Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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Negacionismo de Mendanha não o deixa ver isolamento e falta de apoio no MDB

Nas andanças pelo interior do Estado, o prefeito de Aparecida de Goiânia não recebeu qualquer apoio para a sua proposta de candidatura própria a governador

Se movimentando desde janeiro último, com visitas ao interior do Estado, o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, chega ao mês de setembro sem contabilizar nenhum apoio expressivo no MDB goiano à sua proposta de candidatura própria ao governo de Goiás. Até agora, apenas o deputado estadual Paulo Cezar Martins, o ex-deputado federal Sandro Mabel e o diretório municipal do MDB aparecidense hipotecaram apoio ao projeto de Mendanha de disputar a sucessão estadual.

Gustavo Mendanha é, a cada semana, surpreendido por novas manifestações de apoio de parlamentares, prefeitos, vereadores e dirigentes do partido nos municípios, anunciando respaldo à posição do presidente Daniel Vilela em defesa da aliança do MDB com o DEM do governador Ronaldo Caiado.

Mendanha ficou assustado quando 27 dos 28 prefeitos do MDB divulgaram carta manifestando apoio à aliança do partido com o DEM de Ronaldo Caiado e, consequentemente, contra a candidatura própria do partido à sucessão estadual. Também pegou de surpresa o prefeito de Aparecida a manifestação do senador Luiz do Carmo, dos deputados estaduais Bruno Peixoto, Humberto Aidar e Henrique Arantes, além de presidentes de diretórios e de comissões provisórias, em defesa da posição de Daniel Vilela, pró-acordo com o DEM.

Ciente de que lhe “falta chão” para pisar no MDB, Mendanha comete equívocos que podem ser fatais para o futuro de sua carreira política: o de buscar alianças com adversários históricos do partido, como os tucanos Marconi Perillo e José Eliton, além de Jânio Darrot, Jorcelino Braga, Magda Mofatto e tantos outros.

Mendanha, em vez de se render à decisão majoritária do MDB, que quer ver Daniel Vilela como candidato a vice-governador na chapa de Ronaldo Caiado, prefere alimentar seu projeto político pessoal, traindo a memória de seu mentor Maguito Vilela. Ao constatar que não há espaço para a defesa de candidatura própria pelo MDB, o prefeito fecha os olhos e ignora a realidade do partido. Admite, em seguida, filiar-se a outra legenda, sem saber qual será o seu futuro, mergulhando, quem sabe, numa aventura eleitoral que poderá encerrar a sua supostamente promissora carreira política de forma precoce.

Mendanha pode trocar aliados históricos como Iris Rezende, Daniel Vilela, Pedro Chaves, Mauro Miranda, Leandro Vilela, Euler de Morais por algozes do MDB, entre eles os tucanos. Como tem prazo até 3 de abril do ano que vem para decidir se irá renunciar ao cargo de prefeito de Aparecida de Goiânia, abrindo mão de dois anos e nove meses de mandato, Mendanha vai continuar buscando os “holofotes” da mídia.

 

Empresários temem repercussão negativa na economia de Aparecida

Influentes empresários de Aparecida de Goiânia procuraram Gustavo Mendanha para mostrar a inconveniência de um “gesto impensado”, como o de abandonar o cargo de prefeito para uma aventura eleitoral, fora do MDB. Até auxiliares de Mendanha na Cidade Administrativa, receosos com o futuro incerto do ainda emedebista, tentam convencer o prefeito a adiar para 2026 o seu projeto de concorrer ao governo de Goiás ou buscar um lugar ao sol na política estadual. São secretários influentes da gestão municipal, segundo apurou a reportagem do Diário de Aparecida. Emedebistas experientes lembram a Mendanha fatos históricos que devem ser considerados por ele antes de uma decisão de renúncia do mandato de prefeito de Aparecida de Goiânia: Iris Rezende (Goiânia), Vanderlan Cardoso (Senador Canedo), Antônio Gomide (Anápolis) e Paulo Roberto Cunha (Rio Verde) renunciaram às prefeituras para a disputa ao governo de Goiás e nenhum deles logrou êxito nas urnas.

 

Prefeito admite aliar-se a uma oposição fraca e desacreditada

Ao admitir deixar o MDB, diante da falta de apoio à sua aventura eleitoral dentro do partido, o prefeito Gustavo Mendanha só tem como alternativa aderir a uma oposição fraca, desacreditada e que responde a denúncias de práticas de corrupção, a começar pelos seus líderes principais, como Marconi Perillo, José Eliton, Jânio Darrot, Magda Mofatto e Sandro Mabel.

Até agora, de acordo com as pesquisas, PSDB, PL e Patriota não conseguiram achar um nome capaz de fazer frente ao governador Ronaldo Caiado, o que leva as suas principais lideranças a estimular Gustavo Mendanha a entrar na disputa eleitoral de 2022. Até a esquerda, representada pelo PT, PC do B e PSB, tem desconfiança em relação a Mendanha, um bolsonarista convicto, já que tem origem na igreja Assembleia de Deus. Os partidos de esquerda estão ressabiados: Mendanha não apoiaria a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

A oposição em Goiás, dividida entre esquerda e centro-direita, estaria ainda mais enfraquecida se apoiar a candidatura de Gustavo Mendanha, o que permitiria a vitória de Ronaldo Caiado já no primeiro turno. Um experiente político define a situação da oposição goiana: “Se ficar, o bicho come, se correr, o bicho pega”. Ou seja: com ou sem Gustavo Mendanha, o horizonte é sombrio para as eleições de 2022.

As tentativas de Daniel Vilela de convencer Mendanha a acatar o resultado da consulta do MDB acabaram frustradas, até agora, porque o prefeito aparecidense coloca o seu projeto pessoal acima dos interesses partidários. Os prefeitos emedebistas e empresários aparecidenses tentam mostrar a Gustavo os riscos que ele corre ao manchar uma carreira política até agora vitoriosa: dois mandatos de vereador e dois de prefeito da segunda maior cidade do Estado.

Mendanha não ouve conselhos de ninguém, a não ser daqueles que o incentivam a se rebelar da posição majoritária do MDB, que não deseja candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. Nem mesmo o argumento de que, por seis vezes, o MDB enfrentou a máquina do Estado, com Iris Rezende, Maguito Vilela e o próprio Daniel Vilela, e fracassou nas urnas, estimula Mendanha a um recuo.

Ano passado, o próprio Iris Rezende, em visita ao gabinete de Gustavo Mendanha, elogiou o jovem prefeito e o aconselhou a disputar o governo de Goiás em 2026 e não no pleito do ano que vem, por entender que Ronaldo Caiado é o franco favorito para conquistar o segundo mandato ao governo de Goiás. Só que Mendanha não aceita os conselhos de Iris Rezende e de Daniel Vilela. (Por Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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