Cidades

Descarte irregular de lixo e entulho é ameaça constante ao Córrego Tamanduá

Agressão acontece há anos e autoridades apontam falta de consciência da população

 

Manancial deságua no Córrego Santo Antônio, que encerra sua trajetória no Rio Meia Ponte

Por :Luciana Brites

 

A falta de educação de parte da população está colocando em risco a sobrevivência do Córrego Tamanduá, em Aparecida de Goiânia, nas imediações da Avenida V-5, no encontro dos setores Vera Cruz 1 e Vera Cruz 2. É que, há anos, o local é usado para o descarte irregular de lixo e entulho e isso compromete a qualidade da água do próprio Tamanduá e também do Córrego Santo Antônio, que deságua no Rio Meia-Ponte.

Em uma publicação no perfil Jornal PACity – que prioriza informações de Goiânia,  Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia – moradores da Avenida V-5 e imediações denunciam que, pouco mais de dez dias após a remoção de uma grande quantidade de lixo e entulho, às margens do córrego já estão sendo poluídas novamente.

Os comentários evidenciam a indignação de quem presencia e convive com a situação. Genesco goiano escreve que “é um absurdo a falta de educação das pessoas. Não pensão (sic) no meio-ambiente e ainda acham que a porta da casa dos outros é lixão”.

Marilene relata que “esse problema é antigo” e lembra que, em 2015, um estudo do IFG (Instituto Federal de Goiás) e UFG (Universidade Federal de Goiás) apontou que a água estava imprópria para o consumo e a irrigação das plantas. “Problema é que o povo esquece. A água chegou a ficar envenenada. Resolveram o problema naquela época mas parece que vai acontecer de novo”, teme.

Reinaldo escreve que mora no local há quase 20 anos e “sempre existiu isso aí. É uma pouca vergonha, um desaforo”, desabafa. Cleonice sugere reforço da vigilância: “a Guarda Municipal tinha que fazer rondas e pegar no flagra quem joga lixo aqui”. Christianny apresenta outra sugestão: “deviam construir um alambrado, para impedir de chegar perto”.

Respostas

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Aparecida (SDU) informa que realiza a limpeza da área constantemente, sendo que a última no fim de agosto. Do local, foram removidas quase 50 toneladas de resíduos sólidos,  descartados  de maneira irregular.

A secretaria informa também que realiza campanhas de conscientização dos moradores, para que não realizem o descarte de móveis e restos de materiais de construção e insiste que os responsáveis precisam dar destinação correta para o entulho gerado em suas propriedades.

Se houver necessidade, a secretaria recolhe o material a ser descartado, bastando ligar para o 3545-9969 ou 3545-6040. O serviço é gratuito e acontece de segunda a sexta, das 8h às 16h. O Disque Busca recolhe restos de sofás, armários, tanquinhos e guarda-roupa, entre outros objetos.

Já a Secretaria de Meio Ambiente (Semma) pede a ajuda da população para impedir que a prática criminosa continue. Quem presenciar o despejo deve ligar para o 3238-7217/3238-7218 ou whatsapp 98459-1661. Os fiscais avaliam o impacto e aplicam multas que variam de R$ 500,00 a R$ 5 mil.

A Guarda Municipal também foi procurada pelo Diário de Aparecida mas não se manifestou sobre a possibilidade de ser mais presente no local. O espaço segue aberto para manifestação.

 

 

Educação ambiental é aposta de especialistas para mudar hábitos

 

 

Especialistas e estudiosos do meio-ambiente estão convictos que só a educação ambiental é capaz de transformar hábitos e fazer com que a população – que, ainda hoje descarta lixo e entulho de forma irregular, convicta de que cabe apenas ao poder público limpar e resolver o problema –  compreenda e aceite que, por ser parte do problema, também precisa ser parte da solução.

Um estudo apresentado no 14º Fórum Latino Americano de Engenharia e  Sustentabilidade tratou, justamente, de ações destinadas à conservação do Córrego Tamanduá, em Aparecida de Goiânia.

O estudo concluiu que ações como palestras, distribuição de material informativo e educativo, visitas às residências de moradores locais e bairros vizinhos, além de reforço na fiscalização dos órgãos com poder de notificar e aplicar penalidades, “proporcionam uma reflexão que poderá resultar na aquisição de novos hábitos. O desenvolvimento desta consciência ambiental é um exercício de cidadania e traz benefícios a todos: o meio ambiente e o homem. Porém, esse só acontece de forma efetiva com o despertar conjunto da sociedade, poder público e empresas privadas para as questões ambientais que são também uma responsabilidade social”.

O estudo reforça ainda que a água é um bem de todos e toda a sociedade deve estar inserida na sua conservação e uso racional. Os córregos são alvos fáceis de degradação como é o caso do Córrego Tamanduá, e por isso devem receber devida atenção da comunidade.

O artigo completo está disponível em http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/engineeringproceedings/eneeamb2016/ea-006-4988.pdf

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