Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Daniel Vilela: “Infelizmente, Gustavo só mostrou até agora desejo pessoal”

Presidente estadual do MDB revela que as consultas internas sinalizam aprovação à aliança com o DEM e indicação de um emedebista para a vice na chapa de Caiado

“Gustavo mostra que decisão unilateral é o que ele infelizmente está colocando, na medida em que já descartou até qualquer opção que não seja a candidatura dele, antes mesmo de o partido se manifestar por completo.” A afirmação é do presidente do MDB de Goiás, Daniel Vilela, em entrevista que obteve grande repercussão essa semana.

Daniel Vilela advertiu o prefeito de Aparecida, defensor da candidatura própria do MDB à sucessão estadual ao pleito de 2022: “É preciso ter espírito democrático e honestidade política. Não se pode, diante de uma decisão do partido, sair vendendo uma versão falsa, de decisão unilateral e de que o partido não se manifestou na integralidade.”

O filho e herdeiro de Maguito Vilela ressalta que não se pode seguir apenas o desejo pessoal na militância partidária. “No caso do Gustavo, ele tem o direito de pleitear, de defender candidatura própria, mas, se o partido decidir pela aliança e ele não aceitar a decisão, não tiver o espírito democrático e seguir seu desejo pessoal, é um direito dele, mas que faça isso com honestidade política e não inventando uma desculpa de narrativa falsa de decisão unilateral.”

Daniel, que já recebeu manifestações majoritárias de prefeitos, parlamentares, presidentes de diretórios e comissões provisórias municipais em respaldo à aliança MDB/DEM, disse que a direção do partido não vai permitir “narrativas falsas” como as que vem defendendo o prefeito de Aparecida. “Daqui não vai ter decisão unilateral, mas pela maioria.”

Questionado sobre a iniciativa de Gustavo Mendanha de divulgar carta pedindo “ampla consulta” aos membros do MDB de Goiás, Daniel Vilela disse que a direção estadual vai cumprir o estatuto, ampliando o universo a ser ouvido, e adianta que a convenção vai ocorrer quando o calendário eleitoral determinar (agosto de 2022). “O Gustavo sabe disso”, lembra.

Daniel afasta, também, a possibilidade de realização de encontros regionais para ouvir a militância do MDB: “Entendemos que não podemos expor o partido a uma discussão que possa descambar para algo descontrolado, que possa ser ofensivo e vá trazer fissuras incuráveis para o partido, não só para 2022”, disse a O Popular.

O presidente lembra que, em 2006, o MDB realizou prévias entre Adib Elias e Maguito Vilela, ”que trouxeram consequências muito ruins para o partido, uma divisão que não foi superada depois, tem consequências até hoje”.

Outro exemplo citado por Daniel Vilela sobre fissura interna no MDB ocorreu em 2010, com Iris Rezende e Júnior Friboi como pré-candidatos a governador. “Naquele ano, fomos a um encontro do partido em que um prefeito foi extremamente deselegante com um dos concorrentes. Foi constrangedor para todo o partido, não vou nem dizer detalhes. Isso só traz prejuízo ao partido.”

Daniel não acredita que Mendanha seja fator de desagregação partidária, mas admite que, com encontros regionais, outras lideranças possam estimular a divisão interna do MDB. “Não digo o Gustavo, mas tem gente no partido de todo jeito. Se começar a realizar encontros, há coisas que não se consegue controlar, as coisas vão se acalorando. O fato é que o partido está, sim, fazendo uma consulta ampla, muito mais ampla do que o estatuto determina.”

 

Fausto Mariano: “Expulsão do MDB são águas passadas”

O presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, recebeu o prefeito de Turvânia, Fausto Mariano (DEM), na última quinta-feira, 26, no diretório do partido. Os dois foram colegas de legenda até 2019, quando o agora democrata foi expulso por conta do seu apoio ao governador Ronaldo Caiado (DEM) nas eleições de 2018.

O encontro se deu em um contexto de reviravolta em relação ao cenário da última disputa pelo Palácio das Esmeraldas. O MDB está prestes a embarcar no governo e Caiado quer Daniel na sua vice nas eleições de 2022. “Vim aqui declarar meu apoio, como prefeito do Democratas, ao Daniel para o cargo de vice-governador ou o cargo que ele queira disputar. É filho de quem é [do ex-governador Maguito Vilela], foi um extraordinário deputado federal, presidente da CCJ [Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania] na Câmara dos Deputados”, explicou o prefeito.

Fausto Mariano completou argumentando que a aliança DEM-MDB é “a mais emblemática da história de Goiás”, e que o governador “fez um gesto muito nobre, de muita humildade”, ao ir até o diretório estadual do MDB no último dia 20, sexta-feira, para convidar o partido a integrar sua chapa majoritária.

O prefeito de Turvânia diz que trata o episódio da expulsão do MDB como “águas passadas”. E arrematou: “Eu disse para o Daniel que encaro isso com muita naturalidade. Antes de o MDB fechar questão na convenção, eu divergi muito pensando em uma aliança para que encontrássemos um candidato a governador que vencesse o PSDB e o marconismo. Sempre fomos oposição ao Marconi Perillo, que arrebentou o Estado de Goiás. Mas a partir do momento que houve uma convenção e eu divergi do que foi decidido, o partido aplicou o estatuto. Entendo como legítima a posição do partido e a posição do Conselho de Ética. Tanto que não recorri”, finalizou. (Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

 

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