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Número de mortes por Covid-19 em Aparecida este ano é 8,3% maior se comparado a 2020

Entre 1º de janeiro e 18 de maio de 2021, 639 aparecidenses morreram por Covid-19. Esse cálculo é 8,3% maior em comparação a 2020, quando foram registrados 590 óbitos em decorrência da doença no período de oito meses. O primeiro caso de óbito no município ocorreu em abril do ano passado. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia apontam que, desde o início da doença, 1.229 pessoas da cidade morreram por conta do vírus. Apesar do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 classificar o município no cenário verde (risco baixo), Aparecida permanece em situação crítica no mapa de risco da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

No momento, o município possui 810 casos ativos, que estão hospitalizados ou monitorados pela Telemedicina, oxímetros e exames. De 64.489 casos confirmados, 62.450 estão recuperados, com três óbitos confirmados nas últimas 24 horas. A taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento da Covid-19 na rede pública de saúde está em 35%. De acordo com a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia, até as 17h da última terça-feira, 18, o município realizou 273.929 testes de diagnóstico de Covid-19. Os exames são do tipo RT-PCR, que é considerado o padrão ouro para esse diagnóstico. A Secretaria de Saúde de Aparecida informa que nas últimas 24 horas foram confirmados 116 novos casos na cidade.

Embora o município se encontre em cenário verde, quatro bairros estão na fase vermelha e seis na laranja em casos de Covid-19. O Jardim Buriti Sereno, o campeão, tem 2.959 casos. O segundo lugar é o Cidade Vera Cruz, com 2.658. Em terceiro lugar está o Jardim Tiradentes (2.094) e em seguida aparece o Setor Garavelo (1.729). No cenário laranja figuram o Garavelo Residencial Park (1.401), Parque Veiga Jardim (1.293), Sítios Santa Luzia (1.282), Vila Brasília (1.162), Independência Mansões (1.085) e o Colina Azul (1.016).

 

Subnotificação
Levantamento da SES-GO revela que só este ano, até 10 de maio, das 1,3 mil declarações de óbito por Covid-19 de Goiás que não foram inseridas no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep Gripe), local que contabiliza os casos graves da doença, incluindo o falecimento, 87 são de Aparecida de Goiânia. O objetivo da pesquisa é identificar a subnotificação de casos de morte por coronavírus e atualizar o sistema.

A superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, defende que ter esses dados atualizados é essencial para planejar o combate à pandemia, ainda mais no cenário atual, com possibilidade de uma terceira onda do vírus. “A gente está em um momento que, mais do que nunca, precisa-se de dados os mais fidedignos possíveis para podermos fazer as análises necessárias para possíveis políticas de prevenção e controle, avaliação da situação epidemiológica. Estamos saindo de uma segunda onda e existe possibilidade de uma terceira onda”, declarou a gestora durante uma reunião on-line com representantes dos municípios na tarde de terça-feira, 18.

De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, toda morte por Covid-19 deveria ser notificada no Sivep Gripe em até 48 horas. Esse sistema reúne uma série de informações sobre cada falecimento por coronavírus, como idade, sexo, doenças pré-existentes e data dos primeiros sintomas. A própria unidade de saúde onde a pessoa morreu, independentemente de ser pública ou privada, deveria notificar diretamente no sistema ou a Secretaria Municipal de Saúde da cidade onde a unidade fica. Contudo, nem sempre essa notificação ocorre. “Isso acaba sobrecarregando muito os municípios, por exemplo, Goiânia, porque morre mais gente aqui. (…) Já houve momentos em que dividimos as tarefas [de atualizar o sistema de óbitos]. No Estado, a gente tenta ajudar os municípios, mas a responsabilidade é do local de ocorrência [do óbito]”, explicou Amorim.

O Diário de Aparecida entrou em contato com a SMS de Aparecida de Goiânia, que, por nota, esclareceu que o registro de óbitos por Covid-19 no Sivep é de responsabilidade do município onde ocorreu o fato. O comunicado destacou que, em Aparecida, todas as mortes referentes à Covid-19 notificadas na cidade são devidamente investigadas e registradas no sistema. “Sobre essa diferença apontada entre os números de declarações de óbito e registros no Sivep, a secretaria informou que não recebeu das unidades de saúde da cidade novas notificações para as devidas investigações. Além disso, caso os óbitos tenham ocorrido em outros municípios, cabe a eles o registro no sistema”, diz a nota.

Pandemia se agravou em março com a adoção do modelo de zoneamento por macrozonas no município

Com base nas informações da SES-GO, a média de mortes diárias em Aparecida no mês de maio foi de 3,3, e em abril, de 7,9, um pouco menor do que em março, quando foram registradas 8,3 mortes. O município registrou 239 óbitos em decorrência da Covid-19 nesse período. Foi quase metade do total de 546 óbitos registrados no mês de março no município. E isso não é por acaso: cenas de aglomerações na cidade foram cada vez mais comuns, ao passo que pontos comerciais aparecidenses e feiras livres funcionam livremente, conforme a implantação do modelo de zoneamento por macrozonas.

Apesar dos números, a Prefeitura de Aparecida disse que o modelo de abertura escalonada do comércio, indústria e serviços teria ajudado a estabilizar o avanço da doença, porém o que se vê desde dezembro é o aumento das mortes diárias na cidade. Com cenas chocantes mostradas em edições passadas do DA nos cemitérios locais, exibindo sequência de valas abertas para receber caixões – em dezembro, eram cerca de duas mortes por dia, índice que se manteve em janeiro; em fevereiro subiu para aproximadamente cinco mortes por dia, e em março superou oito mortes por dia.

Um dos fatos polêmicos com relação às falhas do isolamento social em Aparecida é que os motéis foram considerados atividades essenciais pela prefeitura e continuam funcionando normalmente. E ainda as feiras livres, como a do Setor Garavelo, também autorizadas pela prefeitura, acabaram virando cenário de aglomerações, uma situação de risco, já que o índice de ocupação de UTIs na cidade ainda é alto.

“A ideia de zoneamento é um pouco ingênua, mas atende aos comerciantes. Não leva em consideração que o vírus circula e as pessoas andam, pegam ônibus e visitam outros lugares”, disse em entrevista ao Diário da Manhã o biólogo Matheus Santos, especialista em Genética pela Universidade Federal de Goiás (UFG). (E.M.)

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