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Mendanha faz leilão para a vice e Senado na disputa pelo governo

Antes mesmo de se desfiliar do MDB e admitir oficialmente a sua candidatura ao governo de Goiás, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, já promove um leilão para os cargos majoritários (vice-governador e senador) em sua eventual chapa às eleições de 2022, caso tenha coragem de renunciar ao seu mandato municipal.
Com a intenção de se filiar ao Republicanos, Mendanha assegurou ao deputado federal João Campos, presidente do partido em Goiás, a vaga para a disputa ao Senado. Assim, o Republicanos teria dois cargos na chapa majoritária de sua coligação: o prefeito e o deputado. Em uma canetada só, Mendanha dispensou Alexandre Baldy (PP), Henrique Meirelles (PSD) e Delegado Waldir (PSL), também pretendentes à disputa da única vaga ao Senado.
O leilão de Mendanha prossegue: a vice deverá ser destinada à deputada estadual Lêda Borges (PSDB) ou a Magda Mofatto (PL), já que o ainda prefeito quer uma mulher na chapa majoritária. Um apoiador de Gustavo Mendanha para governador afirma que o ex-ministro Alexandre Baldy está fora de seus planos para ser candidato a senador. Ele já teria fechado um acordo com o deputado federal João Campos, do partido Republicanos.
Tal aliado afirma que, como o ex-governador Marconi Perillo estará na campanha de Mendanha, como coordenador formal ou informal, não há como colocar Baldy, ainda mais na chapa majoritária. “Como defender um discurso moralizador se se tem no palanque dois políticos que, certo ou errado, foram presos? Basta ficar com um deles, Marconi, que tem mais experiência política e estrutura em todo o Estado. Marconi pelo menos não irá figurar na chapa majoritária.”
O fato é que Gustavo teme ficar a campanha toda explicando por que ‘fulano’ e ‘sicrano’ foram presos. Outro “dispensado” por Mendanha, segundo o apoiador, é o ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot. “O vice que Gustavo está articulando é o deputado federal Major Vitor Hugo. O único problema é que Vitor Hugo quer ser o dono da chapa e planeja derrubar João Campos para colocar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, como candidato a senador.” Crise à vista? Sim. Porque Marconi Perillo, segundo o apoiador de Mendanha, quer impor a deputada Lêda Borges (PSDB) como vice.
O veto à candidatura de Jânio Darrot (Patriota) a vice na chapa de Mendanha tem a sua razão de ser: há alguns meses, o ex-prefeito de Trindade apareceu na mídia para desqualificar o projeto de Mendanha de concorrer ao Palácio das Esmeraldas. “Quando Mendanha renunciar ao cargo de prefeito e não tiver mais a caneta na mão, vai virar pó”, disse Darrot. Mendanha, como se sabe, é vingativo.
O prefeito descarta também alianças com os partidos de esquerda (PT e PSB) por estarem comprometidos com a candidatura de Lula à Presidência da República. Mendanha acredita que seu eleitorado em Aparecida e em Goiás é bolsonarista. “Sou evangélico e ninguém quer saber da volta de Lula”, já declarou.
Ao sinalizar para o PSL indicar o deputado federal Vitor Hugo como vice em sua chapa, Mendanha abre arestas com o deputado federal Delegado Waldir, presidente estadual do partido e pré-candidato ao Senado. A candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, do PSD, também é descartada por Mendanha de pronto, sem qualquer avaliação mais amadurecida.
A mais de um ano para as eleições de 2022, o prefeito Gustavo Mendanha, que não aceita o resultado da consulta do MDB que indica aliança com o DEM do governador Ronaldo Caiado, começa provocando “atritos e mais atritos” em uma eventual base de apoio ao seu projeto eleitoral.

 

Prefeito tem relação conflituosa com Republicanos e Rogério Cruz

“Mesmo aqui do hospital, estou do seu lado, irmão”, escreveu o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, no Twitter, em 4 de abril último, se referindo à decisão de rompimento do MDB com o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos).
A postagem de Gustavo Mendanha, destaca-se, foi uma resposta à publicação de Flávia Teles, viúva do prefeito eleito e empossado Maguito Vilela. “Maguito, sua luta não foi em vão! Seu legado está sendo defendido por todos nós, por todos aqueles que realmente te conheceram. Seu projeto era pela cidade, não por sede de poder. Gratidão aos companheiros que hoje honraram o nome do Maguito”, completou Flávia Teles.
Desde o rompimento do MDB com Rogério Cruz, Gustavo Mendanha esfriou os contatos com o prefeito de Goiânia, principalmente as parcerias administrativas que pretendiam fazer nos bairros limítrofes das duas cidades. Gustavo Mendanha não respaldou a decisão da vereadora aparecidense Valéria Pettersen de aceitar um cargo no secretariado do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, depois que o MDB deixou o Paço Municipal. Por isso, Mendanha rompeu a relação que mantinha com o Republicanos, partido presidido pelo deputado federal João Campos.
Um dos críticos da aliança do MDB com o DEM caiadista é o deputado estadual Paulo Cezar Martins, que, em 2020, apoiou a candidatura de Vanderlan Cardoso (PSD) e não a de seu partido, Maguito Vilela, à Prefeitura de Goiânia. “Depois de trair Maguito, qual autoridade moral tem Paulo Cezar para questionar a aliança MDB/DEM?”, sustenta Carlos Júnior, presidente do MDB de Goiânia.

 

PSDB é próximo do prefeito e já está no secretariado de Aparecida

O prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, sempre teve boa relação com o PSDB de Marconi Perillo, mas tem receio em aproximar-se dos tucanos em razão dos desgastes que o partido vem enfrentando, com denúncias do Ministério Público por improbidade administrativa. O PSDB inclusive participa do secretariado do prefeito de Aparecida de Goiânia.
O fato de o ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy ter sido denunciado e preso por envolvimento em prática de corrupção, segundo o Ministério Público, também afasta Mendanha do Progressistas. Caso decida mesmo disputar o Palácio das Esmeraldas, Mendanha terá dificuldades para fechar o leque de alianças, diante dos problemas vivenciados com partidos e lideranças políticas.
O prefeito tem prazo até 3 de abril próximo para tomar a decisão: permanecer no cargo e concluir o mandato ou renunciar para enfrentar as urnas como candidato a governador. Só para refrescar a memória de Mendanha: Paulo Roberto Cunha (Rio Verde), Iris Rezende (Goiânia), Vanderlan Cardoso (Senador Canedo) e Antônio Gomide (Anápolis) renunciaram ao cargo de prefeito e foram derrotados na disputa pelo governo de Goiás. (Por Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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