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“Não passamos a mão em cabeça de bandido, tem que trabalhar”, defende Caiado no Presídio Feminino de Orizona

Nova unidade conta com 102 vagas exclusivas para mulheres, além de possuir polo de confecção

Da Redação

“Não passamos a mão na cabeça de bandido. Tem que reeducar as pessoas, sim, mas tem que trabalhar e cumprir pena”, defendeu o governador Ronaldo Caiado em solenidade na Unidade Prisional Regional Feminina de Orizona, nesta quarta-feira (30). O presídio, que entrou em funcionamento recentemente, tem 102 vagas exclusivas para mulheres e estrutura que possibilita o uso de mão de obra carcerária. Na ocasião, Caiado ainda entregou 10 viaturas para as unidades locais, com investimento de R$ 725.188,00, parte de verba estadual e outra de convênio com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

“Estado gasta uma fábula de dinheiro para manter essas pessoas encarceradas. Bandido já deu prejuízo demais à população”, argumentou o governador. Ele explicou que há casos em que o custo de manutenção dos detentos chega a ser maior que o valor investido em uma educadora. “É inadmissível que essa responsabilidade fique nos ombros da população goiana”, frisou.

Diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Agnaldo Augusto da Cruz ressaltou que a unidade feminina de Orizona é um modelo a ser implementado em todo Estado e afirmou que, pela primeira vez, a reestruturação do sistema prisional é prioridade na gestão pública estadual. “Hoje é mais um marco do governo Ronaldo Caiado no sistema prisional. E que já produz frutos, como podem ver com os próprios olhos”, citou.

O coronel Agnaldo Augusto referiu-se ao polo de produção, local onde 15 detentas trabalham na confecção de uniformes para a população carcerária de Goiás – desde o início das atividades, em agosto, já foram produzidas mil unidades. Também há fabricação de máscaras de proteção individual contra o coronavírus, que são são distribuídas a hospitais públicos, parceiros e servidores da segurança pública.

“Os reeducandos são tratados como gente aqui dentro do sistema prisional, de forma respeitosa e, além do mais, trabalham. Desde quando foi inaugurado o presídio, essa confecção jamais parou”, observou o prefeito de Orizona, Joaquim Augusto Marçal.

“Quartéis de facções”

Em Orizona, o governador Ronaldo Caiado lembrou que as penitenciárias eram verdadeiros “quartéis generais de facções criminosas” durante os governos anteriores. “De dentro, mandavam matar, assaltar, sequestrar”, comentou. Neste sentido, reconheceu a atuação da DGAP na melhoria da eficiência e ocupação do sistema, com diminuição de custo e aumento do número de vagas. “Avançamos muito. Hoje temos presídios de alta segurança, penitenciárias modelo, a exemplo de Águas Lindas, Anápolis, Formosa, Planaltina”, exemplificou.

Goiás avançou também no processo de reorganização da gestão penitenciária. Um exemplo é que a entrega do presídio de Orizona pôs fim, na região, à existência dos presídios mistos – com detentos de ambos os sexos –, o que é uma das principais metas do Plano Estadual de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Penitenciário Goiano. “Era uma excrescência que havia quando recebemos o governo, em 2019”, criticou o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda.

Segundo o coronel Agnaldo Augusto, estão previstas mais duas inaugurações de presídios femininos ainda em 2020, nos municípios de Serranópolis e Hidrolândia. “Lá vamos tirar 110 presas que estão juntas com os detentos da CPP de Aparecida [Casa de Prisão Provisória]”, projetou o diretor-geral da DGAP. “Vamos manter a obrigação do Estado: separar homens de mulheres. Isso era inaceitável”, assegurou o governador Ronaldo Caiado.

Em seu discurso, o secretário Rodney Miranda destacou a integração do trabalho da Segurança Pública no Estado e lembrou que defendeu a permanência da DGAP vinculada à SSP. “Não há controle efetivo da violência na rua se não houver sistema prisional devidamente organizado”, explicou. E fez questão de registrar que as quedas nos índices de criminalidade, que fazem de Goiás um destaque nacional, têm participação decisiva da administração penitenciária.

Representante do Legislativo no evento, o deputado federal José Nelto foi enfático: “o crime não compensa. Quem comete, terá que pagar por seus erros”. E completou: governo de Caiado está promovendo uma verdadeira “revolução”, ao devolver Goiás aos goianos.

Polícia Penal

O secretário Rodney Miranda citou, em sua fala, que é determinação do governador que o processo de promoção de agentes de forças de Segurança, em andamento, seja concretizado o mais rápido possível. Tudo será feito com respeito às responsabilidades fiscais do Estado. “Os direitos que vocês têm serão reconhecidos por mim e [um projeto] será encaminhado à Assembleia Legislativa”, explicou o governador Ronaldo Caiado.

“Esse assunto será tratado desta maneira por nós, autorizei o secretário [Rodney Miranda] a entrar em contato com nossa secretária da Economia [Cristiane Schmidt] e, a partir daí, vamos elaborar algo que seja possível cumprir. “Não estou fazendo aqui nenhuma proposta eleitoreira”.

Nova estrutura física

Para a abertura da Unidade Prisional de Orizona, seguindo as novas demandas, foi necessária ampla reforma com investimento total de mais de R$ 9 mil, além de doações recebidas por meio de parcerias locais. Este é o nono presídio voltado especificamente para a população carcerária feminina, o terceiro inaugurado somente em 2020. Agora, o local passa a oferecer salas de aula e de videoconferência, confecção, consultórios médicos e odontológicos, entre outros setores.

A penitenciária feminina de Orizona também é a primeira a contar com uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), com observância das normas de preservação ambiental. A água que seria descartada pela unidade, após tratamento adequado, é reutilizada pela Prefeitura nos jardins do município.

 

 

Gustavo Martins

Estagiário supervisionado pelo editor Jorge Borges

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