Quarta, 21 de Abril de 2021
21 de Abril de 2021
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Depois de fiasco como político e no governo, Eliton assume PSDB

Ex-governador apagado, que terminou em 3º lugar na eleição de 2918, está sendo imposto por Marconi para líder os tucanos estaduais

O PSDB de Goiás vai realizar convenção, em março, para eleger o novo diretório e escolher o sucessor do atual presidente Jânio Darrot, que já anunciou que não quer mais permanecer no cargo e que pode até deixar o partido.

Para o lugar de Darrot, a cúpula tucana, tendo o ex-governador Marconi Perillo à frente, escalou o advogado eleitoralista e ex-governador José Eliton para assumir o comando da legenda.

José Eliton tem um triste histórico negativo como político em Goiás: escolhido candidato a vice-governador para a chapa de Marconi Perillo em 2010, repetiu a dose em 2014, mas passando os anos sem nenhuma projeção ou importância política. Ele disputou a primeira eleição em 2018, quando concorreu à reeleição (havia assumido o governo no lugar de Marconi, que renunciou para disputar o Senado) para o cargo de governador, colhendo um desastre nas urnas.

José Eliton ficou em terceiro lugar, atrás de Daniel Vilela (MDB) e de Ronaldo Caiado (DEM), o vencedor já no 1º turno. Enquanto Caiado chegou a 1.773.185 votos, praticamente 60%, o então governador tucano alcançou apenas 13,73% ou (apenas 407.507 votos).

Como presidente da Celg e secretário de Segurança Pública, nos governos de Marconi, José Eliton não passou no teste como “bom gestor” e mergulhou o governo estadual em sucessivas crises administrativas e políticas, como a elevação, por exemplo, dos índices de criminalidade no período em que esteve chefiando a política de segurança pública em Goiás.

Depois, como governador substituto por 9 meses, José Eliton também não conseguiu apresentar “resultados satisfatórios” em áreas vitais para a população, como saúde, educação e segurança pública. No entanto, acabou marcando com uma nódoa eterna a sua biografia: o governo de Goiás, em 2018, desviou e pavimentou o trecho de uma estrada (GO-453, trecho Posse/Guarani), a um custo de R$ 65,8 milhões, que corta uma fazenda de sua propriedade.

A obra foi executada pela Companhia de Desenvolvimento de Goiás – Codego, o que causou estranheza, já que o normal teria sido a sua execução pela então Agetop (hoje Goinfra). O caso acabou objeto de investigação pelo Ministério Público, que, em outro inquérito sobre a Codego, chegou a pedir a prisão de José Eliton, negada pela Justiça.

A estrada que beneficiou José Eliton passa pela cidade de Posse, pelo povoado de Marmelada, pelo município de Iaciara, povoado de Claretiana e, então, cidade de Guarani. A fazenda do ex-governador está entre Marmelada e Claretiana; tem 230 alqueires e as terras são usadas para a pecuária de corte. Detalhe: ele reconheceu que a pavimentação da rodovia que corta sua fazenda vai beneficiar a produção de gado na área.

Dobradinha com Marconi acabou em desastre eleitoral

José Eliton hoje faz – ou tenta fazer – política em dobradinha com o ex-governador Marconi Perillo, que entrou em baixa na política de Goiás desde que foi derrotado na eleição de 2018, quando ficou em 5º lugar na disputa por duas vagas no Senado Federal.

Marconi responde a mais de 40 processos, entre cíveis e criminais, em alguns dos quais é acusado pelo Ministério Público Federal de receber propinas da Odebrecht. Se for condenado em 2º instância em qualquer um deles, o tucano perde a inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa e fica impedido de disputar eleições por 8 anos.

Eliton e Marconi são os grandes responsáveis pela fragilidade do PSDB goiano que, de 75 prefeitos, viu a legenda ser reduzida para apenas 20 gestores municipais em 2020. Entre eles, há um movimento de migração rumo à base do governador Ronaldo Caiado, prevendo-se que a metade, no mínimo, vai se filiar ao DEM.

Antes, em 2018 a dobradinha eleitoral entre os dois, Eliton para governador e Marconi para Senador, terminou em um fracasso retumbante. Pior: o tucanato elegeu apenas um deputado federal (Célio Silveira) em 2018, depois Legislaturas seguidas ostentando bancadas numericamente expressivas no Congresso Nacional. Para a Assembleia, foram 6, dos quais 2 já debandaram (Tião Caroço e Diego Sorgatto), restando 4 (Talles Barreto, Hélio de Sousa, Leda Borges e Gustavo Sebba; no lugar de Sorgatto, eleito prefeito de Luziânia, assumiu Francisco de Oliveira, retornando a conta para 5).

Prevê-se que a escolha de José Eliton para presidir o PSDB estadual irá acelerar a onda de desfiliações, desde prefeitos, lideranças e até, ao que se comenta, um deputado estadual. Dezenas de vereadores, ex-primeiras-damas, vices e ex-vice-prefeitos também seguirão o mesmo caminho.

Marconi e Eliton: derrota acachapante nas urnas, em 2018

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