Política

Major Vitor Hugo pode endurecer o jogo e “cancelar” traidores do PL

Deputados que apoiavam Mendanha correm risco de não ter a candidatura registrada em convenção caso não se alinhem com o candidato do presidente Bolsonaro em Goiás

Major Vitor Hugo

Da Redação

 

O PL, primeiro partido político que anunciou apoio à candidatura do ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha ao governo do Estado, mas depois recuou e hoje apresenta o deputado federal Major Vitor Hugo como concorrente ao Palácio das Esmeraldas, deve passar por uma crise profunda em Goiás, nas próximas semanas.

Se optar pela linha dura, como, aliás, é o seu estilo, o Major Vitor Hugo, que assumiu a presidência estadual da legenda, tendo o candidato a senador na sua chapa Wilder Morais como vice, acabará partindo para a expulsão dos deputados infiéis, isto é, aqueles que estão no PL, mas apoiam – embora com discrição, ultimamente – o ex-prefeito de Aparecida.

Além da expulsão, existe outra alternativa para a punição dos parlamentares que estão traindo Vitor Hugo: na convenção partidária, prevista para o período entre 20 de julho e 5 de agosto, simplesmente excluir os nomes desses dissidentes da lista de candidaturas aprovadas pelo PL. As consequências serão drásticas, ou seja, eles não poderão registrar suas postulações na Justiça Eleitoral e, portanto, não poderão ser candidatos.

Dos chamados deputados mendanhista que estão no PL, apenas um, o federal Prof. Alcides, se acertou com o Major Vitor Hugo. Ele se encontrou com o militar bolsonarista e anunciou uma fórmula conciliatória, que parece ter sido acatada: apoiará Mendanha em Aparecida, mas, no resto do Estado, fechará com o Major. Ambos posaram sorridentes para as fotos e deu-se de barato que estão entendidos.

Magda Mofatto, a outra deputada federal do PL que apoiava o ex-prefeito aparecidense, perdeu a presidência do partido para Vitor Hugo, entregou o cargo tirando (seu marido Flávio Canedo era o presidente) e tem se mantido à distância do candidato.

Também não aparece mais com Mendanha, que, contudo, continua usando seus aviões e helicóptero, além de ter ajudado a abrir uma fenda na base de apoio de Prof. Alcides em Aparecida, com a defecção de 12 vereadores – sob as suas bênçãos – para a campanha de Mofatto.

Ninguém corre mais risco de ser expulso ou ter a aprovação da candidatura negada pelo PL do que ela, que vai disputar a reeleição para a Câmara Federal. O apoio a Mendanha teria, assim, o preço muito elevado, encerrando a carreira política de uma das mais ricas empresárias de Goiás, atuante no ramo de hotéis em Caldas Novas.

O PL tem mais dois candidatos teoricamente fortes a deputado federal – Gustavo Gayer e Paulo Trabalho. Ambos, contudo, perfeitamente afinados com o Major Vitor Hugo, com os quais se identificam no radicalismo da militância bolsonarista.

Na área dos deputados estaduais, são três os nomes do partido: Paulo Cezar Martins, Major Araújo e Cláudio Meirelles. Todos, inicialmente, pró-Mendanha, mas, com o fracasso do ex-prefeito em conseguir uma legenda para se filiar e ao seu grupo, obrigados a recorrer ao PL, o único partido de pote em Goiás onde estariam livres da influência do governo do Estado, ao qual, como Mendanha, fazem oposição.

Na grande reunião do PL na Chácara Engenho, em Goiânia, há poucos dias, com a presença poderosa do presidente nacional Valdemar da Costa Neto, dois estiveram presentes (Paulo Cezar e Major Araújo) e um faltou (Cláudio Meirelles). Os dois primeiros afastaram-se de Mendanha e, em especial o Major Araújo, têm se esforçado para demonstrar sintonia com a campanha de Vitor Hugo. Cláudio Meirelles mantém-se em silêncio.

Ocorre que Meirelles acredita, assim como Magda Mofatto, que o Major não vai decolar. Na época das convenções, prevêem, continuará patinando nas pesquisas e será pressionado a desistir, mesmo porque tem a oportunidade de conquistar com facilidade a reeleição para a Câmara Federal e garantirá um lugar no palco da política nacional. Nesse momento, eles – Magda e Meirelles – acreditam que o PL goiano se inclinará para a sua vocação inicial, que é apoiar Mendanha.

Simples assim? Não. Caso Major Vitor Hugo insista na candidatura a governador, ele poderá concluir que a quinta coluna dentro do PL será prejudicial para o seu projeto e se decidir por uma reação radical, ou expulsando ou recusando legenda para qualquer um dos deputados que não mostrar fidelidade à sua campanha. Ele, Vitor Hugo, já falou nesse assunto. Diz que não está em cogitação. Mas, sintomaticamente, admitiu que é uma possibilidade.

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