Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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Iris, candidato a senador? Pode ser, mas pode também não ser

Apesar de incentivado pelo governador Ronaldo Caiado a se desaposentar para disputar uma vaga no senado, ex-governador e ex-prefeito de Goiânia adia qualquer definição

Mesmo aposentado da vida pública, decisão que anunciou no ano passado, o ex-governador por duas vezes e ex-prefeito de Goiânia por quatro mandato, Iris Rezende (MDB), 87 anos de idade, está sendo incentivado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) e lideranças políticas do MDB a retomar as atividades políticas, concorrendo ao Senado nas eleições de 2022.

Iris não interrompeu as conversas políticas, pois comparece quase que semanalmente ao seu escritório do setor Marista, em Goiânia, para receber autoridades, parlamentares, dirigentes partidários e correligionários. “Ele tem cheiro de povo, não consegue ficar longe das pessoas”, diz Nailton de Oliveira, ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás e ex-presidente do MDB de Goiás.

Nesta semana, por exemplo, Iris recebeu, em seu escritório, nesta segunda-feira, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), que o procurou para antecipar as discussões sobre as eleições de 2022. Iris conversou bastante, mas não abriu brechas para dar corda para Mendanha, que foi obrigado a ouvir calado histórias sobre plantação de soja e criação de gado nelore, atividades a que o velho cacique emedebista se dedica nas suas fazendas. Para 2022, é notória a preferência de Iris pela reeleição de Caiado. Ele tem passado essa mensagem a todos que o procuram, inclusive ao presidente estadual do MDB Daniel Vilela.

Na terça, 11, Iris tomou café da manhã, no Palácio das Esmeraldas. No cardápio, teve de tudo: acerto para visita do governador à fazenda Canarana, em Mato Grosso, conselhos sobre o cronograma de obras do governo de Goiás e também sobre apoio às faixas mais carentes da população – Caiado iniciou nesta a semana a distribuição de mais 250 mil cestas básicas para as famílias em situação de vulnerabilidade em Goiás.

O líder do MDB evitou tratar de assuntos políticos, principalmente sobre uma eventual candidatura ao Senado, na chapa de Caiado, que vai concorrer à reeleição. Iris não dá sinais de que quer voltar à atividade política nem que não quer. A coluna Giro, de O Popular, informa que familiares do ex-prefeito veem com “bons olhos” uma candidatura de Iris ao Senado nas eleições de 2022. A coluna, porém, não revela a fonte, ou seja, o familiar que transpirou a informação favorável ao retorno de Iris à vida pública.

O meio político goiano sabe que imprevisibilidade é a única certeza quanto se trata de Iris Rezende. Ele só anuncia decisão sobre concorrer ou não aos “apagar das luzes”, ou seja, às vésperas das convenções partidárias. Mesmo com idade avançada, não será surpresa se Iris decidir retornar à vida política e concorrer novamente ao Senado. O governador não quer antecipar decisões sobre alianças partidárias e escolha de candidatos majoritários em sua chapa, pois a data para as convenções – final de julho de 2022 – está distante. O governador, entretanto, tem informação de que mais de 15 partidos gravitam em torno do DEM para aliança e coligação às eleições do ano que vem.

Quem conversa com Iris, em seu escritório, sai com a convicção que o ex-prefeito estará no palanque de Ronaldo Caiado em 2022, independente do futuro do MDB. O ex-prefeito tem dito que o democrata realiza uma administração elogiável, com prioridades nas áreas de saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, com destaque também para o combate à corrupção. Iris e Caiado estão juntos na política desde 2014, quando o emedebista disputou o governo de Goiás e o democratas postulou vaga ao Senado. De lá para cá, os dois não se separaram, sempre com reconhecimento público e elogios mútuos. Até 2014, Iris e Caiado atuavam distantes da política.

Mendanha foi “driblado” e acabou conversando só sobre soja e nelore

O prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, quis usar Iris Rezende para ganhar visibilidade na política estadual, aparecendo como articulador do MDB para as eleições de 2022, mas acabou levando um baile do velho cacique emedebista. Mendanha procurou Iris na última segunda-feira, em seu escritório político, em Goiânia, mas foi “driblado” pelo ex-prefeito de Goiânia, que não permitiu a abordagem de temas sobre as eleições do ano que vem e gastou o tempo da reunião contando casos das suas fazendas e da sua trajetória.
Iris, que pode ou não ser candidato ao Senado, tem evitado tratar de assuntos eleitorais com qualquer interlocutor, por mais importante e influente que seja. Menos ainda com alguém considerado liderança menor como Mendanha. Ele recebe cordialmente lideranças políticas, mas não admite conversas sobre candidaturas ou eleições futuras.
Mendanha esperneia para estadualizar o seu nome, hoje restrito a Aparecida. Ele tem 98% de desconhecimento fora dos limites do município. Apesar da pandemia, o prefeito resolveu abrir uma agenda de contatos políticos, ora defendendo candidatura própria do MDB a governador, ora admitindo uma composição com o governador Ronaldo Caiado.
Enquanto Mendanha se expõe e se desgasta, o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, se preserva, também evitando falar em 2022 e concordando com Caiado quanto à tese de que o momento oportuno para discutir política será o ano que vem. Desde já, no entanto, a decisão de Iris sobre uma candidatura ou não ao Senado é um complicador para o futuro do MDB em Goiás: aceitando o desafio, não haveria espaço para a indicação de outro nome do partido na chapa de Caiado, o que obrigaria Daniel Vilela, se quiser um mandato, a se candidatar a deputado federal.
Mendanha pouco pode contribuir com o encaminhamento desse processo. Ao encontrar Iris e ao ser “despistado”, sendo obrigado a ouvir rememórias e outras distrações, o prefeito de Aparecida saiu menor do que entrou – deixando claro que há uma falta de rumo quanto ao seu projeto para assumir algum tipo de comando sobre o MDB estadual. O mais certo, para Mendanha, é a conclusão de seu mandato de prefeito de Aparecida, adiando para 2026 qualquer pretensão de voo mais alto na política goiana, isso se sobreviver até lá.

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