Quarta, 28 de Julho de 2021
28 de Julho de 2021
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Pais devem se atentar aos sinais de autismo logo na primeira infância

Campanha serve para conscientizar sobre esse transtorno, que ainda é rodeado de preconceito. Neuropediatra indica as principais características

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva. O TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estima que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem transtorno do espectro autista. Assim, o mês de abril ganha a cor azul para a conscientização sobre o autismo.
A neuropediatra Alinne Rodrigues Belo explica que esse é um transtorno do neurodesenvolvimento e que, apesar de cada criança ser diferente da outra, os pais devem estar atentos a alguns sintomas que são semelhantes. “As crianças com TEA apresentam dificuldades ou limitações na comunicação e na interação social, atraso na linguagem verbal e não verbal e dificuldade de socializar com crianças da mesma idade e até mesmo com familiares”, revela.
Segundo a especialista, a maioria dos sintomas do Transtorno do Espectro Autista costuma já estar presente entre 12 e 18 meses de vida e ela destaca outros pontos a serem observados. “Essas crianças possuem interesses restritos e repetitivos, com comportamentos estereotipados e rígidos, além de dificuldades de tolerar mudanças na rotina. É importante estar atento ainda se a criança perder alguma habilidade que já tinha adquirido, como balbuciar e apontar. Toda regressão é um sinal de alerta para transtornos do desenvolvimento neurológico”, salienta Alinne.
“Outras características são crianças que não apresentam sorriso social, não atendem chamado, não reagem a ruídos e sons do ambiente ou têm reação exacerbada diante de um som específico. Crianças com dificuldade de manter contato visual, que olha nos olhos de maneira rápida, o olhar não é sustentado. Elas possuem mais interesse em objetos do que na face das pessoas e se interessam muito por objetos que possuem movimentos repetitivos. Crianças que vocalizam pouco, com dificuldade de tolerar o toque, com distúrbios do sono ou irritabilidade elevada”, detalha a médica sobre os sinais de alerta, ressaltando que não é preciso apresentar todos esses pontos em conjunto.
Tratamento
Ao identificar algumas dessas características, Alinne Rodrigues Belo indica que o primeiro passo é procurar um pediatra, que depois fará encaminhamento para outros especialistas de áreas como neurologia pediátrica, psiquiatria infantil, pediatria com especialização em comportamento e desenvolvimento. “O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é desafiador, muitas vezes precisa de mais de uma avaliação, pois nem sempre a criança tem todas as características”, revela a neuropediatra.
Porém, mesmo com a suspeita de autismo, a médica ressalta que já é importante iniciar o tratamento. “Ele é feito com uma equipe multidisciplinar, pode envolver psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, ecoterapeutas, hidroterapia e em alguns casos terapia com psicomotricidade. Serão traçados caminhos que consistem, basicamente, em estimulação e reabilitação de sintomas”, explica ela, contando ainda que o acompanhamento é individualizado e de acordo com os tipos e os graus dos sintomas apresentados.
O autismo não tem cura, mas é reabilitável e seu tratamento é por tempo indeterminado. “Muitas vezes é para a vida toda. O objetivo é fazer com que a criança tenha autonomia, independência, melhora da socialização e desenvolvimento adequado da linguagem. Em muitos casos, o tratamento é modificado com o tempo, o número de sessões pode ir variando com cada profissional envolvido”, detalha Alinne sobre o transtorno, que possui três graus: leve, moderado e grave. “O leve é quando se torna uma pessoa adaptada, o moderado é quando tem sub respostas às terapias e o grave é aquele que, mesmo com as terapias, não possui boa evolução”, explica.

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