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Em vídeo sonolento, Mendanha admite que candidatura própria não se sustenta

É um caso típico em que alguém tenta afirmar uma tese, mas passa uma mensagem exatamente contrária. Em um vídeo distribuído na noite desta segunda, 26, com cara de sono depois de voltar de um período de férias no rio Araguaia, o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha insistiu na defesa da candidatura própria do MDB ao governo do Estado em 2022, só que acabou deixando claro que esse projeto é hoje inviável.

Mendanha admite que todos os prefeitos do partido, menos ele, querem uma aliança com o governador Ronaldo Caiado, lançando uma chapa única DEM-MDB para as eleições do ano que vem. Deixa claro também a fragilidade da sua posição, ao apelar para que seja feita uma consulta interna, envolvendo não só os prefeitos, como também “ex-prefeitos, vereadores, ex-vereadores, ex-deputados, presidentes de diretórios e os ex-governadores Iris Rezende e Agenor Rezende, além do ex-senador Mauro Miranda.”

É discurso, só. Mendanha sabe que entre esse público, prevalecem dois fatores: um, a tendência majoritária para que o MDB não corra o risco de mais uma derrota, a sétima desde 1998, optando por um caminho seguro para chegar ao poder em 2026, na sucessão do provável 2º mandato de Caiado, outro, a liderança real que o atual presidente da sigla Daniel Vilela, maior beneficiário da aliança com o DEM, já que será indicado candidato a vice na chapa com o atual governador, e do ex-prefeito Iris Rezende, ambos com força suficiente para convencer a maioria esmagadora do partido a abandonar a tese da candidatura própria, que já não desperta entusiasmo, e apoiar a composição com Caiado.

Frágil e bamboleante, a fala de Mendanha no vídeo é desanimadora, na medida em que ele também não cita mais nenhum nome de importância que poderia estar ao seu lado. Continua sem coragem para assumir e não propõe a propor a sua própria candidatura. Deixa no ar uma ameaça, para Daniel Vilela: não diz que, democraticamente, aceitaria o resultado da tal “consulta” às bases, mesmo se viesse a ser aprovada – como tudo indica que será – a ideia do lançamento de um representante emedebista no pleito de 2022.

Outra lacuna do “pronunciamento” é a falta de justificativa para as suas posições. Mendanha abusa de frases genéricas, como, por exemplo, ao afirmar que o povo de Goiás quer um futuro diferente, mas não detalha o que seria esse “futuro” e como seria alcançado. E, para finalizar, não menciona a má repercussão que a sua invenção sobre o apoio de 80% dos prefeitos emedebistas à candidatura própria causou. Logo após ele dar essa informação, 27 prefeitos do partido (ele foi o único que não assinou) lançaram um manifesto anunciando apoio à reeleição de Caiado e inclusão de Daniel Vilela como vice na chapa DEM-MDB. Foi desmentido no ato. E se calou.

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