Terça, 20 de Abril de 2021
20 de Abril de 2021
Publicidade

Empresas instaladas no Complexo Prisional rompem preconceitos empregando presos

Sallo, Telemont, Inovar, Pit Bull, Hering são exemplos de parcerias para a ressocialização de reeducandos. Há espaço para mais aproveitamento da mão de obra carcerária

A reportagem do Diário de Aparecida e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Aparecida, Marlúcio Pereira, percorreram in loco indústrias instaladas dentro do Complexo Prisional de Aparecida, parceiras do Estado de Goiás na ressocialização dos reeducandos do Semiaberto. 

Segundo o superintendente de Segurança da Diretoria Geral da Polícia Penal de Goiás Jonathan Marques da Silva, as oportunidades de emprego dirigidas à população carcereira são benéficas para a sociedade, ao integrar produtivamente os detentos, ajudar a reduzir a pena – para cada 3 dias de trabalho, um é reduzido no tempo de reclusão – e ainda gerar um resultado econômico para todos os envolvidos. 

“Um dos grandes benefícios é a redução drástica da chance do preso cometer novos delitos por falta de oportunidades ao ter direito ao semiaberto ou à liberdade total. Após cumprir a pena, o detento deixa a prisão com o diploma na mão que comprova a qualificação adquirida nas indústrias. O investimento de empresas dentro do presídio também dá retorno social, na medida em que acelera o processo de recuperação dos presos e o prepara para ser reintegrado à vida normal”, pontuou Marques.   

As empresas parceiras do governo estadual no Complexo Prisional de Aparecida são conhecidas  no mercado. Atualmente são 5 empresas do ramo de confecções que empregam os presos condenados, tanto homens como mulheres, separados uns dos outros: Sallo, Telemont, Inovar, Pit Bull, Hering, 150 detentos e produzindo 1 milhão e 50 peças mensais, além de uma marcenaria que reutiliza materiais na fabricação de móveis. 

“Há presos que entram aqui sem uma profissão definida e aprendem costurar, consertar, revisar peças e atestar a qualidade delas. Ao obter a liberdade, a experiência os leva a encarar a realidade externa com indicação ao emprego pela própria empresa que já o empregava aqui dentro”, complementou Sara Emiliano, encarregada da turma feminina do Controle de Qualidade das confecções Pit Bull do semiaberto.   

Empresários interessados no projeto podem procurar Diretoria Geral de Administração Penitenciária

Jonathan Marques da Silva, Superintendente de Segurança da Diretoria Geral da Polícia Penal de Goiás, informa que o projeto do governo do estado denominado Goiás de Resultados, coordenado pelo vice-governador Lincoln Tejota, atua para estender a ideia para as 101 unidades prisionais goianas. Jonathan informou que são cerca de 5 mil presos trabalhando no território goiano. Em Aparecida, por exemplo, há também presos trabalhando em jardins e parques, por meio de parcerias com a prefeitura, e em reformas de casas, asilos, na produção de cadeiras de rodas e alimentos.    

Preconceito

“Uma das maiores dificuldades é o preconceito que muitas empresas têm quanto a investir dentro do Sistema Prisional. A sociedade, no geral, não tem conhecimento desse trabalho realizado nas dependências das penitenciárias. Mas os empresários que já estão aqui estão satisfeitos e querem a produção. Quando se consegue romper a barreira do preconceito, e o empresário vê que aqui dentro existe um vasto campo para ser explorado, todos ganham, inclusive o próprio empresário em termos aumento de produção com qualidade”, especificou o superintendente. 

Os empresários interessados em firmar parceria para aproveitar a mão de obra dos detentos do Complexo Prisional devem procurar a Diretoria Geral de Administração Penitenciária, na pessoa do Coronel Agnaldo Augusto, que, por meio da Gerência de Reintegração Social, encaminhará a parceria. (A.P.A.)

Trabalho nas indústrias reduz o índice dos que retornam para o sistema prisional

Segundo Moisés Santana, coordenador da área industrial da Polícia Penal, somente os presos que apresentam bom comportamento e desejam trabalhar, independente de período de pena já cumprido, são aproveitados nas fábricas atualmente instaladas, recebendo também treinamento técnicos para que se tornem peritos em determinada área.

“O preso chega aqui desprovido de qualquer conhecimento começa fazendo um curso de até 90 dias. Enquanto ele permanecer enquadrado nas regras, que são rigorosas, poderá permanecer trabalhando nas indústrias. Não pode ingerir bebida alcoólica, fumar, consumir drogas, dentre outras regras; precisa também cumprir as metas da empresa Agindo corretamente, ele está abraçando uma grande oportunidade de mudar a história de sua vida e sustentar sua família do lado de fora de forma digna”, explicou Moisés Santana. 

Salário

Todos os presos trabalhadores são remunerados dentro dos valores do mercado de trabalho normal. Eles recebem um tratamento diferenciado, que inclui até a alimentação. “O preso sai daqui com emprego garantido e qualificação, e acima de tudo, com uma forma de pensar renovada; o que vai reduzir o índice dos que retornam para o sistema prisional”, salientou Moisés Santana.

Quando os salários são pagos, no fim do mês, um terço é retido em um fundo de reserva, como reserva financeira para quando deixar o regime da pena. (A.P.A.)

Por Redação

     

Compartilhe este post: