (Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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