Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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MDB dá sinais de dificuldades para superar a morte de Maguito

Principal partido de oposição em Goiás está à deriva depois de perder uma das suas maiores lideranças, levada pela Covid-19

Desde 13 de janeiro, quando faleceu o ex-governador e ex-prefeito de Goiânia e Aparecida Maguito Vilela, o MDB, hoje comandado pelo seu filho, Daniel Vilela, vive um esvaziamento nos dois principais colégios eleitorais do Estado.
Por ter exercido por duas vezes o cargo de prefeito de Aparecida, eleito o seu sucessor, Gustavo Mendanha, e de forma surpreendente ter ganho a eleição para suceder Iris Rezende em Goiânia, Maguito representava uma das “chamas” do partido em Goiás.
Com a sua morte, o MDB aprofundou a sua crise interna, agravada com o rompimento formal e definitivo com o prefeito Rogério Cruz na Capital e também pela letargia da gestão de Gustavo Mendanha em Aparecida.
Desde 2018, o MDB vem passando por um processo de enfraquecimento em Goiás, embora seguindo como principal partido de oposição ao governo do Estado. Naquele ano, o MDB sofreu uma derrota histórica: não elegeu governador, senador e deputado federal, conseguindo apenas quatro dos 41 parlamentares estaduais.
Em 2020, prosseguiu o drama emedebista, que viu cair de 43 prefeitos para apenas 29 o número de municípios administrados pelo partido. Também foi drástica a redução de vereadores pelo interior afora.
Em 2018, Maguito Vilela chegou a ser lembrado por Ronaldo Caiado para ser candidato ao Senado da República em sua chapa, mas o líder emedebista foi atropelado pelo próprio filho, Daniel, que não abriu mão de concorrer ao governo de Goiás – candidatura que, mesmo naquele momento, era considerada suicida, como de fato foi.
Em 2020, Maguito chegou a acenar uma aproximação política com Ronaldo Caiado, ao lançar a sua pré-candidatura à Prefeitura de Goiânia, mas foi novamente atropelado pelos emedebistas anti-Caiado. Se o MDB tivesse se aliado ao DEM, Maguito teria aberto as portas para uma composição política entre os dois partidos para as eleições de 2022 – o que ainda pode acontecer.
Mas veio a tragédia inesperada: o desaparecimento de Maguito Vilela atingiu o MDB, já que, se tivesse assumido a Prefeitura de Goiânia, estaria preservando o espaço da legenda no principal colégio eleitoral do Estado, até então dominado pelo prefeito Iris Rezende.
O rompimento do MDB com Rogério Cruz e a perda dos cargos mais importantes no Paço Municipal enfraqueceram o partido e também a liderança de Daniel Vilela, hoje contestada, por exemplo, pelo deputado estadual Paulo Cezar Martins, vice-presidente da executiva da legenda no Estado. Os seis vereadores emedebistas em Goiânia também não acompanham a orientação de Daniel.
Sem rumo e sem perspectiva de poder para 2022 – o próprio Daniel Vilela antecipa que estará fora da disputa pelo Palácio das Esmeraldas –, o MDB vê a sua divisão interna se aprofundando. Como consequência, Paulo Cezar Martins já se posiciona como adversário de Daniel Vilela em uma eventual disputa pelo comando do partido, cuja eleição não tem data marcada.
Por que Maguito Vilela faz falta ao MDB? Ele e Iris Rezende representavam as duas forças políticas tradicionais e poderosas do emedebismo, com vários mandatos conquistados e com expressiva representatividade junto aos diversos segmentos da sociedade goiana.
Sem Maguito e Iris, que anunciou aposentadoria política em dezembro do ano passado, aos 87 anos e com diversos mandatos eletivos, o MDB segue cambaleante, fora do radar, já que não tem nomes competitivos para as eleições majoritárias (governador e senador) de 2022.
Daniel Vilela quer continuar à frente do MDB de Goiás e anuncia que, a partir de janeiro, vai percorrer o Estado para estruturar a legenda visando às próximas eleições. Ele não antecipa alianças nem composições políticas, mas deixa claro: quer distância do PSDB do ex-governador Marconi Perillo, descarta disputar novamente o Palácio das Esmeraldas e admite se sentar com Caiado para discutir apoio à reeleição do governador.

Carreira vitoriosa não foi abalada pelas duas derrotas

O advogado Maguito Vilela, natural de Jataí, no Sudoeste Goiano, teve uma carreira política vitoriosa em Goiás, a exemplo de seu companheiro de MDB, Iris Rezende. Não foram abalados nem mesmo pelas eventuais derrotas que sofreram nas urnas.
O primeiro mandato eletivo de Maguito foi o de vereador em Jataí, na década de 1970, pela antiga Arena – partido de sustentação do regime militar –, já que seguia a liderança política do então deputado federal José de Assis.
Em seguida, na década de 1980, elegeu-se deputado estadual já pelo MDB de Iris Rezende, Henrique Santillo e Mauro Borges. Foi líder do Governo Iris na Assembleia Legislativa, de onde saltou para conquistar um mandato de deputado federal, tendo Jataí e os municípios da região Sudoeste como principais colégios eleitorais, chegando, inclusive, a participar da Assembleia Nacional Constituinte que promulgou a Constituição de 1988.
Em 1990, integrou a chapa de Iris Rezende como candidato a vice-governador. Na sequência, foi escolhido candidato ao governo de Goiás, sempre pelo MDB, derrotando internamente figuras tradicionais do partido, como Nion Albernaz, Naphtali Alves e Haley Margon Vaz.
Nas urnas, derrotou nomes como os de Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia. Porém, em 1998, Maguito abriu mão de concorrer a uma reeleição tida como tranquila na época, para o governo de Goiás, preferindo disputar e conquistar uma cadeira no Senado.
Maguito perdeu duas eleições para o governo de Goiás: em 2002, quando o vencedor foi o governador Marconi Perillo, e em 2006, quando Alcides Rodrigues, poste de Marconi, foi o vitorioso.
Nas eleições de 2008, Maguito foi eleito prefeito de Aparecida de Goiânia, sendo reeleito em 2012. Em Aparecida, Maguito deu uma “chacoalhada” na gestão, sepultando a imagem de “cidade-dormitório”, com o incentivo e atração de indústrias para a geração de empregos e renda.
Em 2020, com a desistência de Iris Rezende de concorrer à reeleição, Maguito foi convocado pelo MDB para disputar o pleito à Prefeitura de Goiânia. A falta de cuidados preventivos em plena pandemia o levou à contaminação pela Covid-19. Mesmo internado em estado grave em um hospital em São Paulo, venceu as eleições contra o senador Vanderlan Cardoso (PSD). A vitória, no final das contas, acabou se transformando na derrocada do seu partido, o MDB.

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