Cultura

Paralelo 16º Mostra Internacional de Dança Contemporânea chega à sua décima edição

Mostra de dança convida nove grupos, sendo três internacionais. Neste ano o evento será híbrido, com apresentações virtuais e presenciais

Ao chegar à sua 10ª edição, o evento de dança mais esperado pelo público goiano se adapta às necessárias precauções sanitárias contra a Covid-19. Entre os dias 18 de outubro e 15 de novembro, o Paralelo 16º apresentará nove espetáculos cênicos, nacionais e internacionais, e oferecerá duas oficinas de dança. Das apresentações artísticas, duas serão realizadas presencialmente no Teatro Goiânia, mas também poderão ser acompanhadas virtualmente, pelo YouTube do Paralelo 16º. As demais serão transmitidas de forma exclusiva pelo YouTube e pelo Vimeo. As oficinas serão realizadas por meio da plataforma Zoom. Os resultados das oficinas também serão exibidos no formato videodança. Para as apresentações do Teatro Goiânia os ingressos serão trocados por 2 tipos de kit com alimentos não perecíveis (a descrição está nos SERVIÇOS), na bilheteria do Teatro Goiânia, com antecedência de 2 horas. As demais atrações serão gratuitas. Duas das transmissões contarão com audiodescrição, sendo elas as apresentações presenciais da Quasar e da Giro 8, oferecendo acessibilidade ao público de pessoas cegas ou com baixa visão. Neste ano o projeto conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás. O Paralelo 16º é uma realização da Quasar Cia de Dança e da Associação Quasar de Cultura.

  

Novo de novo

A última edição do Paralelo 16º aconteceu no ano de 2018. Naquela ocasião, os espetáculos ocuparam teatros, ruas e bares, surpreendendo passantes distraídos, com cenas aéreas e ocupações de espaços pouco usuais para a cena artística.

Já em 2021, assim como tantos projetos culturais, o espaço que podemos e devemos ocupar é o do mundo virtual. E apesar dos motivos que trazem a mostra para este formato, esta nova modelagem cênica proporcionou ao Paralelo 16º alguns reencontros. Entre eles, a participação do Grupo Cena 11, de Florianópolis/SC, que esteve em uma das primeiras edições, e que agora pode estar de volta à mostra, por meio das telas dos computadores, de forma exclusiva para a audiência do Paralelo 16, com uma obra recém criada (classificação 18 anos). Outro artista que volta à sua terra natal de forma virtual é o intérprete-criador Ederson Xavier, que já fez parte das primeiras formações da Quasar Cia de Dança, ainda na década de 1990, e que hoje realiza seu trabalho de dança na Holanda.

Por outro lado, o Paralelo Virtual 2021 irá garantir cenas inéditas, como as do Grupo Corpo, de Belo Horizonte/MG e do Corpo de Dança do Amazonas, de Manaus/AM.

Também são atrações desta 10ª edição: Quasar Cia de Dança (GO), com o seu aplaudido “Estou Sem Silêncio”; Ateliê do Gesto (GO), que estreia o espetáculo INFANTIL de dança, “Fica Comigo”; a Giro 8 Cia. De Dança (GO), que apresenta sua “Teia”, além de três grupos estrangeiros, entre eles o Bora Art, da Coréia do Sul.

A formação profissional ainda mais paralela

Um ponto forte desta edição são as oficinas. Elas também guardam duas boas surpresas.

A oficina “AUTORRETRATO – Como tornar visível o invisível” será ministrada por dois grandes artistas: Lavínia Bizzotto, coreógrafa e diretora de movimentos, que iniciou sua carreira na Quasar Cia de Dança e que hoje reside no Rio de Janeiro. Lavínia dividirá a batuta com o artista visual/pintor/fotógrafo/videomaker/bailarino Alexandre Maia. Esta oficina terá a duração de dez dias e 25 horas/aula, no total, sendo que as aulas ocorrerão de 18 a 29 de outubro, pelo ZOOM.

A segunda oficina também será de composição. Chamada “A arte de mover”, ela será ministrada pela bailarina-criadora Gabriela Leite. Natural do Rio de Janeiro, Gabriela já dançou em grupos como Nós da Dança, Laso Companhia de Dança e Focus Companhia de Dança, sendo que desde 2018 integra o elenco da Quasar Cia. de Dança. As aulas da Gabriela serão de 01 a 03 de novembro, também pelo ZOOM.

O resultado final das duas formações será a composição de dois trabalhos de videodança. Essas criações inéditas também serão transmitidas pelo You Tube do Paralelo 16º Mostra Internacional de Dança Contemporânea, na quarta-feira, 10 de novembro, às 20h.

As inscrições para as oficinas serão feitas pelo E-mail paralelo16.danca@gmail.com. Os interessados devem enviar uma mini biografia e uma carta de intenção para seleção, revelando os motivos de solicitar esta participação.

 

Paleta Mundial em Paralelo

De acordo com Vera Bicalho, diretora e idealizadora do Paralelo 16º, a Mostra de Dança Contemporânea, que nasceu no ano de 2005 e que se tornou uma das principais agendas de dança e das artes cênicas do Estado, busca atingir os mais diversos públicos, incluindo os profissionais de dança de Goiás, que sempre tiveram a oportunidade de conviver com grupos e artistas das mais diversas partes do mundo.

Segundo Vera, uma das vantagens de realiza-lo por meios digitais de comunicação, é a possibilidade de atingir ainda mais pessoas, das mais diversas regiões do planeta. Isto, na perspectiva da diretora, de certa forma democratiza o acesso aos bens culturais que o evento traz para esta paleta de composições cênicas, escolhida sempre de forma consciente e lúcida, para oferecer ao público um caleidoscópio de linguagens e possibilidades artísticas.

Perspectivas pós-pandêmicas e o fomento à cadeia produtiva

Sobre as circunstâncias do novo Paralelo, Vera reflete: “Em um mundo pós-pandêmico, acreditamos que novas linguagens cênicas devem surgir, baseadas justamente nestas novas relações virtuais, nascidas da necessidade de distanciamento social. Para nós, a arte sempre se renova e sempre reflete o mundo psicossocial em que estamos vivendo, e só ela é capaz de ressignificar essas relações. Por isso mesmo, garantir a continuidade do Paralelo 16, mesmo que de forma virtual, traz à tona mais esse debate e mais e novas possibilidades de criação.”

E a diretora continua: “O fato de selecionarmos criações que fazem parte dos repertórios desses grupos e artistas garante que o Paralelo 16 continue sendo um fomentador da cadeia produtiva da dança, criando uma agenda de trabalho para estes profissionais, tão afetados neste período de pandemia.”

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