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Daniel já tem o resultado da consulta às bases: MDB quer aliança com DEM

O presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, vai apresentar hoje, 16, em reunião da Executiva na sede do diretório estadual, o resultado da consulta que promoveu junto aos quadros do partido: mais de 90% defendem aliança com o DEM, em apoio à reeleição do governador Ronaldo Caiado, com os emedebistas indicando o candidato a vice-governador. Daniel é cotado para figurar como vice.
O levantamento feito por Daniel Vilela mostra que o único senador do MDB – Luiz do Carmo – e os deputados estaduais Bruno Peixoto, Humberto Aidar e Henrique Arantes alinham-se aos que propõem acordo com o Palácio das Esmeraldas e, consequentemente, são contrários à proposta de candidatura própria à sucessão estadual. Apenas Paulo Cezar Martins rejeita a aliança.
A consulta revela, também, que dos 28 prefeitos do MDB, 27 deles dão respaldo à aliança com o DEM. A única exceção é o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha. É majoritário também o apoio dos 31 presidentes de diretórios municipais e dos 80 presidentes das comissões provisórias municipais à proposta defendida por Daniel Vilela, ou seja, a figuração do MDB na chapa majoritária com o DEM indicando o candidato a governador.
O aval mais significativo ao entendimento MDB/DEM vem do ex-prefeito Iris Rezende, que, já no ano passado, defendia a reeleição do governador. Para Iris, o MDB precisa se reestruturar, conquistar cadeiras no Congresso e ampliar o número de prefeituras para, então, concorrer com chances ao governo do Estado em 2026.
Os ex-presidentes da Executiva estadual do partido Samuel Belchior e Nailton de Oliveira também estão entre os que querem aliança com o DEM de Ronaldo Caiado e rejeitam a candidatura própria em 2022. O prefeito de Campos Verdes, Haroldo Naves, presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), é um dos maiores entusiastas do apoio do MDB à reeleição de Caiado, com Daniel Vilela ocupando o cargo de vice-governador. “Caiado é sério, faz parcerias com os prefeitos e valoriza o MDB. Vamos estar no mesmo palanque nas eleições do ano que vem”, diz Haroldo.

 

Alternativas para Mendanha são: se calar ou deixar o partido

Há duas semanas, Daniel Vilela deve uma longa conversa com o prefeito Gustavo Mendanha, na tentativa de convencê-lo a acatar o resultado da consulta interna no MDB, cujos membros, de forma majoritária, exprimem o desejo de aliar-se ao DEM do governador Ronaldo Caiado. Daniel destacou a precoce carreira política de Mendanha, seus vínculos com o partido, mas apontou a inconveniência de lançar candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas em 2022, pretensão que deve se confirmar apenas em 2026. Mendanha, por sua vez, discordou dos critérios adotados para a consulta interna nos quadros do MDB, já que sempre defendeu maior abrangência, com inclusão de filiados, ex-prefeitos, ex-vereadores, vereadores e lideranças significativas nos 246 municípios goianos.
Daniel, por sua vez, diz que consulta é diferente de prévias, pré-convenção ou convenção, quando o universo é mais abrangente, mas que apenas cumpriu o que determina o estatuto do partido. “Só faremos convenção em julho de 2022, para a aprovação de alianças, coligações e lançamentos de candidatos majoritários e proporcionais [deputado federal e deputado estadual].” Diante da derrota dentro do MDB, Mendanha, segundo analistas políticos, terá dois caminhos a escolher: permanecer na Prefeitura de Aparecida de Goiânia para cumprir o segundo mandato ou deixar o MDB e renunciar ao cargo, em 3 de abril do ano que vem, para disputar as eleições para o governo de Goiás representando a oposição.

 

Apoio de Iris a Caiado foi decisivo para o fechamento da composição

A aliança do MDB com o DEM do governador Ronaldo Caiado começou a ser construída a partir da declaração do ex-prefeito Iris Rezende, favorável ao entendimento com o Palácio das Esmeraldas. “Se Caiado vai bem, é honesto, trabalha muito, por que não o reeleger?”, foi a pergunta que o líder emedebista deixou no ar no ano passado.
Mesmo internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde se recupera das complicações de um acidente vascular cerebral (AVC), Iris Rezende vai se manifestar, por videoconferência ou por carta, respaldando a decisão do MDB de formalizar apoio à aliança com o DEM caiadista.
Logo que deixou o cargo de prefeito de Goiânia, Iris Rezende iniciou uma série de conversas com o presidente do partido, Daniel Vilela, sobre a conveniência de o MDB adiar para 2026 o lançamento de candidatura própria ao governo de Goiás para estar presente na chapa majoritária com o DEM, com candidatura a senador ou a vice-governador em 2022. O próprio nome de Iris Rezende foi cogitado para uma eventual candidatura a senador, ao lado de Caiado, já que o governador sempre foi grato ao emedebista pelo apoio que recebeu em 2014, quando concorreu e venceu a disputa para o Senado.
Iris chegou a pensar em nova candidatura, mas, após conversas com familiares, comunicou ao governador a sua decisão final: não participaria mais de eleições com seu nome na urna eletrônica. Encerrou a carreira política com quatro mandatos de prefeito de Goiânia, dois de governador de Goiás, um de senador da República, um de vereador e um de deputado estadual, além de ocupar os ministérios da Agricultura (Governo José Sarney) e Justiça (Governo Fernando Henrique).
Já em janeiro último, Daniel e Iris acertaram os passos: o MDB seria mobilizado para apoiar a reeleição do governador Ronaldo Caiado, com a presença na chapa majoritária como candidato a senador ou a vice-governador. A partir de então, os apoios à aliança MDB/DEM se multiplicaram no partido, o que praticamente inviabilizou a proposta defendida por Gustavo Mendanha de candidatura própria à sucessão estadual em 2022.
A doença e posteriormente a morte do ex-prefeito e do ex-governador Maguito Vilela contribuíram para a aproximação entre Daniel Vilela e Caiado, adversários até o final do ano passado, já que ambos concorreram ao governo estadual nas eleições de 2018. Daniel retirou o MDB do bloco oposicionista, passou a criticar os adversários do Governo Caiado, como o PSDB marconista, e, de forma objetiva, não economizou elogios à administração estadual. “Caiado coloca Goiás nos trilhos, depois de receber um Estado endividado pelos governos do PSDB”, chegou a dizer. (Por Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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