Aparecida

Editorial do Diário de Aparecida: A farsa da unanimidade

Continua repercutindo com intensidade a série de reportagens do Diário de Aparecida desvendando o intenso loteamento de cargos que se tornou a marca registrada da gestão de Gustavo Mendanha em Aparecida: para garantir apoio “unânime” e eliminar a oposição, Mendanha abriu a folha de pagamento para a nomeação de presidentes de partidos, ex-vereadores, suplentes, apaniguados de vereadores e toda e qualquer liderança aparecidense, ainda que de porte mínimo.

Isso significa que o desemprego, praga que foi aprofundada no país e em Goiás pelo impacto da pandemia do novo coronavírus sobre a economia e as atividades em geral, não chegou à classe política de Aparecida. Todos têm garantido o agasalho reconfortante de um bom vencimento por conta da prefeitura, em troca do silêncio e dos aplausos ao sr. prefeito municipal, incondicionalmente.

Por conta dessa prática nefasta, os cofres da prefeitura estão sendo sangrados para sustentar as conveniências políticas de Mendanha, que ainda tem a coragem de propor que o resto do Estado siga o modelo deletério aqui implantado para assegurar a tranquilidade do Poder Executivo – e, infelizmente, privar a população do importante debate sobre as melhores soluções para os inúmeros desafios que ainda afligem Aparecida, em áreas estratégicas como a Saúde, a Educação e a segurança alimentar, apenas para ficar na citação dos mais graves e urgentes. Que desastre seria!

Ilude-se o governante que acredita ser um semideus que não deve satisfações a ninguém. Engana-se o gestor que decide sozinho, sem ouvir e sem consultar as opiniões divergentes. Comete crime contra a história das sociedades democráticas o político que se julga encarnar um ser superior, infalível e dotado de poderes que o colocam acima dos demais seres humanos, deixando que a vaidade e a soberba subam à cabeça e turvem a visão da realidade que o rodeia.

Toda unanimidade é burra, escreveu o teatrólogo Nelson Rodrigues, cunhando uma frase que entrou para os anais da inteligência no país. Mas que, em Aparecida, é ignorada. E acrescentamos: toda unanimidade é burra e um dia, mais cedo ou mais tarde, se volta contra quem nela aposta. Assim se deu com ditadores que terminaram mal, como Hitler e Mussolini, um nazista, outro fascista, mas igualmente tiranos que eliminaram qualquer visão de mundo divergente das suas. O fim que tiveram é a lição que fica para os construtores da falsa “unanimidade”.

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