Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Max Menezes, o azarento

Filho de tradicional político de Aparecida de Goiânia, engenheiro civil e ex-vereador raspou a trave na eleição de 2018 para a Assembleia Legislativa e agora não consegue assumir no lugar de Humberto Aidar

Max Santos de Menezes, 40 anos (nasceu em 1981), engenheiro civil e ex-vereador por Aparecida de Goiânia, filho do ex-prefeito Ademir Menezes, amarga um período de “azar” na política: raspou a trave na disputa por vaga à Assembleia Legislativa em 2018 – quando ficou na primeira suplência da bancada do MDB com espetaculares 30.389 votos. O partido elegeu três parlamentares: Bruno Peixoto, Paulo Cezar Martins e Humberto Aidar. Azarento, de acordo com o dicionário, é uma pessoa que tem azar, má sorte, azarado.

Outro momento de “amargura” de Max Menezes: com nome certo para indicação à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), com a aposentadoria de Nilo Resende, Humberto Aidar retarda a sua renúncia de mandato parlamentar, o que deverá ocorrer apenas em dezembro ou janeiro de 2022. Assim, o mandato de Max Menezes, que poderia ter a extensão de um ano e meio, ficará restrito, quem sabe, a apenas 12 meses, se uma nova onda de má sorte não sobrevier.

O comportamento do prefeito Gustavo Mendanha de assumir papel de oposição ao Palácio das Esmeraldas contribuiu com o “mau humor” de Aidar em renunciar ao mandato ainda este ano. A atitude de Mendanha, portanto, prejudica Aparecida de Goiânia, que segue sem representante na Assembleia Legislativa. Anápolis, que é a 3ª cidade de Goiás em população, tem três deputados: Amilton Filho (SD), Coronel Adailton (PP) e Antônio Gomide (PT). Rio Verde, com muito menos habitantes que Aparecida, tem três: Lissauer Vieira (PSB), Chico KGL (DEM) e Karlos Cabral (PDT).

Max Menezes deixou de conquistar, em 2018, com facilidade, uma cadeira de deputado estadual – ao trocar o PSD pelo MDB – para integrar o grupo político de Daniel Vilela e Gustavo Mendanha. Como prêmio de consolação, foi nomeado secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Aparecida de Goiânia e se apresenta novamente como pré-candidato à Alego, ano que vem, com apoio declarado de Mendanha.

Menezes tem DNA político, pois desde criança acompanhava as movimentações do pai, o ex-prefeito e ex-vice-governador Ademir Menezes, que construiu uma longa carreira em Aparecida. Ele é engenheiro civil, foi secretário de Infraestrutura do Governo José Macedo (PSDB) e, antes de chegar ao serviço público e à Câmara Municipal, onde exerceu um mandato de vereador, atuava como empresário na construção civil.

Gustavo Mendanha não se empenhou em 2018 para que Aparecida de Goiânia conquistasse uma ou duas vagas à Assembleia Legislativa, pois permitiu a proliferação de candidaturas baseadas na cidade. Quem perdeu foi o município, que não tem voz no Parlamento estadual.

 

Ademir Menezes, o político aparecidense que foi mais longe na política estadual

Ademir Menezes, pai de Max Menezes, dominou a política de Aparecida de Goiânia por 12 anos: foi prefeito por duas vezes e elegeu o sucessor, o apagado José Macedo. Sempre comandou a política com “mão de ferro”: não tolerava os adversários, o que o fez ser chamado de “coronel” por eles. Foi responsável por importantes obras de vias estruturantes e construção de polos que atraíram dezenas de empresas, gerando empregos e renda. Ademir não fazia concessão aos adversários. Certa vez, mandou fechar o gabinete de seu vice-prefeito, Ozair José, por não aceitar as divergências com o antigo aliado político, que ambicionava sucedê-lo na prefeitura. Ozair ficou sem sala para despachos e sem função administrativa na Prefeitura de Aparecida. Ozair e Ademir nunca mais foram companheiros políticos. Ademir foi também vice-governador na chapa de Alcides Rodrigues, em 2006, mas teve desempenho discreto no cargo, já que o governador não abria espaço para ele e seu grupo no governo. Em seguida, elegeu-se deputado estadual em 2010. Em 2012, disputou a Prefeitura de Aparecida de Goiânia contra Maguito Vilela (MDB), e perdeu. Logo em seguida, encerrou a carreira política para prosseguir com as atividades de pecuarista no Pará.

 

Delegado Waldir: “Mendanha não será candidato a governador, não”

Presidente estadual do PSL, o deputado federal Delegado Waldir afirma que nunca promoveu qualquer encontro entre o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar – também deputado federal –, e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB). O deputado afirma que tem dialogado com o emedebista, mas ressalta que o PSL goiano não declarou apoio a nenhum candidato ao governo. “O Gustavo não é candidato ao governo”, destaca.

O deputado federal diz que conversar com Gustavo Mendanha e com o governador Marconi Perillo é “algo normal’’. Isso faz parte da política. O PSL busca uma vaga ao Senado e para isso o partido precisa conversar com todos os atores políticos”, sublinha.

Waldir lembra que esteve “várias vezes” com Gustavo Mendanha e com o governador Ronaldo Caiado, “todas a convite deles”. Em encontro em Aparecida de Goiânia com o prefeito Gustavo Mendanha, realizado no dia 20 de maio, o presidente do PSL disse que lá estavam também outros gestores municipais de vários partidos e “não apenas do PSDB”. “Era uma reunião pluripartidária, uma reunião organizada pelo Talles Barreto, que já sinalizou que está indo para o DEM.”

Delegado Waldir também destaca que o PSL é um partido forte, com a maior bancada no Congresso e com o maior fundo partidário. “Eu ajudei a eleger o presidente e o governador que está aí. Tem muita gente que está com ele agora que não estava nas eleições dele. Mas eu estava”, finaliza.

O dirigente espera que o bloco liderado pelo governador Ronaldo Caiado avalie a sua pré-candidatura ao Senado. “Eu fui eleito deputado federal por duas vezes com votações expressivas. Tenho trabalho em defesa de Goiás na Câmara e o PSL tem força política em todo o Estado.”

Delegado Waldir acha que as candidaturas majoritárias – governador, vice e senador – não serão definidas com tanta antecedência. “As alianças são firmadas pelos partidos às vésperas das convenções, que vão ocorrer no final de julho e início de agosto do ano que vem. Até lá, as conversas vão ocorrer, mas sem definições.”

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