Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
Publicidade

Drama de milhares de famílias é não saber o que vão comer

Falta de comida para o dia seguinte define a Insegurança Alimentar, que afeta um grande número de aparecidenses, conforme o CadÚnico

A Insegurança Alimentar marca a vida de milhares de cidadãos aparecidenses. De acordo com dados de 2020 da Secretaria Municipal de Assistência Social, há cerca de 40.000 famílias cadastradas no CadÚnico, banco de dados do governo federal que coleta informações sobre famílias de baixa renda para inclusão em programas de assistência social, a exemplo do Bolsa Família. No Portal da Transparência do Governo de Goiás, 12.150 moradores de Aparecida, a maioria mulheres, estão listados como vulneráveis econômica e socialmente.
O prefeito Gustavo Mendanha, na campanha eleitoral em que buscou e conseguiu o 2º mandato, em entrevista exclusiva ao Diário de Aparecida, anunciou a implantação do Programa Banco de Alimentos – destinado não só a arrecadar doações de gêneros básicos para distribuição a famílias de baixa renda, como também uma iniciativa para evitar o desperdício de alimentos por parte de empresas privadas como supermercados, atacadistas e até restaurantes.
A data da entrevista de Mendanha ao DA: 20 de outubro de 2020, portanto, há mais de sete meses. Como estava no pleno exercício do seu 1º mandato, nada impediria que, já naquela época, as primeiras providências para o Banco de Alimentos começassem a ser tomadas. Não foi o que aconteceu e até hoje o projeto continua no papel.
Oficialmente, a prefeitura informa que a Secretaria de Assistência Social, comandada pela primeira-dama Mayara Mendanha, única mulher no secretariado de 27 pastas de Aparecida, iniciou ainda em janeiro o processo para transformar a promessa do Banco de Alimentos em realidade e que as providências estão em andamento. A tradução é de que não há data para o Banco de Alimentos começar a funcionar e a mitigar a fome entre as famílias carentes aparecidenses.
Aparecida tem 600 mil habitantes, entre os quais se escondem desigualdades sociais gritantes, conforme apontou o estudo de vulnerabilidade feito pelo Instituto Mauro Borges, do governo do Estado, em 2018, denunciando a existência no município de um grave déficit nutricional e também em questões como moradia, vestuário e serviços sanitários.
A pesquisa do IMB diz que a cidade possui um grande índice de imigração, o que provoca amontoados em bairros periféricos, onde moram até quatro famílias no mesmo lote, como é o caso de Carla Regina, residente no Setor Independência Mansões. Ela conta que todos os adultos estão à procura de emprego, ou se virando como podem. Programas sociais como o Bolsa Família, gerenciado pela pasta municipal de Assistência Social, são a única renda dos parentes de Carla: R$ 48 por mês cada um.
Desempregada, Carla Regina disse ao Diário de Aparecida que, para prover o alimento a ela, aos dois filhos de 5 e 6 anos, e à mãe de 61 anos, há apenas a ajuda do Bolsa Família – que, durante a pandemia, está com um valor um pouco maior devido ao Auxílio Emergencial. A paraense de 27 anos mora com mais quatro famílias em um mesmo lote há mais de oito anos, todos parentes.
Já o servente de pedreiro Enivaldo de Paula mora há dez anos no mesmo lote da casa dos pais, no Setor Serra Dourada III. Com esposa, quatro filhos pequenos, entre 12 e 2 anos de idade, e mais dois sobrinhos menores, Enivaldo, sem emprego formal, faz bicos pela região. A falta de comida é rotina na vida da família.
“A coisa piorou depois da pandemia. A gente recebe o Auxílio Emergencial, mas não dá para comprar comida para os 30 dias do mês. Minha mulher foi demitida por causa da pandemia. Infelizmente, somos obrigados a pedir ajuda na igreja para não passarmos fome. Todo mês é uma luta, a gente se sente humilhado e sem saída”, desabafou. (Ambos, Enivaldo e Carla Regina, pediram para que suas fotos não aparecessem nesta reportagem).

Nota da prefeitura informa que a responsabilidade é dos cidadãos

Veja a nota que a Secretaria Municipal de Comunicação de Aparecida enviou ao DA sobre a Insegurança Alimentar no município:

“A Prefeitura de Aparecida, por meio da Secretaria de Assistência Social, realiza desde o início da pandemia do coronavírus uma mobilização de solidariedade para atender às famílias em alta vulnerabilidade social. Já foram distribuídas mais de 10 mil cestas básicas entre abril e dezembro. Informa que, neste ano, a mobilização para arrecadar alimentos envolveu todas as secretarias e servidores municipais, que doaram alimentos ou cestas completas para a pasta fazer a destinação para as famílias necessitadas. Os servidores seguiram o exemplo do prefeito Gustavo Mendanha, que doou todo o seu salário do mês de março para a compra de cestas. No total, já foram entregues à Assistência mais de 2,4 mil cestas básicas, que estão sendo entregues, desde a última segunda-feira, 12 de abril, às famílias cadastradas na secretaria. A prefeitura ressalta ainda que está mobilizando a população que está recebendo a vacina contra a covid-19 nos drives da Cidade Administrativa e do Aparecida Shopping, por meio da campanha Vacina Contra a Fome, para que doem alimentos que também serão destinados às famílias carentes. Além desta campanha, a Secretaria de Assistência Social mantém em funcionamento permanente a rede de atenção às pessoas mais vulneráveis, por meio dos Cras (Centro de Referência em Assistência Social) localizados em várias regiões da cidade, que realizam o cadastramento de famílias e buscam inseri-las em programas sociais como o Bolsa Família.”

Compartilhe este post: