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Governo e UFG vão replicar tecnologia utilizada na Nasa em Centro de Monitoramento e Previsão Ambientais em Goiás

Como é marca do governo Ronaldo Caiado, uma parceria entre Estado, academia e iniciativa privada deve viabilizar o projeto, que prevê investimentos de até R$ 12 milhões. Governador ressaltou que construção do Centro beneficiará vários setores: ambiental, agropecuário, econômico, entre outros

Uma integração de esforços para construir uma nova forma de monitorar e prever eventos climáticos e ambientais, com mais precisão, no Brasil. Realidade já presente nos Estados Unidos e nos países europeus, essa preocupação norteou a reunião realizada nesta sexta-feira, dia 21, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira. O governador Ronaldo Caiado recebeu o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, demais autoridades de instituições de ensino superior do Estado, uma representante do Ministério de Ciência e Tecnologia e dois pesquisadores goianos, que trabalham há cerca de três anos na Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Em pauta: a construção do primeiro Centro de Estudos, Monitoramento e Previsão Ambientais (Cempa) do País, que deverá ser replicado depois para as demais unidades federativas, como Rio de Janeiro e São Paulo.

O projeto foi viabilizado por meio de parcerias, algo muito recorrente na gestão de Caiado. ”“Sempre defendo a necessidade de o governo interagir diretamente com a academia, para que os resultados e as pesquisas possam ser repassados ao cidadão”, pontuou o governador. Ele ressaltou que a construção do Cempa beneficiará vários setores, como o ambiental, agropecuário, econômico, entre outros.

Caiado: “Sempre defendo a necessidade de o governo interagir diretamente com a academia, para que os resultados e as pesquisas possam ser repassados ao cidadão”

 

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Robson Vieira, adiantou que o Conselho do órgão já aprovou a construção do Cempa e que o Estado deve contribuir com 50% do total de R$ 12 milhões previstos para estruturar o projeto. O restante, informou, será captado junto à iniciativa privada e outras instituições. A expectativa é de que o Centro passe a funcionar em até três anos, sendo que, para 2020, R$ 1 milhão será liberado para a fase de capacitação profissional.

Para o reitor da UFG, as parcerias são fundamentais para a concretização de projetos de pesquisa. “No mundo de hoje ninguém mais faz nada sozinho. É preciso aglutinar infraestrutura, cérebros, disposição de trabalho para a gente resolver os problemas de natureza mais complexa. E aqui não é diferente: fazer previsão climática e ambiental é importante, pois há impactos na saúde das pessoas, na economia e em outras áreas”, detalhou Edward.

E como nasceu essa parceria? Dois pesquisadores goianos – vinculados também ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) –, Karla Longo e Saulo Ribeiro Freitas procuraram há pouco mais de um ano o reitor da UFG com uma proposta ousada: implantar um centro capaz de buscar soluções efetivas e harmônicas para o desenvolvimento do Estado de Goiás, com foco na qualidade de vida das gerações do presente e do futuro.

O próximo passo foi contatar o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Adriano da Rocha Lima, e outros titulares do primeiro escalão do governo, como Antônio Carlos Neto (Agricultura) e Andréa Vulcanis (Meio ambiente). Os secretários apresentaram a proposta ao governador, que chancelou a ideia.

Andréa Vulcanis explicou que existem no Estado mais de 40 estações de observações, que já analisam dados meteorológicos e hídricos, e uma em fase de implantação, que vai monitorar a qualidade do ar. “Acredito no espírito colaborativo, para que possamos oferecer o que já há no Estado para a concretização do Cempa. Temos técnicos e equipamentos que podem ajudar na elaboração de políticas públicas mais eficazes, a partir dos dados coletados”, exemplificou.

Para Adriano da Rocha Lima, o Cempa vai ser essencial para a tomada de decisões corretas. “Tanto para o nosso setor produtivo, da agricultura, como para todas as outras áreas que dependem do bom funcionamento do meio ambiente”, pontuou. O secretário Antônio Carlos Neto referendou o colega e disse que esta sistemática integrativa consolida-se no Estado, com foco no cidadão.

Presente também ao evento, a representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Maria Zaira Turchi, parabenizou o projeto e reforçou que será essencial para todo o Centro-Oeste. “Goiás tem liderança nisso e o ministério reconhece este papel e a importância deste Centro”, afirmou.

Produtos

O laboratório a ser construído tem como objetivo gerar estudos utilizando modelagem numérica e dados de satélite, permitindo gerar com precisão e nível inéditos a previsão do tempo para toda a região Centro-Oeste (intervalos de 5 a 10 dias), cenários climáticos e modelos de produção agroclimáticos, entre outros produtos.

“Nós esperamos desenvolver o projeto piloto, que vai mostrar o potencial de aliar tecnologias modernas de previsão do tempo e clima com informações locais, regionalizadas. Assim, teremos informações mais realistas, mais confiáveis, que possam trazer melhores soluções mitigatórias para problemas ambientais ou de mudanças climáticas”, descreveu o pesquisador Saulo Freitas.

Entre as aplicações possíveis destes dados estão projeções e estudos de potencial hidroelétrico, eólico e de energia solar do Estado de Goiás; apoio ao planejamento de localização de parques industriais; previsão do tempo em caso de desastres naturais e eventos extremos; e determinação de regime de precipitação e carga de água no solo, índices que auxiliam na agropecuária.

Participaram também do evento o secretário Lívio Luciano (Gabinete de Gestão da Governadoria); a vice-reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves; o chefe-geral da Embrapa, Arroz e Feijão, Elcio Perpétuo Guimarães; a pró-reitora da PUC-GO, Milca Severino; e o professor do ITA, Jairo Panetta.  Fonte: Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás /  Fotos: Junior Guimarães

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