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Partidos de expressão fecham portas para Mendanha: só restam os nanicos

Prefeito de Aparecida foi rejeitado pelo PL bolsonarista e vê dificuldades em definir apoios do Podemos, Progressistas, Patriota e Republicanos; apenas os pequenos PTC e Pros sinalizam positivamente

Helton Lenine

A menos de quatro meses para renunciar ao cargo de prefeito de Aparecida, se tiver coragem suficiente para se lançar ao governo de Goiás, Gustavo Mendanha enfrenta dificuldades para definir o partido pelo qual irá disputar as urnas em 2022. Após desfiliar-se do MDB por não concordar com o resultado da consulta interna que rejeitou a candidatura própria a governador, Mendanha não conseguiu ainda avançar nas conversas para “bater o martelo” sobre o seu novo partido.

O ex-emedebista tinha como certo o apoio do Partido Liberal até a filiação do presidente Jair Bolsonaro à legenda. A deputada federal Magda Mofatto e o presidente estadual do PL, Flávio Canedo, estão integrados ao projeto eleitoral majoritário do prefeito aparecidense. Só que o cenário no PL mudou: o bolsonarismo tem restrições ao perfil político de Gustavo Mendanha, que não assume posições conservadoras e de extrema direita e, para agravar, abriga no seu secretariado representantes de partidos de esquerda (PT, PSB, PDT, PV e PC do B).

O deputado federal Major Vitor Hugo, lançado pelo presidente Jair Bolsonaro como candidato ao governo de Goiás, alfineta Mendanha: “O prefeito de Aparecida nunca assumiu posições claras em favor de Jair Bolsonaro, o que dificulta qualquer aproximação com ele”, repete.

Mendanha namora também o Podemos, após ter conversas com a presidente nacional do partido, Renata Abreu. Mas surgiu um fato novo: o Podemos, que lançou o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro à presidência da República, poderá participar de uma federação com o União Brasil e, neste caso, apoiar a reeleição do governador Ronaldo Caiado em Goiás.

O prefeito mantém distanciamento com o PSDB dos ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, sob a alegação de que não estaria disposto a assumir os desgastes dos tucanos em Goiás. Progressistas e Republicanos ainda não abriram as portas para Mendanha, porque mantém canal de conversações também com o União Brasil do governador Ronaldo Caiado. PP e o Republicanos apresentam as pré-candidaturas de Alexandre Baldy e de João Campos ao Senado, respectivamente.

No “frigir dos ovos”, até agora Mendanha conta com o respaldo de apenas dois partidos nanicos: PRC e Pros, o que seria muito pouco para dar sustentação ao projeto de eleição majoritária (governador), já que não tem fundo eleitoral e tempo na propaganda eleitoral em rádio e televisão. O PSDB dos ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton aceitam a filiação e a candidatura de Mendanha, mas o prefeito de Aparecida resiste a uma aliança com os tucanos, que vê com maus olhos em função dos escândalos em seus governos.

Mendanha pretende “bater o martelo” sobre a escolha do novo partido em fevereiro ou março, tentando manter em aberto, até lá, as conversações com dirigentes e lideranças políticas. Não vai ser fácil: ele sabe que o cenário político nacional poderá influenciar as decisões estaduais, principalmente em relação à vigência das federações – união de partidos por quatro anos.

Além da dificuldade de escolha de novo partido, o pré-candidato não consegue conquistar apoio de lideranças políticas expressivas do Estado. Até agora conta apenas com o incentivo da deputada federal Magda Mofatto, dos deputados estaduais Paulo Cezar Martins e Cláudio Meirelles e o ex-deputado federal Sandro Mabel. Nenhum dos 246 prefeitos goianos manifestou até agora apoio a Mendanha.

Há quem aposte que, quando chegar a data-limite para desincompatibilização – 3 de abril, Gustavo Mendanha poderá mudar seus planos políticos e permanecer à frente da prefeitura de Aparecida de Goiânia, adiando para 20226 o projeto de concorrer ao Governo de Goiás.

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