Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Mesmo em repouso absoluto em casa, Mendanha não passa o cargo para o vice

O próprio prefeito disse que a recomendação médica, para tratar a infecção por Covid-19, “é esperar passar a doença para voltar ao trabalho”

Da Redação

Atacado pela Covid-19, juntamente com a maior parte da família (pai, mãe, 5 tios, a mulher e dois filhos também foram infectados), o prefeito Gustavo Mendanha se recolheu em casa e, por recomendação médica, está proibido de quaisquer atividades, até mesmo leves como postar nas redes sociais.

Segundo sua última publicação no Instagram, Mendanha está bem, “com sintomas leves, como coriza, dor de garganta e moleza no corpo”. Ele disse que recebeu orientação de seus médicos para cumprir 14 dias de suspensão total das atividades, desde que foi diagnosticado como portador do coronavírus. 

Mesmo assim, o prefeito não passou o cargo de chefe do executivo para o vice-prefeito Vilmar Mariano. No ano passado, quando passou por uma trombose cerebral e chegou a ser internado, Mendanha entregou o comando da prefeitura ao então vice-prefeito Veter Martins. Na campanha eleitoral, tirou licença, no 2º turno, para auxiliar no proselitismo da campanha do candidato do MDB Maguito Vilela em Goiânia, também repassando o cargo para Veter Martins, com o qual, aliás, estava politicamente rompido na época.

“Sou um paciente especial, estou seguindo todas as orientações dos meus profissionais médicos, principalmente por conta da trombose. Os próximos dias serão passados em casa, como já estava fazendo nos últimos dias, por conta dos meus filhos estarem positivados, agora cumprindo toda a quarentena, até dar negativo e poder voltar ao trabalho”, acrescentou Mendanha na sua postagem, deixando claro que, pelo menos aparentemente, está impedido de trabalhar no mínimo pelas próximas duas semanas.

O prefeito e o vice tiveram um desentendimento no início do ano: no dia 1º de janeiro, data da solenidade em que o Mendanha, Vilmar Mariano e os 25 vereadores de Aparecida foram empossados, em cerimônia no Anfiteatro Municipal, o vice se recusou a discursar ao ser anunciado pelo mestre de cerimônias. Ao fim do evento, afirmou a um blog local que “não deveria nem ter ido” à sessão.

Em seguida, não compareceu à 1ª reunião do secretariado, convocada por Mendanha para repassar as diretrizes para a nova gestão. A interlocutores, o vice dizia que estava “chateado por não ter participado da escolha dos novos auxiliares”.

O prefeito nunca se incomodou com o rompimento. Aguardou o momento certo e deu a sua cartada para resolver a pendenga, nomeando um irmão de Vilmar Mariano para uma das dezenas de secretarias executivas disponíveis na estrutura de cargos comissionados da prefeitura. 

A nomeação do irmão de Vilmar Mariano corresponde ao modelo de prática política aprofundado por Mendanha em Aparecida, onde conquistou o apoio de 21 partidos e dos 25 vereadores aparecidenses com o manejo da folha de pagamento e a sua vasta disponibilidade de salários elevados nas funções de secretários, secretários executivos, superintendentes, chefes de gabinete, diretores e assessores, todos muito bem remunerados. É o preço da “unanimidade” da classe política aparecidense em torno do seu nome. 

“Prefeito não está incapaz para exercer o cargo”, afirma o vice

Ao Diário de Aparecida, o vice-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano, também conhecido como Vilmarzim, não reclamou de não ter sido convocado para chefiar o Executivo durante a ausência de Gustavo Mendanha.

Segundo Vilmarzim, Mendanha não está ausente da cidade nem muito menos foi declarado incapaz para exercer o cargo, não havendo, portanto, necessidade de transferência da função de prefeito para o seu substituto legal. O vice deixou a entender que, na ocorrência de assuntos emergenciais, assessores diretos levariam as demandas à casa do prefeito, que despacharia de lá mesmo. 

Ele acrescentou ainda acreditar que a infecção pelo coronavírus não impede ou atrapalha Gustavo de exercer o cargo. Mas, na verdade, a solução proposta pelo vice-prefeito contraria as normas de prevenção sanitária, já que implica em proximidade de assessores com o chefe do Executivo, expondo-se ao contágio. Uma videoconferência seria mais adequada. 

Por fim, Vilmarzim reafirmou também que jamais teve qualquer desentendimento com Mendanha, em qualquer época. “Nunca tive relacionamento estremecido com o Gustavo. Somos amigos na vida pessoal e política. Da minha parte, nunca tive nenhum tipo de problema com ele e tudo continua bem, como sempre esteve”, garantiu.

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