Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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Impulsionada pela gasolina, inflação encosta em 2 dígitos após maior alta em 21 anos

Além do combustível, alguns itens de consumo básico do brasileiro também subiram muito acima da média do IPCA

A inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do País, ficou em 0,87% em agosto, segundo dados divulgados ontem, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Puxada pelo aumento do preço da gasolina, esta foi a maior taxa para um mês de agosto desde 2000, embora levemente abaixo dos 0,96% registrados em julho. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 9,68%, a mais alta desde fevereiro de 2016, quando ficou em 10,36%. No ano, o IPCA acumula alta de 5,67%.

Além da gasolina, alguns itens de consumo básico do brasileiro também subiram muito acima da média do IPCA, calculado pelo IBGE. O repolho assumiu o topo da lista da inflação em 12 meses (desde setembro de 2020), com alta de 75,7%, desbancando o óleo de soja (67,7%), que há meses liderava o ranking.

Ainda entre os alimentos, o pimentão subiu 59,5%; o pepino, 59,3%; a abobrinha, 58,4%; e a mandioca (aipim), 41,6%. O prato do brasileiro também ficou mais caro por causa do arroz (32,7%), do feijão fradinho (40,3%) e das carnes em geral (30,8%). Entre as carnes, as que ficaram mais caras no último ano foram: músculo (38,9%), patinho (36,1%), cupim (35,5%), filé-mignon (35,3%) e lagarto comum (34,3%).

Com a pressão desses alimentos, muito consumidos na mesa dos brasileiros, mais que dobrou, também, a inflação sobre a alimentação no domicílio, que passou de 0,78% em julho para 1,63% em agosto. No lado oposto, a cebola e o arroz se destacaram entre os produtos que registraram queda de preços em agosto – respectivamente, de -3,71% e -2,09%.

Já a inflação sobre a alimentação fora do domicílio acelerou ainda mais, ficando em 0,76% em agosto – cerca de 5 vezes maior que a de julho, de 0,14%. Essa alta se deve, sobretudo, ao aumento no preço médio do lanche (1,33%) e da refeição (0,57%), cujos preços haviam subido, respectivamente, 0,16% e 0,04% no mês anterior. Para as famílias com renda de um salário mínimo, o preço da cesta básica de alimentos chega a consumir 65,32% dos ganhos mensais.

O botijão de gás, essencial para a cozinha de milhões de famílias, subiu 31,7% na média nacional. A energia elétrica residencial acumula alta de 21,1% desde setembro de 2020. A alta reflete o acionamento de usinas termelétricas e a importação de energia para compensar a baixa produtividade das hidrelétricas nacionais, que enfrentam uma crise por causa da seca.

Desde março, o indicador acumulado em 12 meses tem ficado cada vez mais acima do teto da meta estabelecida pelo governo para a inflação deste ano, que é de 5,25%. O IBGE destacou que, em agosto, o indicador acumulado em 12 meses ficou acima de 10% em oito das 16 regiões pesquisadas. A inflação está cada vez mais disseminada, ou seja, atingindo cada vez mais itens de consumo do brasileiro. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para a composição do IPCA, oito registraram aumento de preços em agosto.

 

COMBUSTÍVEIS SÃO OS VILÕES DA INFLAÇÃO

O índice de difusão é um indicador que reflete o espalhamento da alta de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Ou seja, em agosto a inflação impactou 271 itens daquela cesta. Os combustíveis foram os ‘vilões’ da inflação em agosto, com destaque para a gasolina. Segundo o IBGE, a alta foi de 2,96%, acima dos 1,24% do mês anterior. Só a gasolina, com alta de 2,80%, foi responsável por 0,17 ponto percentual da inflação mensal, sendo o item com o maior impacto individual sobre o índice. Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês. “O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras”, disse em nota o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida. Almeida destacou que “o dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol, de 40,75%, e o diesel, de 28,02%.

 

Dieese: salário mínimo em agosto deveria ter sido de R$ 5.583,90

Para garantir condições básicas, uma família de dois adultos e duas crianças deveria ter um salário equivalente a mais de R$ 5.500, mostrou a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada na última quarta-feira, 8, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa, que é realizada mensalmente pela entidade, apontou que o custo médio da cesta básica aumentou em 13 capitais e diminuiu em quatro.

O governo federal encaminhou ao Congresso, no último dia 31 de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022. O texto prevê que o salário mínimo passe dos atuais R$ 1.100 para R$ 1.169, uma alta de 6,27%. Para a correção, o governo considera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deve ficar em 6,2% em 2022. Ou seja, a projeção para o reajuste do mínimo repõe apenas a inflação, sem aumento real.

Com base na cesta mais cara, o Dieese calculou que o salário mínimo para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 5.583,90, valor que corresponde a 5,08 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100. Para conseguir pagar a cesta, um trabalhador precisaria trabalhar por 113 horas e 49 minutos, segundo a entidade. Na comparação entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o preço conjunto dos alimentos básicos registrou alta em todas as capitais que fazem parte do levantamento. (Por Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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