Quinta, 17 de Junho de 2021
17 de Junho de 2021
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Gastos elevados na publicidade do governo anterior chamam atenção da Polícia Civil

Números apurados impressionaram as autoridades durante as investigações

Em janeiro deste ano, Operação Sofisma apurou superfaturamento e fraude em contratos de órgãos do governo com sites e blogs, no período de 2014 a 2017, demonstrando que o dinheiro público era usado para atacar adversários políticos. Números apurados impressionaram as autoridades durante as investigações

De 2014 a 2017, foram muitos os contratos milionários firmados entre os diversos órgãos do Estado de Goiás com blogs e sites – supostamente para divulgação de campanhas educativas – o que acabou por chamar a atenção da Polícia Civil de Goiás. A partir de 2019, com a independência que as forças policiais passaram a ter, o esquema foi investigado e o que era uma suspeita virou constatação durante a Operação Sofisma, deflagrada em janeiro de 2020.

Na Operação, a Polícia Civil apurou indícios de fraudes e superfaturamentos de contratos entre a Agência Brasil Central (ABC) – na época Agência de Comunicação (Agecom), o Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO) e empresas de comunicação digital nos contratos realizados durante o governo passado. Segundo as investigações, o esquema de corrupção dentro da estrutura de comunicação estadual consistia em escamotear, por meios destes contratos, o direcionamento de verbas públicas para sites e blogs ligados ao grupo que comandava o executivo estadual, encarregados de veicular conteúdos de ataque a adversários políticos.

Os números apurados impressionaram as autoridades durante as investigações, que revelaram que as fraudes começaram a acontecer em 2014 e teriam se estendido até 2017. Os gastos foram crescentes e alcançaram maior patamar em 2017, ano pré-eleitoral. Neste período, os gastos da Agecom foram de R$ 53.268.384,34 em 2014; R$ 76.651.523,95 em 2015; R$ 85.925.747,05 em 2016; atingiram o auge de R$ 100.318.974,21 em 2017. Já em 2019, primeiro ano da gestão de Ronaldo Caiado, a queda neste tipo de gasto foi brusca: os contratos firmados pela pasta ficaram em R$ 11.163.562,41.

O mesmo fluxo pode ser observado nos contratos da Saneago. Em 2015, foi gasto R$ 1.136.271,21 em publicidades. Em 2016, esse valor passaria a R$ 2.205.348,70, saltando a R$ 7.380.912,15 em 2017. Em 2019, primeiro ano do novo mandato, uma nova redução, com gastos em R$ 2.238.069,29, quando a maior parte do valor é destinada a divulgações obrigatórias que a Companhia de Saneamento precisa fazer, como aviso de licitações e resumo de contratos.

No Detran, onde foram apreendidos 500 processos, dos anos de 2014 a 2017, pelos policiais, houve uma variação neste fluxo. O ano que registra maior gasto com publicidade no período é justamente o ano de 2014, com R$ 28.572.078,86 em contratos firmados. Em 2015, a cifra gasta foi de R$ 18.118.583,07, e, em 2016, de R$ 17.163.450,84. Em 2017, ano pré-eleitoral, novo aumento, indo a R$ 19.132.753,46. Já em 2019, dentro do governo Caiado, os contratos não passaram de R$ 8.188.746,87. Os números estão disponíveis no Portal Goiás Transparente (http://www.transparencia.go.gov.br/portaldatransparencia). Ao todo, o volume total gastos pelas três pastas saltou de R$ 81.840.463,20, em 2014, para R$ 126.832.639,82, em 2017, enquanto que no primeiro ano do governo Caiado esse montante ficou em R$ 21.590.378,57.

A Operação Sofisma foi deflagrada em 23 de janeiro, a partir de uma denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), mobilizando cerca de 100 policiais, com 17 mandados de busca e apreensão cumpridos nas residências dos investigados e em órgãos do governo. A operação se concentrou inicialmente em três blogs: Goiás 24 horas, Canal Gama e Blog do Cleuber Carlos. Houve mandados de prisão requeridos para alguns dos alvos, mas a Justiça os indeferiu. Alguns suspeitos foram intimados e prestaram depoimento, mas até o momento, ninguém foi preso.

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