Aparecida

“Modelo” administrativo de Aparecida, se replicado para Goiás, levaria ao caos

Mais uma vez, em nome do marketing, o prefeito Gustavo Mendanha exagerou: plantou na coluna Giro, em O Popular, uma nota dizendo que “independente do candidato, o modelo de gestão de Aparecida pode e deve ser replicado para Goiás”.
Trata-se de um evidente delírio. Primeiro, um modelo municipal não tem altura para servir de exemplo para a administração de um Estado. Vanderlan Cardoso perdeu duas eleições para o governo falando em “replicar” os seus dois mandatos como prefeito de Senador Canedo – e foram bem desenvolvidos. Mas o seu nome foi rejeitado nas urnas porque, evidentemente, o eleitorado não aceita a transformação de Goiás em um município, por maior que seja.
Goiás, portanto, não é Aparecida. E Aparecida enfrenta desafios graves, alguns dos quais listados nesta página, exatamente por conta dos equívocos e das omissões de Gustavo Mendanha. Não há “modelo” algum, só uma série de situações desastradas que impõem, para o município, um padrão de “governança” de currutela. Isso, elevado estadualmente, traria o caos para Goiás.

Dez retrocessos da gestão de Mendanha

1 – Classe política pendurada na folha de pagamento
Em Aparecida, mesmo com o impacto da pandemia da Covid-19, o desemprego não afetou a classe política. Todos os partidos políticos estão na folha de pagamento da prefeitura, através dos seus indicados, assim como os recomendados pelos 25 vereadores, além de suplentes, candidatos derrotados, pastores evangélicos e quem quer que seja que tenha alguma liderança, ainda que mínima. Esse é o segredo da “unanimidade” em torno de Mendanha.

2 – Crianças sem Cmei’s para a Educação Infantil
A crônica falta de vagas nos Cmei’s de Aparecida se agravou na gestão de Gustavo Mendanha, que não avançou na construção de novas unidades – verbas orçamentárias da União para esse fim estão disponíveis, mas aguardam providências quanto a projetos e licitação. Estima-se que 7 mil crianças estão fora da escola, prejudicando as mães trabalhadores que precisam deixar os filhos assistidos enquanto cumprem o expediente.

3 – Polícia investiga desvios no hospital municipal
A Operação Falso Positivo foi deflagrada pela Polícia Civil para investigar desvios de recursos públicos no Hospital Municipal de Aparecida. Edlaine, esposa do secretário municipal da Fazenda, André Rosa, foi flagrada comandando dentro do hospital um esquema de cobrança superfaturada de exames a favor de um laboratório do qual seria sócia oculta. Os dois compareceram para depor, mas se recusaram a prestar esclarecimentos e se mantiveram em silêncio.

4 – Mais secretarias que a Prefeitura de São Paulo
Enquanto a Prefeitura de São Paulo, que governa mais de 12 milhões de habitantes, tem 25 secretarias, a Prefeitura de Aparecida, município com pouco mais de 600 mil moradores, conta com 27. Pior: essa estrutura está inflada com secretarias executivas, superintendências, diretorias e assessorias que abrigam políticos – em troca do apoio unânime ao prefeito Gustavo Mendanha. Não à toa, em Aparecida não existe oposição.

5 – Promessas do 1º e 2º mandatos ainda não cumpridas
Asfaltar todos os bairros, zerar o déficit de vagas dos Cmei’s, criar um Banco de Alimentos e construir um Hospital de Combate ao Câncer são promessas do 1º mandato de Gustavo Mendanha que ele repetiu na campanha para o 2º. Nenhuma delas, em 4 anos e pouco mais de 4 meses de gestão, avançou um milímetro. Uma das consequências é a volta da fome, afligindo as famílias aparecidenses em vulnerabilidade.

6 – Nenhuma empresa de grande porte atraída até agora
Gustavo Mendanha é o prefeito que menos trouxe investimentos empresariais em toda a história de Aparecida. Perde de longe para Maguito Vilela, Ademir Menezes, Norberto Teixeira e até para o apagado José Macedo. A prefeitura, hoje, não tem nenhum esquema para fomentar a instalação de indústrias no município. Mais grave: na gestão de Mendanha, grandes conglomerados, como o Guaraná Mineiro, desistiram de Aparecida.

7 – Dezenas de bairros continuam na lama e na poeira
Outra promessa do 1º mandato de Mendanha que foi reavivada na campanha pelo 2º: levar o asfalto para todos os bairros que ainda não receberam esse importante benefício civilizatório, calculados hoje entre 60 e 80 (e nessa conta somente os densamente habitados). Mas quase nada foi feito. Em comparação com seus antecessores, o atual prefeito é o que menos investiu na pavimentação de ruas e avenidas.

8 – Foco na política em vez de combate à pandemia
Enquanto a pandemia do novo coronavírus segue sem controle, exigindo foco de todos os governantes responsáveis, Gustavo Mendanha passou a priorizar contatos políticos e tem deixado o expediente na Cidade Administrativa para ir a municípios se reunir com lideranças atrás de apoio para os projetos eleitorais do MDB e seus próprios sonhos de grandeza. Ele também gasta a maior parte do tempo em contatos políticos.

9 – Marketing é a prioridade
nº 1 da admi-nistração
Redes sociais e campanhas publicitárias são a obsessão do prefeito Gustavo Mendanha e da sua numerosa equipe de comunicação – a prefeitura tem duas grandes agências de publicidade contratadas para trabalhar em tempo integral, inclusive no marketing digital. O resultado é uma administração de fachada, que aparece muito, mas não entrega benefícios concretos para a população e até hoje não tem uma marca.

10 – “Cidade Inteligente”: uma sala na sede da prefeitura
O que Gustavo Mendanha propagandeia como “Cidade Inteligente” não passa de uma sala repleta de telas na sede da prefeitura, onde são monitoradas câmeras espalhadas por pontos estratégicos da cidade. Só. E, mesmo assim, sem que a promessa de instalar 650 delas tenha sido cumprida. Serviços que deveriam agilizar o atendimento aos cidadãos, como o Teleconsulta, não funcionam.

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