Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
Publicidade

Mulheres aprovadas no concurso da GCM aguardam Gustavo Mendanha cumprir a promessa de nomeá-las

Cerca de 17 mães de família afirmaram que se sentem discriminadas pela gestão atual, que nomeou todos os homens aprovados no concurso de 2012 e as deixou para trás

Aprovadas no concurso da Guarda Civil Municipal (GCM) de 2012, cerca de 17 mulheres estão na luta para serem nomeadas pela gestão de Gustavo Mendanha, que lhes fez a promessa quando ainda era candidato ao primeiro mandato. Ao Diário de Aparecida, Odinalva Paula Viana Borges, 38, explicou que em 2013 as mulheres foram aprovadas no Curso de Formação da Guarda (CFG), com cinco meses de duração, destacadas com notas de aprovação até maiores do que alguns colegas homens. Mesmo assim, ainda no curso receberam a informação do comandante Roberto Cândido, hoje atual secretário municipal de Segurança, de que todos os aprovados seriam nomeados.

“Mandaram esquecermos tudo lá fora. Quem tinha emprego pediu para que saísse, respaldado na palavra de que quem fosse aprovado no curso de formação seria nomeado. Após fases de luta por aceitação, inclusive no exame psicotécnico, no qual tivemos que entrar na Justiça para provar nossa capacidade. Já em 2016, tempo final da última gestão de Maguito Vilela, durante o curso tivemos a visita do Gustavo Mendanha, que era candidato a prefeito pela primeira vez, que nos prometeu que, assim que fosse empossado prefeito, iria chamar todos nós, porque Aparecida precisava”, relembrou Odinalva Paula.

Eram 141 aprovados, uma média de 110 homens foram nomeados até o momento. As denunciantes afirmaram que todos os homens que fizeram o curso de formação com as mulheres foram chamados, o último deles, há 15 dias. Hoje são 17 mães de família que se sentem discriminadas, pois cumpriram todos os critérios, tanto quanto os homens. Segundo Odinalva, a dedicação das mulheres por vezes era maior para reafirmar a capacidade feminina e, ainda, as notas classificatórias delas eram maiores do que a deles, que foram chamados e nomeados e elas ficaram para trás.

“Na época, o comandante Roberto Cândido orientou todos da turma a deixar tudo, inclusive seus empregos, na certeza de que todos do Curso de Formação da Guarda (CFG) que fossem aprovados seriam chamados. De fato aconteceu, porém, 17 mulheres ainda aguardam o chamamento, pois o tempo hábil expira só em setembro de 2022, isso se finalizar a pandemia em dezembro deste ano.

Elas informaram que o atual secretário municipal de Segurança, Roberto Cândido, que na época era um dos instrutores do CFG, falou em reunião recente que almeja um novo concurso para a Guarda de Aparecida. De acordo com elas, Cândido trata a situação com descaso. “Ele mesmo que oprimiu e ameaçou para que a turma de 2016 abandonasse os empregos para se dedicar à GCM, afirmando sempre que ninguém iria ficar para trás”, sublinhou em tom de revolta uma das denunciantes.

 

Éramos obrigados a participar de reuniões e manifestações políticas para favorecer a eleição de Gustavo Mendanha”

Aprovada no concurso da GCM, Marta Ferreira da Silva, 45 anos, compartilhou com o Diário de Aparecida um pouco do que abdicou para conquistar o sonho de ser uma agente de segurança da Guarda aparecidense. Na concursada ainda há a esperança de que o prefeito Gustavo Mendanha irá nomear as mulheres chefes de família que se destacaram no CFG de 2016 e esperam firmemente pela palavra dele, que agora cumpre o 2° mandato.

“Larguei emprego e família para participar do CFG em 2016, com a promessa de tomar posse. Foram cinco meses de dedicação total ao curso, com remuneração de R$ 702 mensais da Guarda. Tive que vender minha moto para pagar os custos, como uniformes, transporte, alimentação e outros, tudo por nossa conta. Meu pai estava na fase terminal de um câncer. Deixei minha mãe idosa cuidar dele sozinha, eu só ajudava depois que chegava do curso, o tempo todo a orientava por telefone”, depôs Marta.

Ela ainda disse que, por ser transição de governo, sob a pressão dos comandantes, eram obrigados a participar de reuniões e manifestações políticas para favorecer a eleição de Gustavo. Lembram também que os recursos para suas nomeações estão todos os anos na Lei Orçamentária Anual (LOA), o que incorre em o gestor municipal responder por improbidade administrativa. Ou seja, tem reservas e vagas, mas não são chamadas. Na opinião de Marta Ferreira, é tudo uma questão de boa vontade administrativa do chefe do Executivo municipal.

“Não somos recebidas ao procurarmos o prefeito Gustavo, que parece estar blindado. Chegamos ao absurdo de pensar ser até um preconceito por parte dele, por sermos mulheres. Infelizmente já ouvimos do comandante que mulher na Guarda não serve para menos que lavar as viaturas”, disse Marta.

 

Posicionamento da prefeitura

Até o fechamento desta matéria, a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) da Prefeitura de Aparecida de Goiânia não havia respondido à nossa solicitação de respostas. O espaço segue aberto, caso a gestão municipal queira se posicionar sobre o assunto.  (Por Ana Paula Arantes / jornalismo@diariodeaparecida.com )

Compartilhe este post: