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“Garoto propaganda” das telefônicas: Daniel Vilela faz live com a Oi e Huawei

Empresas foram agraciadas com projeto de lei de Daniel que concedeu mais de R$ 140 bi em benefícios; Brasil perdeu patrimônio com medida do presidente do MDB goiano

O ex-deputado federal Daniel Vilela, atual presidente do MDB goiano, será um dos participantes de um painel nacional sobre internet durante a pandemia.  Por trás da expressão internet leia-se “telefonia”. 

Daniel debaterá ao lado de Leonardo Euler (Anatel), Rodrigo Abreu (CEO da Oi), Sunbaocheng (CEO da Huawei no Brasil). O emedebista aparece em material publicitário divulgado nas redes sociais como “presidente executivo da Aliança Digital”, uma entidade privada que se apresenta como “think tank” para tratar dos temas digitais do Brasil. 

A live convocada por Vilela ocorrerá às 10h desta sexta-feira, 22. 

Daniel Vilela tornou-se próximo do mundo digital quando atuava como deputado federal em Brasília, mandato que se encerrou em fevereiro de 2019. Escolhido como “garoto propaganda” das grandes empresas de telefonia que atuam no país (as empresas campeãs de reclamações nos procons municipais e estaduais), Daniel é na verdade considerado um grande “amigo” do segmento bilionário. 

Não se sabe o que ele ganhou com a defesa do segmento no Congresso Nacional.  Daniel é autor de projeto de lei que deu perdão de R$ 40 bilhões em multas devidas pelas multinacionais, inclusive a Oi que, coincidentemente, participará de seu painel com a presença de Rodrigo Abreu. 

ESCÂNDALO 

O escândalo das “teles” foi noticiado pela revista “Veja” e vários outros órgãos de comunicação.  Conforme a revista de circulação nacional o projeto despachado por Daniel era um “presente bilionário” e “escândalo silencioso”.

Ao lado de outros deputados, Daniel permitiu a transferência para as teles de todo o patrimônio físico que elas teriam que devolver à União em 2025. 

Em troca, elas teriam apenas que investir valor semelhante em seus serviços – e isso não significa absolutamente nenhum ganho do consumidor, que continuará pagando como sempre pelos serviços usufruídos e litando por melhores serviços nas superintendências de defesa. 

O patrimônio repassado para as empresas após a ação de Daniel e congresso chega a R$ 100 bilhões. O projeto assinado por Vilela, PLC 79/2016,  foi aprovado em tempo recorde pela comissão especial do Desenvolvimento Nacional do Senado e alterou a Lei Geral de Telecomunicações (LGT – Lei 9.472/1997). 

Na época, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) ficou indignado com a ação do emedebista e demais interessados na proposta: “No mundo atentados contra vidas, no Brasil mega atentado contra o erário e a favor das telefônicas. A aprovação da doação às telefônicas teve processamento irregular, sua sanção por Temer é criminosa. Foi manobra imoral no Congresso para aprovar a doação para as Teles”, afirmou.

Foto: Reprodução

Mayara Ferreira

Estagiário supervisionado pelo editor Jorge Borges

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