Quarta, 21 de Abril de 2021
21 de Abril de 2021
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Inoperância e candidatos novatos ameaçam reeleição da atual bancada

Distanciados das suas bases políticas no Estado, os 17 parlamentares que representam Goiás em Brasília vão pagar o preço da inoperância

Inoperância do Congresso, o que provoca desgastes junto à população, preocupa os 17 deputados federais de Goiás que pretendem passar novamente pelo crivo nas urnas nas eleições do ano que vem.

Nos últimos anos, o Congresso Nacional não caminhou com uma agenda positiva – reformas política, administrativa e tributária – e acabou se perdendo em ações fisiológica, a maioria comandadas pelo Centrão – grupo de partidos que praticam o chamado “toma lá, dá cá” votando sempre em troca de cargos no governo federal.

Todas as pesquisas revelam baixa popularidade dos membros do Congresso junto aos diversos segmentos da sociedade brasileira, o que deveria servir de alerta aos 17 parlamentares federais goianos. A tentativa de reeleição em 2022 poderá não ser tranquila, como muitos imaginam.

A bancada federal de Goiás é composta pelos seguintes deputados: Magda Mofatto (PL), Flávia Morais (PDT), Professor Alcides (PP), José Nelto (Podemos), José Mário (DEM), Zacharias Calil (DEM), Rubens Otoni (PT), Célio Silveira (PSDB), Elias Vaz (PSB), Delegado Waldir (PSL), Francisco Jr (PSD), João Campos (Republicanos), Glaustin da Fokus (PSC), Adriano do Baldy (PP), Major Vitor Hugo (PSL) e Lucas Vergílio (Solidariedade).

Para piorar as expectativas, de uma eleição para outra, há uma tradição em Goiás de renovação em torno de 50% para o Congresso Nacional. Nesse sentido, já há um forte movimento no cenário político estadual, antecipando o lançamento de candidatos “novatos” que estão se preparando para o embate eleitoral de 2022 em busca de uma cadeira na Câmara.

Entre eles, estão Marconi Perillo (PSDB), Lissauer Vieira (PSB), Hélio de Sousa (PSDB), Osvaldo Zilli (sem partido), Iso Moreira (DEM), Adriana Accorsi (PT), Jefferson Rodrigues (Republicanos), Paulo Cezar Martins (MDB) e Major Araújo (PSL), entre outros.

É bom lembrar que a disputa para a Câmara Federal (como costuma ser também para a Assembleia Legislativa) acaba sendo definida a favor dos candidatos que contam com maiores recursos financeiros – próprios ou oriundos do Fundo Eleitoral Partidário. É por isso que os políticos brigam com facas nos dentes pelo controle dos diretórios estaduais dos seus partidos, o que assegura o acesso ilimitado às verbas milionárias de campanha oferecidas pelo Fundo Partidário.

Renovação do Legislativo é um fenômeno cada vez mais presente

Em geral, os eleitores brasileiros não sabem como funciona o sistema político nem pesquisam sobre os candidatos, diz Joyce Luiz, pesquisadora do Núcleo de Instituições Políticas e Eleições do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

“Os cidadãos não entendem que possuem um papel ativo na política, ignorando que a escolha de representantes no Executivo e no Legislativo traz consequências não só individuais, mas coletivas”, afirma a pesquisadora.

Na média, o brasileiro vota por impulso e não com base em uma escolha racional, acrescenta Raquel Ramos Machado, professora de Teoria da Democracia da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará.

“Isso faz com que a política se torne um espaço de mais manipulação e menos realização dos anseios da sociedade”, acrescenta a professora.

É o distanciamento entre o que pensa o eleitor e como agem os políticos, principalmente os parlamentares do Congresso Nacional, que provoca surpresas nas urnas, a cada eleição.

Vem daí a renovação das bancadas legislativas, um fenômeno a cada pleito mais presente no Brasil.

Helton Lenine

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