Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Grávidas infectadas correm mais risco de desenvolver pré-eclâmpsia

A conclusão é de um estudo da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, publicado na revista Clinical Science

Grávidas infectadas com a Covid-19 correm mais risco de desenvolver pré-eclâmpsia, que é o aumento da pressão arterial persistente durante a gestação. A condição pode trazer graves complicações para a mãe e para o bebê. A conclusão é de um estudo coordenado no Brasil pela professora Dulce Elena Casarini, da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado na revista Clinical Science.

De acordo com a pesquisadora, a presença do novo Coronavírus no organismo das gestantes pode provocar alterações nos níveis de uma enzima que tem funções importantes para a circulação sanguínea na placenta, e também é receptora do vírus. “Por ser também receptora do SARS-CoV-2, [a placenta] acaba promovendo um risco maior em quadros de Covid-19, pois o órgão se torna alvo do vírus assim como o pulmão, os rins e o coração. Vimos nesse trabalho que a resposta varia muito de uma paciente para outra, mas leva, sem dúvida, a formas graves da doença”, disse.

Dulce Elena Casarini destaca que, de acordo com o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 da Fiocruz, as mortes maternas em 2021 já superaram o número de 2020 e o cenário é preocupante. “Em 2020, foram 544 óbitos, com média semanal de 12,1 óbitos, considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas. Até 26 de maio deste ano, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registrados 911 óbitos, com uma média semanal de 47,9 mil óbitos”, destacou.

O estudo mostrou também que a infecção por SARS-CoV-2 durante a gravidez aumenta a probabilidade de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, mesmo entre as mulheres assintomáticas. Quadros graves de Covid-19 também contribuem para o nascimento de bebês prematuros. Novos estudos, que contam com a parceria do Centro Integrado Universitário de Saúde e Serviços Sociais de Montreal, no Canadá, buscam entender a maior disposição de gestantes a contrair o novo Coronavírus e o papel da doença na pré-eclâmpsia. (Daniella Longuinho / Repórter da Agência Brasil)

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