Quarta, 28 de Julho de 2021
28 de Julho de 2021
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Erros e equívocos mostram prefeitura de Aparecida como ineficiente e arcaica

Gustavo Mendanha apregoa administrar uma “cidade inteligente”, mas não consegue sequer atualizar os dados de vacinação contra a Covid-19

Da Redação

O nível de organização administrativa da prefeitura de Aparecida, que Gustavo Mendanha (MDB) gosta de vender como moderno e avançado, parece não corresponder nem de longe a essa imagem produzida pelo marketing da Cidade Administrativa.

A cada dia, acumulam-se evidências de que são ineficazes e arcaicos os procedimentos burocráticos da gestão municipal em Aparecida, totalmente incompatíveis com as necessidades de uma cidade de 600 mil habitantes e desafios urbanos gravíssimos, como a falta de infraestrutura nos bairros e a carência crônica de vagas na Educação Infantil, diante da precariedade e da incapacidade da rede de CMEIs para atender a demanda.

Exemplos não faltam. Durante dois meses, neste ano, Aparecida ficou negativada no cadastrado da Secretaria do Tesouro Nacional e impedida de receber verbas da União. A prefeitura descumpriu 8 itens obrigatórios, segundo a STN, que disponibiliza as informações para quem quiser acessar na internet. Alguns referiam-se a simples remessa de relatórios fiscais, o que comprova que a Secretaria municipal de Finanças, chefiada por André Rosa, não tem a competência exigida para manter em dia as suas obrigações e é capaz de colocar em risco o acesso a verbas federais – da maior importância neste momento de enfrentamento à 2ª onda da Covid-19.

Outro ponto em que a prefeitura falhou – e feio – foi na atualização das informações relacionadas com as vacinas recebidas e aplicadas em Aparecida. No Painel da Covid-19 da prefeitura, aliás confirmando as suspeitas de que veicula informações tanto erradas quanto atrasadas, estampou-se que 70 mil doses de imunizantes haviam sido recebidas do Estado, mas menos da metade efetivamente utilizadas em benefício da população aparecidense.

Um vexame, enfim, reconhecido pela Secretaria municipal de Saúde, forçada a admitir a discrepância ao informar sobre o atraso no lançamento dos dados da semana passada devido a problemas técnicos na digitalização dos dados, o que seria corrigido agora, mas ainda não foi, confirmando a falta de controle e de organização do processo de vacinação em Aparecida. De acordo com os dados da SES-GO, Aparecida está na 212ª posição dos municípios que menos registraram os dados sobre a aplicação dos imunizantes, em especial no caso da 2ª dose.

Tudo isso confirma que a prefeitura não é profissional nem mostra capacidade técnica na execução das suas obrigações e não atende a critérios de eficiência, como seria de se esperar do município que tem a 3ª maior arrecadação do Estado e um prefeito que vive apregoando ter implantado um modelo de “cidade inteligente” – que, no entanto, não passa de puro marketing, no esforço de transformar Gustavo Mendanha em candidato a governador em 2022, até mesmo atropelando seu suposto parceiro Daniel Vilela, se for necessário.

Folha de pagamento garante o apoio unânime dos políticos

Um fenômeno fácil de ser explicado tornou-se dominante na política de Aparecida: o prefeito Gustavo Mendanha (MDB) tem o apoio de praticamente todos os partidos e de todas as lideranças de expressão do município. É assim que ele foi reeleito para mais um mandato com mais de 95% dos votos válidos e aparentemente assumiu a posição de gestor mais bem aprovado de toda a história aparecidense.

É pura politicagem. Fácil de ser explicado porque, por trás de toda essa falsa unanimidade, encontra-se o poder de fogo da máquina da prefeitura e dos seus cofres. Centenas de cargos comissionados foram e continuam sendo distribuídos a aliados, ex-vereadores, indicados por vereadores e apadrinhados dos partidos. Mais de 20 deles têm representantes não só no secretariado de Gustavo Mendanha, como também na infinidade de funções que foram criadas sem a menor necessidade, apenas para garantir o apoio da classe política através de nomeações para salários elevados.

Em tempos de pandemia e da sua influência negativa sobre o mercado de trabalho, o desemprego não existe entre os políticos de Aparecida. Antes de assumir o 2º mandato, Gustavo Mendanha aprovou na Câmara uma “reforma administrativa” que institucionalizou mais 8 secretarias, subindo o número total para 27, aumentando o organograma de cada um com secretarias executivas, superintendências e diretorias. 

Diário de Aparecida já mostrou que todos os presidentes de partidos políticos de Aparecida, com raras exceções, estão agasalhados no secretariado de Gustavo Mendanha. Isso inclui até o PT e o PSDB. O petista Adriano Mantovani é secretário de Relações Institucionais, enquanto o tucano Vanilson Bueno é o titular da Secretaria de Ação Integrada. Ninguém ficou de fora. Candidatos a vereador que não foram eleitos também lotam a folha de pagamento da prefeitura. E também pastores evangélicos, em especial da Igreja Esperança, do pastor Romeu Ivo, que também influência na gestão de Gustavo Mendanha e esparramou membros da igreja em postos chave da prefeitura. O pastor Jeferson Ferreira, da Esperança, é o secretário do Trabalho, enquanto outro pastor, Avelino Marinho, é o secretário de Cultura. Quanto aos presidentes municipais dos partidos, não há nenhum que não esteja contemplado na folha de pagamento de Aparecida.

Isso não é bom para o município. Custa milhões por mês e onera o caixa em troca de… nada. Muitos dos nomeados não têm sala ou sequer mesa para trabalhar. Mas estão na folha de pagamento, enquanto Aparecida carece de soluções para problemas que o prefeito não consegue resolver, como a dramática falta de vagas para crianças na rede municipal de Educação Infantil por falta de CMEIs onde elas possam ser acolhidas. 

Foto: Enio Medeiros / Secom Aparecida

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