Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Mendanha propõe ICMS menor para gasolina. Mas isso não baixaria preço

Prefeito de Aparecida mete os pés pelas mãos ao falar de um assunto sobre o qual não tem nenhum conhecimento

Com o objetivo de fazer média com o seu público na internet e ao mesmo tempo alfinetar o governador Ronaldo Caiado, o prefeito de Aparecida enveredou por um assunto do qual ele não tem o menor conhecimento: a economia. Mendanha tem curso superior, porém de Educação Física, que não exige leituras científicas nem profundidade intelectual.

Em uma postagem nas redes sociais, o prefeito mostra uma manchete de O Popular que aponta a gasolina vendida em Goiás como a mais cara do Brasil. Desrespeitando as regras de Português, ele escreve (ou escrevem para ele): “O Estado de Goiás poderia reduzir a alíquota do ICMS sobre os combustíveis e mesmo assim não perderiam (sic) recursos, afinal os combustíveis aumentaram e a alíquota em Goiás continua a mesma e uma das mais altas do país.”

Ledo engano. Qualquer pessoa que tem conhecimento sobre a formação dos preços dos combustíveis sabe que o ICMS não determina o valor final para o consumidor e, sim, a política de preços imposta pela Petrobras com base na variação do dólar. Só que, quando a cotação do dólar baixa, os combustíveis continuam caros, pelo menos é como tem sido no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Mendanha se manifesta sobre algo que não entende e, pior, informando mal seus seguidores. Vejamos as observações que, nesta semana, fez o economista Henrique Meirelles, de sólida formação universitária e com grande experiência na vida privada e pública como presidente mundial do Banco de Boston e presidente do Banco Central por oito anos – nos governos Lula, quando os combustíveis não subiam tanto como hoje.

“Tenho visto com frequência o discurso de que o ICMS é o responsável pela alta dos preços de combustíveis no País”, anota Meirelles, para complementar: “Isso é uma mera tentativa de desviar o assunto, jogando para os Estados a responsabilidade sobre uma decisão que é da Petrobras”, diz.

Ele vai adiante, afirmando que, “quando o preço da gasolina aumenta, não foi a alíquota do ICMS que subiu. O percentual continua o mesmo. A variação do preço do combustível na bomba é, repito, decisão da Petrobras, que detém o monopólio de preços no Brasil”. Isso significa que, mesmo com o imposto estadual menor, os preços vão continuar subindo, pois a decisão é da Petrobras, órgão do governo federal. Haveria alta até mesmo se o ICMS fosse zerado.

Como é um político e um técnico que só age e fala com seriedade, Meirelles, ao contrário da bazófia de Mendanha, até sugere uma solução: “O consumidor precisa ser protegido dessa flutuação, que tem impacto também no frete e no preço dos alimentos. Por isso que em 2018 propus a criação de um fundo de amortização que impediria a variação descoordenada dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha”, lembra ele, assegurando que, se for eleito senador por Goiás em 2022, como pretende, “trabalhará para criar o fundo de amortização“, arrematando: “Preservar o consumidor, o caminhoneiro e o agro de forma responsável, sem gerar rombo para a Petrobras, nem ao Tesouro Nacional, deve ser uma preocupação de todos.”

De todos… mas não de Mendanha e da sua fixação com Caiado e o seu gosto pela politicagem.

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