Terça, 20 de Abril de 2021
20 de Abril de 2021
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Deputado-delegado que propôs CPI tem o pai como foragido da Justiça

Humberto Teófilo se apresenta como moralista, mas foge do assunto quando indagado sobre a condenação de Amarildo Pereira por roubar o INSS

O deputado estadual Delegado Humberto Teófilo, do PSL, autor de um polêmico pedido de instalação de CPI na Assembleia Legislativa para investigar boatos de interferência na Polícia Civil, é filho de um foragido da Justiça: seu pai é o ex-vereador Amarildo Pereira, flagrado desviando verbas do INSS na Câmara Municipal de Goiânia e condenado pela Justiça Estadual a 5 anos e 10 meses de prisão, com sentença transitada em julgado, isto é, sem possibilidade de recursos.

O mandado para o encarceramento de Amarildo Pereira foi expedido em 10 de outubro do ano passado, mas ele não foi mais visto em Goiás ou mesmo no país.

Em vez de se apresentar para cumprir a pena, Amarildo Pereira fugiu. Há notícias de que ele estaria vivendo em um outro país, escondido da polícia brasileira – da qual o filho Humberto Teófilo, que tem uma cadeira brasileira, é quadro de carreira, na condição de delegado da Polícia Civil estadual.

Humberto Teófilo sistematicamente não fala na condição penal do pai e foge desse assunto como o diabo da cruz. Quando perguntado sobre o assunto, finge que não é com ele. Teoricamente, como agente da Polícia Civil, o deputado deveria ter interesse na captura de criminosos, que, no caso, é o seu próprio pai.

A defesa de Amarildo Pereira recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que rejeitou as últimas apelações na ação proposta na Justiça Estadual por punir os desvios de recursos do INSS em esquema na Câmara de Goiânia e na extinta Companhia Municipal de Obras de Goiânia (Comob). 

Em 2004, a Polícia Federal apontou desvio de R$ 7 milhões do INSS em uma fraude descoberta na Câmara de Goiânia, época em que Amarildo Pereira, vereador, integrava a Mesa Diretora. Segundo a denúncia, cheques emitidos entre os meses de novembro de 2001 e julho de 2004 para pagar contribuições previdenciárias de servidores comissionados do Legislativo goianiense foram desviados para contas particulares. 

Mais tarde, descobriu-se que o mesmo esquema havia desviado cerca de R$ 640 mil da Comob, órgão da Prefeitura de Goiânia, de 1999 a 2000, quando Amarildo Pereira ocupava uma das diretorias da companhia. Mesmo depois do escândalo, ele foi candidato em todas as eleições seguintes, até 2014, não obtendo mais êxito. Seus filhos também entraram na política: o delegado Humberto Teófilo (PSL) é deputado estadual e o advogado Amarildo Pereira Filho (PSL) foi candidato a vereador em Goiânia, com o nome registrado de Dr. Amarildo Filho, nas eleições do ano passado, mas foi derrotado.

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