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HMAP está mergulhado na lama mais infecta e virou um antro de corrupção

Pelo menos duas dezenas de agentes da Polícia Civil amanheceram na última quinta-feira, 16, no Hospital Municipal de Aparecida, vitrine agora estilhaçada da gestão do prefeito Gustavo Mendanha – ele mesmo, depois de operações passadas investigando corrupção na condução do hospital, deixou de falar e de propagandear a suposta excelência do estabelecimento.

Em inquéritos anteriores da Polícia Civil, a mulher do secretário municipal de Fazenda, André Rosa, foi flagrada em uma sala despachando exames laboratoriais superfaturados. Sim: Edlaine Rosa estava lá, com as mãos na massa. Intimada a depor, ela e o marido alegaram o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos e permaneceram calados durante os depoimentos. Tudo isso é muito, muito grave, suficiente para manchar qualquer gestão.

Mas Mendanha, na época, não deu um pio. Como não teve a ombridade de se pronunciar sobre a ação policial da última quinta, fingindo que não é com ele, mandando a Secretaria de Saúde emitir uma nota balofa. Mas mantém André Rosa na sua equipe, como gerente do bem fornido caixa da prefeitura e rei das consultorias sem licitação, desafiando as evidências e confiando na impunidade.

Agora, nesse novo inquérito, a Polícia Civil está levantando pagamentos à OS que gerencia o HMAP baseados em notas frias, além da transferência imediata de dinheiro, a cada crédito, para “pessoas íntimas”, conforme a expressão usada pelo delegado que comanda a Operação Parasitas. Quem são elas? No ano passado, foram mais de R$ 800 mil surrupiados, mas o rombo, segundo o delegado coordenador da Operação Parasitas, pode chegar a R$ 6 milhões.

Já escrevi muitas vezes que Aparecida foi tomada pela podridão. Como a oposição foi cooptada via folha de pagamento da prefeitura, o grupo de Mendanha tomou os freios nos dentes e acha que pode tudo. É bom que todos saibam, leitoras e leitores, que a defesa da candidatura própria do MDB em 2022, bandeira do prefeito, não passa de fachada para a sua insatisfação com as investigações, que ele atribui espertamente a uma perseguição do governador Ronaldo Caiado e não às irregularidades que saltam à vista: o secretário de Saúde de Aparecida, Alessandro Magalhães, para quem não sabe, está condenado à prisão por desviar recursos do Hospital Araújo Jorge – logo esse – e só não está na cadeia porque, como todo criminoso, se aproveita da fartura de recursos que a legislação penal do País oferece aos réus, até mesmos os mais depravados. Será que, se por acaso as investigações cessassem, Mendanha apoiaria a aliança do MDB com o DEM?

O HMAP é uma das joias do legado de Maguito Vilela para Aparecida, e por que não, até mesmo para Goiás. Mas a gestão de Mendanha o mergulhou na lama mais infecta. Aos poucos, as sucessivas ações da Polícia Civil estão abrindo a sua caixa-preta e expondo a imundície que não é compatível, de jeito nenhum, com um hospital, caso que é muito mais grave por envolver vidas. Anotem, leitoras e leitores, a corrupção em Aparecida não está só na área de Saúde. Vai muito além. Provavelmente está na raiz das divergências entre Mendanha e Daniel Vilela, podem apostar.

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