Quinta, 05 de Agosto de 2021
05 de Agosto de 2021
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Mesmo sem vacinas, Aparecida chama a faixa de 62 anos e provoca frustração

Para aparecer como a mais ágil na imunização, prefeitura convocou grupo prioritário para ser vacinado apesar de saber que doses seriam insuficientes

Na pressa de vencer a “corrida da vacina” e sair na frente de outros municípios, em especial Goiânia e Anápolis, na cobertura das faixas da população que devem ser priorizadas, a Prefeitura de Aparecida chamou milhares de pessoas de 62 anos acima – convocadas para receber o imunizante na última sexta-feira, 9, que se esgotou às 10h30min da manhã, quando, só no drive-thru da Cidade Administrativa, havia centenas de carros na fila.


Goiânia continua atendendo a faixa de 64 anos acima, enquanto Anápolis já chegou aos que têm 63 ou mais. Aparecida, porém, ignorou que as doses da CoronaVac estocadas no município seriam insuficientes para atender os poucos mais de 6 mil idosos acima de 62 anos, abriu o agendamento e os postos para livre procura. É claro que não deu certo. Uma chuva de críticas caiu sobre a prefeitura.


A Rede Globo/TV Anhanguera, por exemplo, exibiu uma reportagem de quase quatro minutos mostrando a irritação dos aparecidenses que perderam tempo nas filas até serem dispensados pela Guarda Municipal, no pátio da Cidade Administrativa, com a informação de que as vacinas haviam acabado.


“A prefeitura tem os dados das doses disponíveis. Apesar de saber que as vacinas não seriam suficientes para a faixa acima de 62 anos, chamou as pessoas, gerando uma grande expectativa que acabou em uma enorme frustração”, afirmou o apresentador do Jornal Anhanguera 1ª Edição Fábio Castro, depois de abrir a matéria com uma frase de impacto: “Acabou a vacina antes da hora em Aparecida” e mostrar cena da fila de carros (dando uma volta completa na Cidade Administrativa e descendo pela avenida) sendo dispersada pelos agentes da GM.


A reportagem da Rede Globo/TV Anhanguera informou que Aparecida recebeu na última quinta-feira, 8, uma remessa de 3,6 mil doses repassadas pelo governo do Estado, depois de enviadas pelo governo federal. Dessas, 2,4 mil foram destinadas aos postos de vacinação em sistema drive-thru e aos convencionais, para 1ª e 2ª doses; 1.080 para os profissionais de saúde que ainda não foram imunizados e o restante para os profissionais das forças de segurança.


O problema é que a conta estava errada desde o início. A própria prefeitura reconheceu que já dispunha da estimativa de que o público alvo, acima de 62 anos, corresponderia a mais de 6 mil pessoas – portanto, matematicamente impossível de ser atendido com apenas 2,4 mil doses, que ainda teriam que ser compartilhadas com os que esperavam a segunda dose. Mesmo assim, para passar à frente de Goiânia e Anápolis e mostrar um ritmo de imunização mais ágil e rápida, a população referente a essa faixa etária foi convocada para se vacinar. O marketing deu errado.


Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a partir do próximo lote de vacinas que chegar a Aparecida, será feita uma avaliação minuciosa para evitar que se repita o acontecido. A pasta diz ainda que quem aguarda a segunda dose tem garantia de que receberá a aplicação na data marcada e que o atendimento a esse público continua normalmente.

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