Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Insegurança alimentar está na casa de centenas de aparecidenses

Preocupação com a falta de alimentos tem tirado o sono de pais e mães de família, que ainda têm que lidar com a ineficiência do poder público municipal

Ainsegurança alimentar marca a vida de milhares de cidadãos aparecidenses. De acordo com dados de 2020 da Secretaria Municipal de Assistência Social, há cerca de 40.000 famílias cadastradas no CadÚnico, banco de dados do governo federal que coleta informações sobre famílias de baixa renda para inclusão em programas de assistência social, a exemplo do Bolsa Família. No Portal da Transparência do governo de Goiás constam 12.150 cidadãos contemplados em Aparecida. O valor de cada benefício é de R$ 41,00 e cada família pode acumular até cinco benefícios por mês, chegando a R$ 205,00.
Segundo a Prefeitura de Aparecida, desde o início da pandemia, uma mobilização para a arrecadação de alimentos está sendo feita para atender as milhares de famílias em vulnerabilidade social. Porém, percebe-se que a fome está presente na casa de muitos cidadãos, que não sabem o que vão comer no dia seguinte.
Com 590.146 habitantes, a cidade, mesmo tendo boa perspectiva demográfica, com bom mercado de trabalho, esconde as desigualdades internas, conforme apontou o estudo de vulnerabilidade feito pelo Instituto Mauro Borges em 2018. A insegurança alimentar consiste em não ter comida para o dia de amanhã ou lidar com a incerteza de que não terá para o próximo mês. O déficit nutricional e questões como moradia, vestuário, serviços sanitários, entre outros, estão presentes na realidade de centenas de aparecidenses.

Amontoado
A pesquisa diz que a cidade possui um grande índice de imigração que provoca amontoados em bairros periféricos, onde moram até quatro famílias no mesmo lote. Esse é o caso da Carla Regina, residente no Setor Independência Mansões. Ela conta que todos os adultos da casa estão à procura de emprego, ou se virando como podem. Os programas sociais, como o Bolsa Família, gerenciado pela pasta municipal de Assistência Social, são a única renda dos parentes de Carla.

Comida insuficiente
Desempregada, Carla Regina disse ao Diário de Aparecida que para prover o alimento a ela, aos dois filhos, de 5 e 6 anos, e à mãe, de 61 anos, ela conta apenas com a ajuda do Bolsa Família, que durante a pandemia está com um valor um pouco maior devido ao Auxílio Emergencial. A paraense de 27 anos mora com mais quatro famílias, todos parentes, em um mesmo lote há mais de oito anos. Segundo Carla, em seu bairro há dezenas de famílias com restrições de moradia e alimentação, como é o caso dela.
“Há anos não sabemos o que é ter os 30 dias do mês com mesa farta. Estamos acostumados a almoçar ou só jantar. Aqui em casa, ninguém faz três refeições por dia, porque nunca há comida que dê para isso”, contou Carla, que pediu resguardo de sua imagem.
Já Enivaldo de Paula se vê obrigado a morar, há dez anos, no mesmo lote da casa dos pais, localizado no Setor Serra Dourada III. Com esposa, quatro filhos pequenos, entre 12 e 2 anos, e mais dois sobrinhos menores, o servente de pedreiro, que não tem emprego formal e faz bicos pela região, diz que a insegurança alimentar é rotina na vida da família.
“A coisa piorou depois da pandemia. A gente recebe o Auxílio Emergencial, mas nem de perto dá para comprar comida para os 30 dias do mês. Minha mulher foi demitida por causa da pandemia. Infelizmente, somos obrigados a pedir ajuda na igreja para não passarmos fome. Todo mês é uma luta. A gente se sente humilhado e sem saída”, desabafou Enivaldo, que também pediu para não ser fotografado.

Prefeitura afirma que alta vulnerabilidade social na cidade é combatida com a ajuda dos próprios cidadãos

“A Prefeitura de Aparecida, por meio da Secretaria de Assistência Social, realiza desde o início da pandemia do coronavírus uma mobilização de solidariedade para atender as famílias em alta vulnerabilidade social. Já foram distribuídas mais de 10 mil cestas básicas entre abril e dezembro [do ano passado]. Informa que neste ano a mobilização para arrecadar alimentos envolveu todas as secretarias e servidores municipais, que doaram alimentos ou cestas completas para a pasta fazer a destinação para as famílias necessitadas. Os servidores seguiram o exemplo do prefeito Gustavo Mendanha, que doou todo o seu salário do mês de março para a compra de cestas. No total, já foram entregues à Assistência mais de 2,4 mil cestas básicas, que estão sendo entregues, desde a última segunda-feira, 12 de abril, às famílias cadastradas na secretaria. A prefeitura ressalta ainda que está mobilizando a população, que está recebendo a vacina contra a Covid-19 nos drives da Cidade Administrativa e do Aparecida Shopping, por meio da campanha Vacina Contra a Fome, para que doe alimentos que também serão destinados às famílias carentes. Além dessa campanha, a Secretaria de Assistência Social mantém em funcionamento permanente a rede de atenção às pessoas mais vulneráveis, por meio dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras), localizados em várias regiões da cidade, que realizam o cadastramento de famílias e buscam inseri-las em programas sociais como o Bolsa Família.”

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